Conversas sobre o Ofício Divino das Comunidades – III

Na série «Conversas sobre o ODC”, entrevistamos para este número, a agente de pastoral mineira, Sônia Rios, coordenadora da Comunidade do Divino Espírito Santo, membro da equipe de liturgia e participa da Rede Celebra, em Belo Horizonte. Ela relata a experiência mineira com o ODC.

Uma experiência em Belo Horizonte – MG

Continuando a série «Conversas sobre o ODC”, entrevistamos para este número, a agente de pastoral mineira, Sônia Rios. Ela foi coordenadora da Comunidade do Divino Espírito Santo, membro da equipe de liturgia e participa da Rede Celebra, em Belo Horizonte. Sônia nos relata a primeira experiência do ODC naquela arquidiocese e seu testemunho ressoa o que muitas comunidades que celebram o Oficio experimentam.

Entrevistas
Ofício Divino das Comunidades

RL: Quando foi que a Comunidade do Divino Espírito Santo começou a celebrar o ODC?

Sônia: Nossa Comunidade pertencia à Paróquia São Francisco, mas a distância era longa e tínhamos um obstáculo que era uma movimentada avenida de Belo Horizonte. Ela nos separava do restante da paróquia. O povo sentia muita falta de se reunir para celebrar a fé. De vez em quando, algum padre vinha celebrar conosco, mas ainda assim buscávamos um caminho… O ODC começou a ser celebrado em nossa comunidade no ano de 1992. Com a chegada das irmãzinhas de Jesus, de Foucault, começamos a reunir para a reza do oficio. Ele foi fundamental para assegurarmos nosso jeito próprio de celebrar e de viver a fé. O jeito de celebrar o Ofício influenciava inclusive nossas celebrações da Palavra e da Eucaristia: os cantos, a partilha, as preces, os serviços… Na época celebrávamos nas casas, pois ainda não tínhamos igreja. Tudo era muito familiar e informal. As pessoas pediam que fôssemos rezar em suas casas, tínhamos ensaios semanais para o Oficio e para o Dia do Senhor. Por ocasião de alguma necessidade como enterros, mutirões, bênçãos de casa e nas visitas aos doentes sempre fazíamos o oficio.

RL: Existe algum acontecimento especial que marca esta experiência do ODC em sua comunidade?

Sônia: Uma coisa bonita foi quando fizemos a filmagem do vídeo da Rede Celebra. Naquela ocasião descobrimos que mais gente rezava o oficio. Nos reunimos com o pessoal da paróquia São Francisco das Chagas e dos Sagrados Corações de um outro bairro. Preparamo-nos para os trabalhos de filmagem com ensaios e formação. Muita gente animada e comprometida se empenhou bastante, pois sabiam que era uma forma de ajudar outros a conhecer e a praticar a oração das horas. Uma trazia o forro mais bonito que tinha em casa para enfeitar a mesa. Outra trazia o antigo ferro à brasa para servir de braseiro do incenso. Tinha também quem trazia as flores, o incenso e as velas. Era tudo muito participado. Foi também um momento de parada para escutar o que o ODC significava na vida das pessoas: a reza em família, o encontro com a fé celebrada de forma viva na própria cultura, a força que brota da oração dos salmos nos momentos difíceis. A Palavra de Deus estava sendo cantada nos salmos, do jeito que a Igreja ensina e como a gente entende e gosta. Era a nossa música, os nossos gestos, os nossos símbolos. Essas coisas vieram à tona quando nos reunimos para fazer aquela gravação. O resultado foi aquele vídeo bonito que está espalhado pelo Brasil afora.

RL: Houve também dificuldades no percurso?

