Ficha de Estudo 12, 13 e 14 – lançamento

O projeto de formação litúrgica através de fichas de estudo vai editar 100 temas e agora esta lançando os temas Comunicação, Canto e Arte litúrgica (fichas 12, 13 e 14)

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Já editamos 11 fichas de Estudo neste mês em continuidade ao projeto de formação litúrgica através de fichas de estudo, estamos editando mais três temas, que pela ordem de lançamento correspondem aos números 12, 13 e 14 de um total de 100.

Reflete sobre a comunicação pela ação litúrgica.
Reflete sobre a comunicação pela ação litúrgica.
Reflete sobre a liturgia cantada
Reflete sobre a liturgia cantada
Reflete sobre como criar um espaço de oração com arte
Reflete sobre como criar um espaço de oração com arte

A aquisição de nossas fichas de estudo são através de envio pelo correio e para receber basta você fazer o deposito do valor correspondente na conta corrente 64043-3 AG 0020-5 (Banco do Brasil) e nos enviar uma mensagem com o comprovante de depósito e os dados para a entrega da correspondência.

A ficha individual custa apenas R$2,00, mas se você preferir fazer uma assinatura (pacote para 20 temas /fichas) pagará uma taxa anual de R$40,00 e enviamos pelo correio.

Maiores informações na janela nossos contatos.

Informativo A palavra Viva – fichas de estudo

Projeto de formação litúrgica em fichas de estudo, 100 temas para ler, estudar e colecionar.

O Jornal a Palavra Viva agora é Informativo e traz para os seus leitores as fichas formativas que inicialmente irá trabalhar sobre a material Liturgia.
Aproveite, colecione e estude!

  Nesta primeira parte do projeto iremos editar 100 temas sobre a sagrada liturgia. Já editamos 14 temas confira a relação abaixo e comece já a ler, colecionar e estudar.
Ficha 01 – Liturgia o que é mesmo?
Ficha 02 – Sacrosanctum Concilium (estudo 1) 
Ficha 03 – Sacrosanctum Concilium (estudo 2)
Ficha 04 –Sacrosanctum Concilium (estudo 3)
Ficha 05 – Sacrosanctum Concilium (estudo 4)
Ficha 06 –Sacrosanctum Concilium (estudo 5)
Ficha 07- Celebração do Mistério Pascal ao longo do Ano
Ficha 08 – Funções de ministérios na missa
Ficha 09 – Ano jubilar da Misericórdia (estudo 1)

Ficha 10 – Ano jubilar da Misericórdia (estudo 2)
Ficha 11 – Ano jubilar da Misericórdia (estudo 3) 
Ficha 12 – Liturgia e comunicação
Ficha 13 – Canto litúrgico
Ficha 14 – Arte litúrgica
  


Fichas de Estudo 01- liturgia o que é

Projeto de formação litúrgica em forma de fichas de estudo – Ficha o1 Liturgia o que é mesmo?

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Muitas pessoas me procuram em busca de formações sobre a liturgia e na medida do possível estamos tentando tornar acessível os vastos conhecimentos sobre o assunto. Nem sempre é possível estar de forma presencial e alguns

Projeto de Formação litúrgica em fichas
Projeto de Formação litúrgica em fichas

assuntos necessitam de especialistas, mestres e doutores na área, pois, a liturgia é uma ciência complexa.

 

Para ajudar, atender e abranger o maior números de temas, bem como responder as diversas solicitações, criamos o Projeto de formação em forma de fichas de estudo. As fichas são resultado de pesquisas em diversas fontes, possam, por uma seleção e observação depois os conteúdos são disponibilizados via correio em material impresso para que os interessados estudem individualmente, em grupo nas comunidades e Paróquias.

Esta é ficha n 01 que reflete sobre ‘Liturgia o que é mesmo?’ Estaremos divulgando os 100 temas que serão editados nesta primeira etapa do projeto.

OBS – A ficha 02 – reflete sobre o documento Sacrosanctum Concilium

Pregração Sagrada – preparando a homilia – texto 3

Acompanhe o curso de Pregação Sagrada – como preparar uma boa homilia em 36 artigos do professor Pe. Antonio Rivero e disponibilizados aqui no blog CMLITURGO. Neste artigo (numero 03) você encontrará os conselhos práticos para o pregador.

Como melhorar a Pregação Sagrada

Agora falaremos de alguns conselhos práticos que podem ajudar o Pregador Sagrado na sua missão:

Compreender o seu público, ou seja, aquelas pessoas a quem vamos pregar. Conhecer a idiossincrasia destas pessoas, suas qualidades, suas fraquezas, seus problemas, seu modo de ser. A Igreja chama isso de “inculturação”. Um espanhol e um brasileiro não são iguais; nem um francês e um americano, um alemão e um africano… É necessário falar com a linguagem das diversas culturas, fazer-nos tudo a todos para ganhá-los para Cristo, como São Paulo (cf. 1 Cor 9, 20-22). Não podemos ir à América Latina com categorias europeias. Simplesmente não nos entenderão! Ou pior ainda, nos recusarão! “Amanhã te escutaremos” parafraseando Atos 17, 32.

preparando uma boa homilia
preparando uma boa homilia

Preparar bem cada pregação, sem improvisar, deixando tudo para a última hora. A pregação não é algo que fazemos a título pessoal. Não! Pregamos em nome da Igreja. É a Igreja que, nesse momento explica a Palavra de Deus, através do pregador sagrado. Portanto, preparar a pregação a partir da oração pessoal. Mas também lendo comentários dos Papas, de autores espirituais bem sólidos e provados, sobre esses textos litúrgicos ou sobre esse tema do qual pregaremos. Os melhores comentários que existem sobre os evangelhos são OS SANTOS PADRES. Temos que ler muito os Santos Padres. São sempre atuais. São um verdadeiro tesouro a ser descoberto ainda. É como subir-se em ombros de gigantes. Um exemplo disso é o Papa Bento XVI. É por isso que as suas pregações são tão profundas, embora simples.




Ser ordenado e estruturado nas ideias da pregação: hoje temos que transmitir somente uma ideia na homilia ou na palestra, e desenvolver essa ideia em dois ou três aspectos bem travados e unidos. Mas somente uma ideia. Só então é que o ouvinte sairá com uma ideia bem aprendida e tentará vivê-la no seu dia a dia. Das três leituras dominicais pode-se tirar perfeitamente uma só ideia, desenvolvida em dois ou três aspectos. Por exemplo, uma homilia com a liturgia de um domingo: Deus nos convida à conversão (única ideia, tirada do evangelho); essa conversão supõe reconhecer-nos pecadores (primeiro aspecto dessa única ideia, tirada talvez da primeira leitura dominical ou do salmo responsorial); essa conversão trará como efeito a paz interior e a reconciliação com Deus (segundo aspecto dessa única ideia, tirada talvez da segunda leitura dominical). E os dois aspectos devem estar apoiados nos textos litúrgicos lidos. Uma só ideia! Quem fala de muitas ideias só consegue dispersar o ouvinte e não deixará nada claro e nem concreto. Quem diz muitas ideias está manifestando que não preparou profundamente a sua pregação. Provoca uma autêntica indigestão espiritual nos que escutam.

Ser criativo ao expor a ideia: essa ideia tem que ser apresentada com alguma metáfora, imagem, novidade, um fato ou anedota… Só assim ficam mais facilmente gravadas na alma do ouvinte, pois aparecerá como novidade e originalidade. Nisso o cardeal vietnamita Van Thuan, que Deus o tenha, era modelo. Não ser chatos com ideias já usadas e sem originalidade. É preciso ser atraentes e incisivos. Isso não se consegue com excentricidades ou com continhos e nem fazendo rir. Não! Isso se consegue tendo meditado muito e com profundidade na Palavra de Deus. E observando muito a vida humana.

Distinguir o modelo de pregação que me é pedido e o lugar onde se dá a pregação: primeiro, distinguir que tipo de pregação devemos dar, pois uma coisa é pregar uma homilia, outra uma reflexão numa hora santa com Cristo Eucaristia exposto; uma coisa é uma palestra aberta num auditório, outra é uma meditação num retiro; uma coisa é dar uma conferência a jovens e outra pregar a adultos ou a crianças ou a sacerdotes. E o lugar: porque uma coisa é pregar na capela, outra coisa é pregar num salão de estar ou num estádio ou numa fábrica. Tudo isso deve ser levado em conta na hora da pregação.

Sempre ser expressivo: sem forçar o próprio temperamento, não querendo ser aquele que é mais apaixonado e dinâmico… mas é preciso ser expressivo. Lembre-se dos três elementos de toda a pregação idéias de fundo, forma concreta dessas ideias e expressão (velocidade etemperatura oratória) destas idéias. É necessário combinar os três elementos para que a pregação seja perfeita. Todo o nosso ser deve ser expressivo: voz, gestos, mãos, corpo, olhos, sentimentos, emoções, silêncio, questionamentos e perguntas diretas… Não devemos ser tímidos, nem ter medo de falar, nem falar com voz apagada ou monótona, ou em abstrato ou sem olhar para o auditório. Se fizermos isso o povo dorme. As pessoas vão odiar a nossas pregações, em vez de gozar com a pregação sagrada. Fides ex auditu, nos fala São Paulo, “a fé entre pelo ouvido” (Rm 10, 17).

Pregar a todo homem e ao homem todo: a todo homem: à criança, ao adulto, ao ancião, ao enfermo, ao que sofre, ao ignorante e ao simples, ao complicado e questionador… e a todo o homem: inteligência, sentimentos, afetos, coração, vontade… E a Palavra de Deus pregada tem que “tocar” a existência humana em todos os campos: pessoal, familiar, laboral, profissional, religioso… Por isso, o pregador buscará aplicar essa Palavra de Deus e “fazê-la caminhar” pelos meandros da vida dou ouvinte. O ouvinte durante a pregação deveria dizer: “Isso! É isso que eu preciso, encaixa perfeitamente o que fala esse pregador”. É assim que o ouvinte se deixará transformar por essa Palavra de Deus que o pregador soube baixar para a vida deles concretamente. E com certeza vamos ter essa pessoa em todas as nossas pregações porque nos entende e entende que a Palavra de Deus explicada é muito atual para a sua vida, e não algo do passado ou de museu.

Ser simples, respeitoso e positivo ao pregar:  não  insistir tanto no que está mal. Apresente mais o bem que por si só atrai. Não estamos no século de certa apologética agressiva, inflexível, rigorosa e um pouco arrogante. Hoje temos de conquistar as pessoas com a bondade, com a simplicidade, com o encanto e a gota de mel. Isso não significa que não devemos dizer a verdade. É necessário apresentá-la, mas com bondade e respeito, para que atraia. Quando seja preciso falar algo forte, duro e negativo (p.e. os que vivem juntados ou divorciados e casados em segunda união não podem e nem devem comungar, etc…), é necessário falar em terceira pessoa e nunca interpelar a pessoa em questão. Não dizer: “Você que está juntado… não deve comungar”. Seria muito ofensivo. É melhor dizer: “Quem se encontra nessa situação não deveria se aproximar da comunhão porque…”. E quando se trata de algo positivo, então sim, interpelar em segunda pessoa: “Que bom que você foi generoso e fiel! Deus será também com você”.

Preparando uma boa homilia
Curso de Pregação Sagrada

Sentir com a Igreja em tudo o que ela se propôs para este ano: se é o ano sacerdotal, não deveria ter nenhuma pregação durante o ano que não tivesse alguma menção sobre essa circunstância… se é o ano paulino, o mesmo. Ou o ano dedicado a Jesus Cristo (1997), ou ao Espírito Santo (1998), ou a Deus Pai (1999), ou o ano da Eucaristia (2000). Ou o ano da fé, no qual estamos agora. Não se pode caminhar em paralelo com a Igreja. Os tríduos desse ano e os exercícios espirituais e os retiros, as homilias deveriam estar focadas e marcadas por essa circunstância eclesial. Isso é parte do “sentire cum Ecclesia”. Devemos ir ao passo da Igreja. Também nisso.

Destacar com frequência nas pregações aspectos e virtudes dos santos: os santos são nossos irmãos que já conseguiram o que nós estamos procurando: a santidade de vida. Eles nos dão exemplo e nos dizem quais aspectos são necessários praticar para agradar a Deus, crescer nas virtudes e alcançar a salvação eterna, que é a graça das graças. Quanto são edificantes as anedotas dos santos! Compre livros de santos e leia-os. E assim você vai colocar nas pregações exemplos maravilhosos e edificantes dos santos nos temas que estará tratando na pregação.

Conclusão: Espero que esses conselhos sirvam para que a sua pregação seja a cada dia de qualidade, para a glória de Deus e a salvação das almas. Isso é o que me tem ajudado. Não sei se lhes ajudará, pois todos somos diferentes.