Sônia: Muitas! Às vezes, depois que construímos nossa Igreja, o pessoal nem sempre a encontrava aberta para a celebração. Na indecisão de saber para onde ir, por causa das distâncias, do horário e outros inconvenientes, as pessoas se assentavam no passeio e rezavam. Nada impedia a turma de fazer o oficio. Era ao mesmo tempo um prazer e um compromisso. Era uma vez por semana, mas era feito com gosto e com responsabilidade. Às vezes tinha só três pessoas. Mas elas não deixavam de rezar por isso. Outra dificuldade era lidar com pessoas que chegavam e não entendiam a importância de se rezar conforme o ODC nos propunha. Queriam inserir outros cantos, escolher salmos à revelia, inventar gestos. O pessoal resistiu muito a isso. Não por fechamento, mas por entender que o caminho era outro. Sem saber formular, a gente intuía que a questão era rezar com a Igreja, conforme a Tradição ensinou. Obedecer ao esquema do Oficio tinha o sentido de ouvir a voz de Jesus, na voz da comunidade. Por isso, as nossas preferências importavam menos. Eu interpreto assim… Quando faltava o violeiro, Sr. Jonas, o pessoal também ficava meio desanimado. Mas um padre, amigo nosso, disse que não tinha problema, pois ainda tínhamos o principal instrumento: a nossa voz. Tem também dificuldades econômicas. O livro está caro para as pessoas mais pobres. Nos aniversários a gente procura presentear com o Oficio, mas isso resolve pouco. Para ser mais das comunidades, precisaria também ser mais barato.

RL: Você disse que o ODC influenciou as celebrações da Comunidade do Divino? Como você percebe isso?

Sônia: De muitos modos. Primeiro, a gente passou a perceber que nem tudo precisa ser missa. Todos gostam da missa e a gente sabe que não se pode viver sem ela. A questão é que outras formas de celebrar da liturgia ficam obscurecidas e a missa, que deveria ser o ponto alto das nossas ações, inclusive litúrgicas, fica desvalorizada. Um exemplo são os tríduos da festa do Divino (Pentecostes). A gente introduziu em algum dos dias o Oficio. Isso já foi uma mudança significativa. Outra coisa importante que percebo é a valorização da Palavra de Deus. As pessoas escutam mais, aprendem que Deus está falando com a gente, mesmo na celebração da Palavra ou na missa dominical. Eu acho que isto é fruto do Oficio! Tem também os símbolos e os ritos. As pessoas gostam do incenso, dos gestos de se inclinar e levantar as mãos no “Glória ao Pai”, cumprimentar os irmãos e irmãs no convite da abertura. Também a novena da Arquidiocese, já por três anos, traz o esquema completo do Oficio da Novena de Natal. Já não é mais uma coisa estranha para nós, mas uma confirmação de que estamos no caminho certo.

RL: Existe alguma dificuldade entre a oração pessoal e a reza do Oficio?

Sõnia: Nenhuma dificuldade. No ofício a gente começa com oração pessoal, rezando em silêncio, para se preparar para a celebração. Muitos membros da comunidade rezam o oficio em casa, antes de dormir, ou no amanhecer. Dona Odete rezava com suas netas. As crianças adoravam… Ela já faleceu, mas deixou a semente do Oficio no coração da sua família. Tem também o momento das preces. Nelas encontramos preces prontas que expressam o que a gente quer dizer, ou então o pessoal faz as suas próprias preces no espaço dado às intenções particulares. Além disso, é muito bom sermos socorridos com as palavras do salmo quando a gente não sabe o que rezar. Eles ficam impregnados na gente. Sem querer a gente acaba colocando isso para fora quando conversa com Deus. Num curso que fizemos sobre o Oficio, isso foi falado a respeito de Jesus. Ele rezava os salmos como um bom judeu. Por isso, respondia com salmos, na cruz rezou um salmo… Acho que está acontecendo a mesma coisa com a gente. Entramos na escola de oração de Jesus. Dona Odete costumava dizer: “O que mais gosto do oficio é o salmo, pois aí, na mesma hora que a gente fala, Deus responde com as próprias palavras do salmo”.

RL: O ofício tem a ver com o sacerdócio dos cristãos?