Para você que esta acompanhado o nosso curso A Pregação Sagrada ainda serão editados 33 artigos que estarão a disposição neste site, se por acaso você não recebeu os anteriores basta clicar nos links abaixo. O próximo tema que meditaremos é “O que um pregador precisa fazer antes de pregar” . Aguardo vocês e até breve!

Texto 01 – A pregação Sagrada

Texto 02 – pré-requisitos da Pregação

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divulgação 01
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toda semana editamos artigos novos com os mais diversos assuntos que emanam da fonte primária ‘A LITURGIA’. aguardamos os seus comentários!

“liturgia fonte e cume da vida cristã”

 

Vestes Litúrgicas

  1. 1- História das vestes litúrgicas

1.1. Origem: as vestes civis do império romano. Até sec. V, os ministros celebravam com roupa civil, embora fosse domingueira (isto é importante teologicamente: não vem das vestes sacerdotais dos judeus usadas do templo).Quando a moda mudou com os bárbaros, a Igreja ficou com as mesmas; as tradicionais se tornam normativas ; houve muitas modificações, a seguir . A diferenciação se dá sobretudo entre os sec. IV e IX.

1.2- As vestes atuais vem de duas vestes romanas:                                                                                                        a) uma veste interior:  seja longa:   veste talar (talon) usada dentro de casa ou mesmo fora: vai dar na – veste talar; alva; batina.                                                             seja curta: até os joelhos com ou sem manga – vai dar na – dalmática e sobrepeliz (suprapelicia, roquete)

Veste liturgica

 

 

 

b) uma veste superior: manto vai dar na – casula e  capa

1.3- Vestes dos ministros inferiores: também tem tradição aí

a) AT: cantores: 2 Cr 20,21 – Séc. XIII cantores com capa pluvial com capuz    (cf. os corais de hoje.)

b) leitores alva – sobrepeliz

1.4- Brigas por causa de roupa: Altos e baixos na história:

– reforma protestante: os crentes, as seitas etc.

– Vaticano II : simplificação

1.5- Por quê as vestes mudam na história – Por causa de:

a) concepções doutrinais                                                                                (estatuto e função)

b) modificações rituais:                                                                                 (elevação do pão e do cálice)

c) moda: (os gostos mudam)

2 –As vestes dos ministros depois de Vaticano II :

Princípios e Normas (IGMR nº 297, 310; Cerimonial dos Bispos nº 56-67)

2.1 Princípios: duas razões principais

2.1.1. sinal da função exercida; a veste diversa distingue as funções diversas

2.1.2. arte: contribuir para a beleza da ação sagrada

2.2 A veste comum de todos;  a alva;

específica: padre: casula e estola; diácono: dalmática e estola a tiracolo; alva túnica demais ministros ( leitores) etc.: “os acólitos, leitores e demais ministros, em lugar da alva, podem usar outras vestimentas aprovadas”(CB 65)

“Os ministros inferiores ao diácono podem trajar alva ou outra veste legitimamente aprovada em cada região”(IGMR 301)

– só podem tomar lugar no presbitério “com vestes”

3. As Orientações da CNBB a respeito ( para celebrações da Palavra) CNBB, Doc. 52 série azul, nº 49

A diversidade de ministérios na celebração é significada exteriormente pela diversidade das vestes, que são sinais distintivos da função própria de cada ministro. Na celebração da Palavra podem-se adotar vestes litúrgicas confeccionadas segundo a sensibilidade e o estilo próprio das culturas locais. Por sua vez, a diversidade de cores tem por finalidade exprimir de modo mais eficaz, o caráter dos mistérios da fé que se celebram e o sentido da dinâmica da vida cristã ao longo do ano litúrgico.”

4. A experiência da Mustardinha: tradição romana e inculturação

A verdadeira tradição romana valoriza a dimensão ritual simbólica: a acentuação gestual, do ritual, que faz apelo a todos os sentidos: ouvir (Palavra, música, instrumentos) o ver (cores diversificadas, muitos ministros para muitas funções) o sentir (incenso) o agir: procissões diversas: entrada / Evangelho Ofertas Comunhão.

Na perspectiva da inculturação, valorizar a tradição romana inculturada levando em conta valores de origem africana. É preciso valorizar todas as culturas. Procuramos valorizar a cultura africana na estética : desenhos das grades, vestes e dança ( que integra as diversas culturas).

4.1. Padre: Túnica alva para o Padre de origem zairense segundo as cores litúrgicas.. Motivo: a alva-túnica do Brasil vinha sem as cores litúrgicas.

4.2. Ministros leigos: procuramos uma veste específica para leigos e leigas, e diferenciada segundo as funções de serviços: ministro da comunhão, animador (a), leitor -a, e demais (participantes da dança litúrgica, das ofertas) segundo a tradição romana ritual que valoriza os sinais e conforme as funções. Corresponde a dados de hoje como: Valorização do corpo, a volta ao sagrado e ao religioso.

Chegamos a um modelo que se insere na tradição das vestes romanas, (sobrepeliz amplo) as influencias nordeste as ( cf. batas do Ceará e da Bahia), Por questões econômicas: procuramos uma veste: igual para homem e mulher; e de tamanho único. É melhor quando a mulher usa saia bastante comprida em vez de calça; usa colares por cima da veste; Para o homem, manga curta ou comprida, gola da camisa por cima da veste. O lugar e as vestes dos ministros (extraído da ficha sobre os ministérios litúrgicos).

No presbitério tomam lugar os ministros ordenados, os ministros instituídos e os ministros leigos que servem ao altar ou aos ministros ordenados. Para estes são previstas vestes diferenciadas conforme a função exercida (IGMR2000 335). “A alva é a veste comum a todos os ministros ordenados e instituídos de qualquer grau”(IGMR2000 336). Para o sacerdote celebrante a veste própria é a casula sobre a alva e a estola ou a alva-casula; para o diácono a dalmática em celebrações mais solenes. Os acólitos, os leitores e os outros ministros leigos podem trajar alva ou outra veste legitimamente aprovada pela Conferência dos Bispos em cada região”(ibid. 339). No Brasil, há algum tempo, sentiu-se o desejo de que os ministros leitores, ministros da comunhão e outros ministros que servem ao altar e tomam lugar no santuário usassem uma veste adequada. Torna-se cada vez mais freqüente o uso de batas brancas com faixas coloridas ou inteiramente coloridas usadas por homens e mulheres ou mesmo crianças ao lado de alvas ou das tradicionais vestes dos “coroinhas”.

Os demais ministros que servem ao povo tomam lugar de acordo com a finalidade do seu ministério e não precisam usar vestes especiais. No entanto, é normal o uso de vestes adequadas específicas para o ministério da dança ou expressão corporal.

Documento 43

A pedido de Dom Clemente Isnard, então responsável pelo setor de Liturgia da CNBB, redator das Orientações pastorais sobre a celebração Eucarística, 2ª parte do Documento 43 série azul da CNBB Animação da vida litúrgica no Brasil (1989)

Conversas sobre o Ofício divino das Comunidades – V

Em continuidades a série de conversas sobre o Ofício Divino das Comunidades, desta vez destacamos a experiência na comunidade de Taizé.

A contribuição da Comunidade de Taizé

Nossa conversa sobre o Oficio Divino das Comunidades vai agora focar a atenção sobre a experiência de Taizé. Essa comunidade ecumênica tem participação fundamental na sua elaboração. As primeiras experiências de um oficio popular, realizadas no Brasil pelo Pe. Geraldo Leite, teve nela sua inspiração. Pe. Geraldo passou nove meses convivendo com a simplicidade e a beleza dos ofícios na comunidade de Taizé, (França), e foi esta experiência que o animou a começar, no Brasil, precisamente em Ponte dos Carvalhos, um Oficio Divino com o povo.

ODC
Ofício Divino das Comunidades

O Irmão Michel da Comunidade de Taizé, que viveu no Brasil e fundou uma comunidade, em Alagoinhas (BA), com sua longa trajetória de celebrar o oficio com o povo, participou do processo de elaboração do Oficio Divino das Comunidades, dando sua colaboração bem precisa e muito valiosa. Ambos já fizeram sua páscoa e participam do incessante louvor na casa do Pai, mas suas contribuições continuam vivas no Ofício Divino das Comunidades e, são transmitidas agora pelo irmão Bruno, da mesma comunidade de Alagoinhas. De modo muito sincero, ele diz: “não falo muito “. Mas suas respostas curtas dão o que pensar… Ousamos, comentá-las, para aprofundarmos a contribuição que ele oferece neste bate-papo. Em nossos comentários não queremos repetir simplesmente o que ele diz em suas breves respostas, mas refletir com ele alguns aspectos importantes sobre a prática do Oficio Divino das Comunidades.

(Para fins de distinção, transcrevemos as respostas de Frei Bruno, seguida pelo comentário, em itálico).

RL: Qual a contribuição da liturgia de Taizé na elaboração do Oficio Divino das Comunidades (ODC)?

Irmão Bruno: Como toda liturgia, o Oficio Divino é um corpo vivo. Veicula verdades perenes e circunstanciais. Necessita adaptar gênero literário e vocabulário para que as mentalidades do tempo presente possam se situar como realidade viva, corpo orante. Ir. Michel passou esta intuição.

— A intuição do Irmão Michel, segundo as palavras de Irmão Bruno, não se refere a um livro apenas, e ao que ele contém. Está falando da celebração, dos cantos, dos gestos, dos símbolos como o incenso, a música e o espaço com todos os elementos. Está falando das pessoas: as histórias que elas carregam, as situações que vivem, os sonhos que nutrem. O Oficio Divino das Comunidades como corpo vivo tem a ver com a Igreja, que é Corpo orante de Cristo ressuscitado, o vivente, que continua o seu louvor nas expressões particulares do Brasil com sua diversidade regional e traz para a celebração as suas feições mais próprias. Por sua qualidade de corpo, está ligado ao restante dos membros (ao nosso país com toda sua riqueza humana e à Igreja universal que abraça tudo o que traduz a fé).

RL: Os refrãos meditativos no Oficio Divino das Comunidades são amplamente utilizados. Como você avalia esta utilização?

Irmão Bruno: O Oficio Divino das Comunidades existe em várias versões: a edição básica e edições menores também para jovens, adolescentes e crianças, nas quais os mantras são muito valorizados… Estes refrãos meditativos cantados são da ordem da oração do coração. A contribuição de Taizé virou patrimônio de toda a Igreja. Taizé escolheu letras da Bíblia ou dos santos. Taizé não tem primazia, porém tem grande aceitação.

— “A ordem do coração” sobressai no texto do Irmão Bruno… Os mantras talvez exprimam esse segredo da comunidade de Taizé: pequenos textos cantados repetidamente, sem o muito falar das nossas celebrações. A circularidade do canto, a cadência, a palavra ressoada e o clima orante que se estabelece, conduz o corpo-Igreja para o coração do Mistério e para o íntimo das pessoas, fazendo todos e cada um experimentar a verdade da fé, na comunhão dos irmãos e irmãs e na própria experiência de Deus. Taizé aponta a direção do coração, lá onde os segredos se escondem e o mistério faz livre e gratuita morada. A ordem do coração supera as lógicas do raciocínio, da presunção, da oração orgulhosa que não agrada a Deus. A ordem do coração permanece na soleira do templo, onde o humilde se esvazia de si mesmo diante do mistério (Lc 18,9-14). A lógica do coração admite a ritualidade dos humildes, as palavras dos santos, pequenos trechos da Bíblia, em busca da “serena alegria”… É patrimônio da Igreja! Taizé deu ao Oficio Divino das Comunidades o que tinha de melhor: mais que os mantras e os seus cantos, deu o espírito de gratuidade na oração.

RL: Quais as semelhanças e diferenças entre os ofícios de Taizé e as celebrações do Oficio Divino das Comunidades?

Irmão Bruno: Pela sua natureza ecumênica, ladainhas e introduções, os dois ofícios são reflexo de catolicidade. Embora a estrutura seja, grosso modo, a mesma, Taizé não .coloca a memória do dia, porque salienta mais o lado da contemplação. Taizé privilegia o silêncio após a Palavra.

— Irmão Bruno indica outra maneira de entender a catolicidade: universalidade, O que é universal é de todos e não é propriedade de ninguém. No Oficio Divino das Comunidades, assim como nos ofícios de Taizé, o componente ecumênico da oração abraça o que é universal e o que escapa dos rótulos e partidarismos. As ladainhas e introduções (aberturas), por sua repetição e popularidade são acessíveis e encantam muito! O silêncio após a Palavra tem a primazia: espaço para deixar falar Aquele que é inominável. A memória do dia cede lugar à contemplação, com ênfase na oração pessoal dentro da oração comunitária. Não nega a importância da recordação da vida, tão valorizada no Oficio Divino das Comunidades, mas talvez mostra um lado desconhecido e temido pela nossa mentalidade religiosa ocidental. Em tempos de pós-modernidade, que tanto valoriza o sentir e o experimentar, é preciso redescobrir o caminho certo da experiência subjetiva como oportunidade de conduzir ao mistério de Cristo, enquanto experiência objetiva da fé.

RL: Qual a contribuição do ODC para a Igreja do Brasil

Irmão Bruno: Após o Concílio Vaticano II e a redescoberta da participação ativa do povo de Deus na liturgia, vejo o Oficio Divino das Comunidades como a resposta mais ajustada, principalmente pelos salmos e músicas (mérito de Jocy Rodrigues, Geraldo Leite, Reginaldo Veloso e outros).

— A participação dos fiéis, fruto do Movimento litúrgico que se afirma no Concílio, rompeu com séculos de separação e distanciamento entre o povo e a liturgia da Igreja. Embora estejamos longe de mensurar o seu alcance, poder participar das ações litúrgicas, ativamente e com conhecimento de causa, representa grande avanço. No Oficio Divino das Comunidades todos(as) cantam, todos(as) se elevam a Deus, todos(as) têm acesso à liturgia, o que faz dele uma resposta mais ajustada ao nosso mundo plural e com tanta diversidade…

RL: Quais elementos ecumênicos você destaca no ODC?

Irmão Bruno: O Oficio Divino das Comunidades não cuidou apenas dos aspectos ecumênicos, mas incorporou elementos que se referem ao macro-ecumenismo, como por exemplo, preces de outras tradições e religiões.

— De fato, no Oficio Divino das Comunidades os elementos ecumênicos se fazem presentes: a oração do Senhor em versão ecumênica, o sentido cristológico, trinitário e bíblico da oração, a inclusão de hinos de outras tradições cristãs e denominações, o cuidado e a opção pela linguagem inclusiva e popular. O irmão Bruno volta a atenção para o aspecto macro-ecumênico, também chamado hoje de “inter-religioso”. O Oficio Divino das Comunidades incorpora elementos religiosos de outras tradições; basta tomarmos como exemplo os ofícios para circunstâncias especiais, quando, diante de situações de fronteira e de limite, falam menos as diferenças e mais a busca pela vida, pela paz e pela sobrevivência. Tudo isso depõe a favor do Oficio Divino das Comunidades como oração de todos(as) e aberta a todos(as).

RL: A tradição monástica contribuiu para a liturgia do Oficio Divino das Comunidades? Como?

Irmão Bruno: As comunidades monásticas foram guardiãs desta tradição da Igreja ao longo dos séculos e mantiveram a forma mais primitiva da oração comunitária. O Oficio Divino das Comunidades não propõe ao povo todos os ofícios dos monges, mas as duas horas principais, como acontecia nas comunidades eclesiais dos primeiros séculos.

— O Irmão Bruno nos remete aos primórdios dos ofícios da Igreja: os ofícios monásticos e os ofícios de catedral. Os primeiros, com suas diversas horas, organizados para as comunidades de homens e mulheres com a vida dedicada e consagrada à oração. A segunda forma, os ofícios de catedral ou de paróquia, eram especialmente marcada pela oração da manhã e da tarde, com a presença de todo o povo de Deus: famílias, jovens e crianças, também os monges e monjas, presbíteros e bispo… Infelizmente, o segundo modelo praticamente se perdeu na Igreja ocidental, mas está renascendo com iniciativas como as de Taizé, desde o movimento litúrgico, e a Liturgia das Horas do Concílio Vaticano II, que em nossas comunidades chega na forma do Oficio Divino das Comunidades, onde o povo toma parte na oração em momentos especiais do dia, do ano litúrgico e de circunstâncias especiais.

 

 Fonte: Revista de Liturgia – 220 – Ano 37/2010

Vivência sobre os livros litúrgicos

Formação realizada em 09 de abril de 2016

VIVÊNCIAS – Um dos caminhos metodológicos utilizado no aprendizado litúrgico que confronta teoria e prática.Acompanhando a 2 anos este grupo composto por 36 pessoas estamos realizando uma série de vivências

Vivencia sobre os livros litúrgicos
Vivencia sobre os livros litúrgicos

com o propósito de aprofundamento dos conhecimentos teóricos adquiridos no curso de liturgia ministrado no IESMA .

Vivencia sobre os livros litúrgicos
Vivencia sobre os livros litúrgicos

 

Formação litúrgica sobre os livros liturgicos
Formação litúrgica sobre os livros litúrgicos

Conversa sobre o Ofício Divino das Comunidades – IV

Nossa entrevistada desta vez é Ione Buyst já bem conhecida de nossos/ as leitores/as. Tendo participado do processo de elaboração do Oficio das Comunidades deste os inícios, e tendo contribuído com a reflexão teológica a partir de sua prática, Ione enfatiza o Oficio Divino enquanto ação litúrgica, com sua dimensão simbólico-sacramental, como fonte de vida espiritual.

RL: O Oficio Divino das Comunidades (ODC) é uma rica experiência da Liturgia das Horas no Brasil. Esta experiência certamente é uma contribuição ímpar para a reforma da Liturgia. Quais aspectos você aponta como ganhos nesta caminhada?

Oficio Divino das comunidades
Oficio Divino das comunidades

Ione: O Concílio Vaticano II fez a chamada revolução copernicana da liturgia, em termos de eclesiologia, reafirmando claramente que as ações litúrgicas são ações da Igreja, povo santo e sacerdotal. Toda, a reforma conciliar tem este objetivo: possibilitar e facilitar a participação deste povo na liturgia. Finalmente, toda a liturgia, também a liturgia das horas, seria devolvida ao povo de Deus, para que através dela pudesse mergulhar no mistério de Cristo, viver na comunhão do Pai e do Filho e do Espírito Santo, como fermento, como sacramento de união de toda a humanidade. Então, o primeiro ganho que o Oficio Divino das Comunidades oferece à reforma da liturgia é de contribuir com uma liturgia das horas inculturada, mais próxima e ao alcance do povo brasileiro; desta forma possibilita que se realize a proposta do Vaticano II de restaurar a liturgia das horas como oração do povo de Deus, e não apenas do clero e de membros de congregações religiosas.

RL: Muitas pessoas alegam que o povo se alimenta das devoções e, por isso, não teria necessidade do ofício divino. O que pensar sobre isso?

Ione: De fato, a vida de oração do povo brasileiro continua sendo forjada e alimentada por inúmeras devoções mais do que pela palavra de Deus e pelas celebrações litúrgicas: novenas, vias-sacras, terço, procissões, romarias, cumprimento de promessas, adoração do Santíssimo, orações aos santos e santas…, porque foi isso que, desde a evangelização do continente, foi proposto e divulgado. A maioria dos católicos nunca ouviu falar de liturgia das horas, ou de ofício divino, como até algumas décadas atrás também não tinha acesso à Bíblia. No entanto, o povo de Deus tem direito a conhecer o oficio divino, como herança deixada por Jesus e pelas primeiras comunidades cristãs. Tem direito de se alimentar deste oficio que é pura palavra de Deus escutada e meditada.

Mas é preciso garantir que o ofício divino não venha a ser engolido ou absorvido na tendência devocional de se usar as práticas religiosas para obter de Deus bênçãos, curas e outros benefícios. Até mesmo a celebração eucarística corre este risco de ser vivida como devoção mais do que como sacramento. Daí a necessidade de uma boa formação bíblica, teológico-litúrgica e espiritual juntamente com a introdução pedagógica da prática do ofício, para que leve a uma participação consciente no mistério celebrado.

RL: É possível falar de sacramentalidade do ODC? Em que sentido?

Ione: Sem dúvida. Como liturgia das horas inculturada, o Ofício Divino das Comunidades é ação memorial, celebração da aliança de Deus com o seu povo, no ritmo antropológico de alternância entre o dia e a noite, que marca profundamente nossa existência. O sol que morre e ressuscita a cada dia torna-se no ofício divino símbolo de Cristo morto e ressuscitado, Sol da justiça, Sol que não tem ocaso, Luz do mundo, que orienta e ilumina diariamente nossa vida pessoal e social com seus altos e baixos, com seus êxitos e fracassos, com suas esperanças e desilusões, na saúde e na doença, nos momentos de alegria e de tristeza. O ofício acompanha também o ano litúrgico com a celebração de todos os mistérios do Senhor. Fazendo memória de Cristo, de sua morte e ressurreição, somos atingidos pela força transformadora de sua páscoa. Somos levados a fazer de nossa vida uma experiência pascal, a trazer sempre em nosso corpo a morte de Jesus para que também sua vida se manifeste em nossa carne mortal (SC 12, referindo-se a 2Cor 4,10-11), na expectativa do Dia sem fim, do Reino de Deus realizado em plenitude. E é bom lembrar que aí está a fonte da espiritualidade cristã: na participação no mistério de Cristo, a partir da participação na liturgia, a partir da experiência ritual.

RL: Poderíamos dizer que a espiritualidade tem forte relação também com a ritualidade?

Ione: Como toda a liturgia, o ofício divino é uma ação ritual e deve ser vivido como tal; não pode ficar reduzido a uma recitação rotineira e enfadonha de textos. A regra básica da Sacrosanctum Concilium vale também para a celebração do ofício divino: é preciso participar ativa, consciente, plena e frutuosamente. Costumamos falar de celebrar na inteireza do ser realizo as ações rituais com a plena atenção de meu corpo, de minha mente, de minha afetividade…, numa relação de comunhão com Deus, deixando que o Espírito atue em mim. E preciso aprender este jeito de celebrar que conjuga ritualidade e espiritualidade, oração pessoal e comunitária, tradição bíblico-litúrgica e piedade popular, num clima afetivo de comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs…, tão distante do formalismo e da sisudez de muitas liturgias realizadas com pressa, sem sabor e  aparentemente sem amor.

A Constituição do Concílio Vaticano II sobre a liturgia propôs a troca da recitação do breviário pela celebração da liturgia das horas. Porém, fora as comunidades monásticas e algumas congregações religiosas, seminários e casas de formação, a maioria dos usuários da liturgia das horas continuam o estilo do breviário: fazem simplesmente uma leitura de textos, e não uma celebração litúrgica. O Oficio Divino das Comunidades abre um caminho para superar esta grave limitação.

RL: Os elementos da Liturgia das Horas têm os salmos e cânticos como centro gravitacional. No Oficio Divino das Comunidades, como esses elementos são considerados?

Ione: O Oficio Divino das Comunidades oferece 110 salmos e 52 cânticos bíblicos do antigo e do novo testamento em linguagem poética e musical popular. São colocados no início do livro, deixando a cada comunidade ou grupo a liberdade de escolha, de acordo com o tempo disponível e o conhecimento da melodia; o livro oferece ao mesmo tempo indicações de salmos adequados a cada oficio e ainda uma tabela dos salmos seguindo a divisão do saltério em quatro semanas, conforme a Liturgia das Horas. Cada salmo e cântico vem introduzido por uma frase do Novo Testamento que ajuda a ligar o salmo com a experiência de Jesus e um pequeno texto que procura atualizar o salmo ou cântico (Cf. Introdução do livro, p. 12). Alguns salmos e cânticos trazem antífonas ou refrãos. O canto costuma ser acompanhado por instrumentos musicais: violão, pandeiro, tambor, atabaque, flauta, violino, teclado… de acordo com a possibilidade de cada grupo. Introduzimos o hábito de deixar um silêncio após cada salmo ou cântico para meditação pessoal ou para revolver no coração um ou outro verso que tocou mais; no final, várias pessoas dizem esta frase em voz alta, criando assim uma partilha espiritual. Um ou outro grupo aprendeu a fazer oração sálmica, mas o livro não oferece textos para isso. Nos encontros de formação, muitos grupos introduzem lectio divina (leitura orante) com um ou outro salmo ou cântico, para que se tornem mais conhecidos e possam ser saboreados e cantados com mais proveito espiritual.

Merece um destaque o salmo invitatorial inserido na abertura do oficio, que é feita em forma de repetição, facilitando a participação de todos e todas, sem ter necessidade de acompanhar no livro, o que deixa também a mente mais livre para a meditação. O cântico de Zacarias e o cântico de Maria vem muitas vezes acompanhados de leves movimentos de dança, reforçando seu teor festivo.

RL: Gostaria de lembrar outros elementos rituais importantes no Ofício Divino das Comunidades?

Ione: Os ofícios começam com um refrão meditativo (dos cantos de Taizé, ou outros do mesmo estilo), repetido várias vezes, e desembocando em silêncio, facilitando assim a concentração espiritual dos participantes.

Um outro elemento ritual novo, que vem logo depois da abertura, é a recordação da vida. Quem quiser poderá lembrar algum fato importante acontecido na cidade, na região, no mundo… Desta forma nossa oração fica conectada com a realidade, enquanto procuramos discernir nela os sinais dos tempos, sinais do Reino, sinais de morte e ressurreição, sinais do mistério pascal de Jesus Cristo acontecendo na história atual, nos fatos, nos acontecimentos pessoais e sociais. Esta relação da liturgia com a realidade expressa a dimensão profética da liturgia; une luta e louvor; culto e misericórdia; anuncia o mundo que há- de-vir; denuncia e exorciza o espírito do mundo. Expressa a Aliança com o Deus que faz opção pelos pobres e excluídos. E bem de acordo com a prática eclesial latino-americana; vem expressa nos documentos do magistério latino-americano (Medeilín, Puebla, Santo Domingo, Aparecida) e a encontramos resumida numa frase lapidar no documento 43 da CNBB: ‘Páscoa de Cristo na páscoa da gente, páscoa da gente na páscoa de Cristo’. (item 300). Os fatos citados no início do oficio nos acompanham como pano de fundo durante o canto do hino, dos salmos e cânticos bíblicos, durante a leitura bíblica… e podem ser retomados nas preces, como participação na intercessão de Cristo que acompanha com atenção a vida de todas as pessoas, de todos os povos, principalmente dos mais pobres. No oficio da tarde ou da noite, é proposta uma revisão de vida do dia que passou…: onde vimos a salvação acontecer? Onde impedimos a passagem de Deus no meio do povo?…

RL: Existem muitas publicações que acompanham o Oficio Divino. Nestas publicações, alguns elementos novos aparecem e outros são revistos, o que nos leva a pensar que o ODC está em processo evolutivo, ou de amadurecimento de sua proposta. Existem elementos a serem revistos?

 Ione: O Oficio Divino das Comunidades não é uma proposta fechada. Na medida em que se espalha pelo Brasil afora, vai dialogando com a riqueza das muitas tradições e grupos culturais do norte e do sul, do leste e do oeste, dos indígenas e afrodescendentes, de comunidades religiosas, de moradores de rua e de ribeirinhos, de jovens, adolescentes e crianças, grupos de catequese… Assim vão surgindo símbolos, gestos, vestes, novas melodias para as aberturas, para os hinos, salmos e cânticos… Costuma-se adaptar o tamanho do oficio às possibilidades e sensibilidades de cada grupo: mais curto ou mais ampliado. Há ainda a adaptação do oficio para determinadas ocasiões ou circunstâncias especiais, algumas já previstas no livro, outras surgindo de necessidades locais: encontros pastorais, romarias, colheitas, mutirões, bênção de uma casa, ocupações, encerramento da festa do padroeiro ou padroeira, celebração com enfermos… Certos grupos, na medida em que vão amadurecendo, procuram inserir outros elementos da liturgia das horas que não foram inicialmente previstos no Oficio Divino das Comunidades: mais antífonas e responsos, oração sálmica, leituras hagiográficas e patrísticas.

Fonte: Revista de Liturgia – Ano 37 – 219

Funções e Ministérios

Esclarecimentos sobre as funções e ministérios exercidos na celebração eucarística.

FUNÇÕES E MINISTÉRIOS LITÚRGICOS NA MISSA

Pe. Jacques Trudel, S.J.

“Na assembléia reunida para a Missa, cada um tem o direito e o dever de contribuir com sua participação, de modo diferente segundo a diversidade de função e de oficio. Por isso todos, ministros ou fiéis, no desempenho de sua função, façam tudo e só aquilo que lhes compete, de tal sorte que, pela própria organização da celebração, a Igreja apareça tal como é constituída em suas diversas funções e ministérios.”(IGMR 58)

O QUE É?

Para conseguir uma boa celebração litúrgica bem participada e frutuosa, são necessárias muitas pessoas com funções litúrgicas específicas a serviço da assembléia. Vaticano II reconheceu o valor de ministério litúrgico a esses diversos serviços e pediu que se respeitassem as funções de cada um. Assim ao padre pertence presidir, mas não proclamar as leituras, função própria do leitor, nem o evangelho se houver diácono etc.:

  1. “Também os ajudantes, leitores, comentadores e componentes da “Schola Cantorum” desempenham um verdadeiro ministério litúrgico.” (SC 29)
  1. “Nas celebrações litúrgicas, cada qual, ministro ou fiel, ao desempenhar a sua função, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete (SC 28)

A Instrução Geral do Missal Romano – IGMR divide o Capítulo III, Funções e Ministérios na Missa, em três secções (58-73).

  1. Funções e ministérios de ordem sacra do Bispo, presbítero ou diácono. Pelo seu ministério próprio à frente do povo de Deus, “o Bispo ou o presbítero tem a função presidencial na Eucaristia.” (N92) e “o diácono ocupa o primeiro lugar entre aqueles que servem na celebração eucarística” (N94).
  1. Função e papel do povo de Deus: “cada um tem o direito e o dever de contribuir com sua participação”(58).

III. Ministérios particulares, com duas categorias principais de ministérios

  1. MINISTÉRIOS A SERVIÇO DO ALTAR E DA PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA – os ministros tomam lugar no presbitério.

O ministério de leitor e acólito instituídos (N 98-99)Na reforma das “ordens menores”, em 1972” , a Igreja latina decidiu manter os ministérios de leitor e acólito instituídos(IGMR 65-66) como ministérios inferiores aos da ordem sacra, obrigatórios para todo candidato à ordenação, como preparação para os futuros ministérios da Palavra e do Altar. Esses ministérios poderiam ser confiados, também, a fiéis leigos homens como ministério, em si, permanente.

  • O leitor é instituído para o ministério da leitura da Palavra de Deus na liturgia (exceto o Evangelho) Pode propor as intenções para a oração universal e, faltando o salmista, proferir o salmo entre as leituras (98). É encarregado de preparar outros leitores leigos temporários e instruir na fé crianças e adultos para receberem dignamente os sacramentos.
  • O acólito (ajudante) é instituído “para o serviço do altar e auxiliar o sacerdote e o diácono”(65). Prepara o altar e os vasos, é ministro extraordinário para a comunhão e encarregado de preparar outros ajudantes leigos temporários que exercem algum ministério, como os que levam o livro, a cruz, as velas, o turíbulo para incenso ou outras funções semelhantes.

Para nós, que não temos ministros leigos instituídos, a instituição recorda a seriedade das funções e a importância de alguém capacitado que cuide da formação e treinamento dos leitores e ajudantes, acólitos coroinhas leigos.

As demais funções de ministros leigos

  • Leitores: “Na falta de leitor instituído, sejam delegados outros leigos, realmente capazes de exercerem esta função e cuidadosamente preparados, para proferir as leituras da sagrada Escritura, para que os fiéis, ao ouvirem as leituras divinas, concebam no coração um suave e vivo afeto pela sagrada Escritura.” (N 101) As leituras são distribuídas entre diversos leitores.
  • Salmista: Ao Salmista, no ambão, pertence a salmodia do salmo após a primeira leitura: “deve saber salmodiar e ter boa pronúncia e dicção” (67); na sua falta, um leitor assume o salmo.
  • Acólitos ou ajudantes diversos: “Não havendo acólito instituído, podem ser destinados ministros leigos para o serviço do altar e ajudar ao sacerdote e ao diácono, que levem a cruz, as velas, o turíbulo, o pão, o vinho e a água, ou também sejam delegados como ministros extraordinários para a distribuição da sagrada Comunhão.” (68 / N 100). Notar as numerosas funções de tantos outros ministros leigos adultos, jovens ou crianças. . Ministros extraordinários da comunhão: função própria do sacerdote e diácono, com um número de comungantes muito grande, o sacerdote pode delegar fiéis leigos para ministrar a comunhão: 1º acólitos instituídos, 2º outros fiéis delegados habitualmente 3º em caso de necessidade, delegar fiéis idôneos só para o caso particular (N162).
  • Ministro competente – Cerimoniário – mestre de cerimônia, eventualmente « afim de que as ações sagradas sejam devidamente organizadas exercidas com decoro, ordem e piedade pelos ministros (69) e os fiéis leigos»(N 106).
  1. MINISTÉRIOS LEIGOS A SERVIÇO DA PARTICIPAÇÃO DO POVO DE DEUS.

O Missal menciona(68 e N 105):

  • O comentarista (68 a) desempenha a sua função em pé em lugar adequado voltado para os fiéis (pode até ser no presbitério), “não, porém, no ambão” (N105b) reservado para a proclamação da Palavra, intervenções breves cuidadosamente preparadas, sóbrias e claras.
  • Ministério da música: cantores, regente do canto do povo, os diversos músicos (63/N103).
  • A equipe de acolhida: acolhe os fiéis quando chegam; acompanha aos seus lugares (68b).
  • Os que fazem as coletas (68 c)
  • O sacristão “dispõe com cuidado os livros litúrgicos, os paramentos e outras coisas necessárias na celebração da Missa” (N105a).
  • A equipe de liturgia: “A preparação prática de cada celebração litúrgica, seja feita de comum acordo por todos aqueles a quem diz respeito, seja quanto aos ritos, seja quanto ao aspecto pastoral e musical, sob a direção do reitor da igreja e ouvidos também os fiéis naquilo que diretamente lhes concerne. Contudo, ao sacerdote que preside a celebração, fica sempre o direito de dispor sobre aqueles elementos que lhe competem (73;N 111).

É possível confiar algumas dessas funções litúrgicas “ a leigos idôneos com uma bênção litúrgica ou uma designação temporária” (N 107), como se faz, entre nós, para ministros extraordinários da eucaristia que recebem um mandato temporário.

  1. OUTRAS FUNÇÕES LITÚRGICAS NÃO MENCIONADAS NA IGMR
  • Os componentes da dança litúrgica embora devidamente autorizada, talvez porque depende dos usos culturais regionais.
  • O Coordenador da celebração; cuida do conjunto da liturgia para que se realize como prevista na preparação orienta os ministros, as procissões, prepara os objetos necessário, etc. Atua nos bastidores como espécie de contra-regra.
  • Participação dos fiéis: na procissão das ofertas: “Convém que a participação dos féis se manifeste através da oferta do pão e vinho para a celebração da Eucaristia, ou de outras dádivas para prover às necessidades da igreja e dos pobres”(N140).

“Os fiéis não se recusem a servir com alegria ao povo de Deus, sempre que solicitados para algum ministério particular ou função na celebração.” (62)

COMO FAZER?

Conhecer o seu ministério. No teatro, os atores procuram conhecer e ensaiar a fundo o seu papel. Do mesmo modo, cada ministro deveria conhecer profundamente o seu papel, a sua função. Estudar o que diz o Missal a respeito nas rubricas, conhecer o sentido do seu serviço no conjunto da liturgia, treinar através de laboratórios litúrgicos ou de outro modo para melhorar o desempenho. Evitar chamar a atenção sobre si, mas, através dos sinais visíveis dos ministérios, levar os fiéis, pela sua atuação, a encontrarem-se com o mistério de Deus em Cristo.

As vestes dos ministros leigos que tomam assento no presbitério. “Os acólitos, os leitores e os outros ministros leigos podem trajar alva ou outra veste legitimamente aprovada pela Conferência dos Bispos em cada região”(N 339). No Brasil, aos poucos, animadores/comentaristas, leitores, ministros da comunhão e outros ministros que servem ao altar começam a usar uma veste própria, branca ou colorida, inculturada, usada por homens e mulheres ou mesmo crianças, ao lado das alvas ou das tradicionais vestes dos “coroinhas”.É, também, normal que os componentes da dança litúrgica ou expressão corporal usem também uma veste diferenciada. Os demais ministérios fora do presbitério não costumam usar veste própria.

Algumas orientações

– Procurar que os que desenvolvem um ministério relacionado com a Palavra e o altar, tomem assento no santuário.

– Evitar que os ministros extraordinários da comunhão apareçam só na hora da comunhão. Tenham veste própria de bom gosto, tomem lugar no presbitério e ajudem na celebração, recebendo, por exemplo, os dons dos fiéis na hora das ofertas para apresentar ao que preside.

– Evitar que um só leitor ou leitora faça a 1ª e a 2ª leitura ou então leia o salmo. De preferência, procurar quem possa salmodiar o salmo do ambão.

–        Procurar constituir uma equipe que acolha as pessoas fora da igreja. Para facilitar o contato, pode distribuir as folhas de canto ou outro material. Acolher, de maneira especial, os visitantes novos na comunidade, inclusive indicando um bom lugar; colocar-se à disposição para dar a conhecer a comunidade (ter um material sobre os horários e serviços na comunidade) etc. Os ministros da comunhão podem eventualmente fazer parte dessa equipe de acolhida.

Perguntas

“Convém, na medida do possível, que a celebração, sobretudo nos domingos e festas de preceito, se realize com canto e conveniente número de ministros” (N115) Como está a situação dos ministérios litúrgicos na sua comunidade? Há um número conveniente? Há outros ministérios não mencionados aqui? E nas celebrações da Palavra?

  1. Como vocês desenvolvem o ministério da acolhida? Quem participa? Como ? Com que resultados?
  1. Que ministros sentem no presbitério? Usam todos vestes ou não? Que critérios vocês usam para isso?
  1. Quem ajuda no altar? Adultos ? Jovens?
  1. Existe um ministério de “coroinhas”? Qual a formação e a organização? Que critérios vocês têm para reservar só para meninos ou, também, aceitar meninas?