Sônia: Lembro-me que a gente canta no final da abertura: “povo de sacerdotes, a Deus louvação”. Fico pensando que se trata do sacerdócio de Jesus do qual a gente participa como fiel e batizado. O que se chama por aí de sacerdócio comum dos fiéis. Não se trata do sacerdócio dos padres, mas de todo o povo. O nosso louvor se torna serviço sacerdotal porque se une à oração de Jesus, o único sacerdote. A gente se volta para o Pai na pessoa de Jesus, em louvor e adoração, nos unindo a ele na ressurreição e no seu sacrifício, que entre nós se faz louvor. O culto da vida não fica sem o amparo do culto da Comunidade. As mães e os pais de família, os jovens e as crianças, vão entendendo que no seu dia-a-dia tem de agradar a Deus como no Oficio rezado na Igreja. E na comunidade reunida, a gente entende que a labuta da semana, as coisas da vida, precisam ser oferecidas a Deus, para se tornarem santas, do jeito que Ele gosta. Eu penso que o sacerdócio é assim…

 Fonte: Revista de Liturgia Ano 37 – 218

Esta é nossas terceira conversa sobre o ODC, para conferir as anteriores clique nos tópicos abaixo:

1- Conversa I – com o Pe. Marcio Pimentel

2- Conversa II – com Penha Carpenedo

Conversas sobre o Ofício Divino das Comunidades – II

Nas conversas sobre o Ofício Divino das Comunidades estamos editando uma serie de entrevistas com as pessoas que trabalharam na elaboração do livro. A entrevistada nesta conversa II é a Penha Carpenedo.

Vamos continuar nossa conversa, em forma de entrevista, dando a palavra à Penha Carpanedo, que fez parte da equipe que elaborou o Oficio Divino das Comunidades (ODC), e apresentou dissertação de mestrado sobre a sua inculturação. Ela partilha conosco o resultado do seu encontro, com grupos e comunidades, celebrando e aprofundando a teologia e a espiritualidade do Oficio Divino das Comunidades.

Conversas
ODC – Ofício Divino das Comunidades

RL: Desde o surgimento do Oficio Divino das Comunidades (ODC), até agora, como você sente evoluir a inculturação da Liturgia das Horas no Brasil?

Penha: O Oficio Divino das Comunidades possibilita uma oração cotidiana conforme a tradição da Igreja, de rezar com salmos e outros cânticos bíblicos, no ritmo das horas e dos tempos do ano litúrgico, com uma linguagem acessível às nossas comunidades. Depois de 20 anos desde a primeira edição, tornou-se uma referência reconhecida nas comunidades eclesiais do nosso país. E de certa forma ele cresceu com a prática das comunidades.

RL: Quais elementos destacaria na proposta ritual do ODC como inculturadas?

Penha: Destaco dois elementos que me parecem fundamentais:

O primeiro é a preocupação de adequar a linguagem dos textos, os ritos e o estilo da celebração ao modelo eclesial (teologia e prática) assumido por nossas comunidades a partir do Concílio Vaticano II e de Medellin. Parte-se do princípio que a inculturação da liturgia não é uma tarefa isolada, mas tem a ver com a inserção da Igreja no mundo, com a sua missão. Como bem formulou o liturgista filipino, Anscar Chupungco, a inculturação “não é apenas problema antropológico, mas também teológico, pois tange tudo o que toca o relacionamento entre Deus e o seu povo”. Esta preocupação perpassa todo o Oficio. Aparece nos hinos, nas orações, nas preces, nas introduções aos salmos etc. Aparece especialmente na Recordação da vida, introduzida para explicitar a relação entre o mistério pascal vivido no dia a dia e a celebração litúrgica.

Outro importante destaque é a inclusão de elementos da piedade popular, realizando concretamente a ‘mútua fecundação’ entre liturgia e religião popular. E não apenas incorporando elementos externos, mas procurando corresponder à piedade e ao “fervor espiritual” do povo; aos “anseios de oração e de vida cristã”, tão característicos da piedade popular.

RL: Poderia dar exemplos de repercussões da piedade popular no ODC?

Penha: As repercussões da piedade popular podem ser percebidas no próprio estilo do oficio. A ritualidade e a singeleza da celebração, com seu tom coloquial, sem muitas palavras explicativas, centrada no mistério pascal de Jesus, com seus salmos, hinos e orações em linguagem acessível, encontra eco na piedade do povo, com sua capacidade contemplativa e sua atitude de confiança em Jesus. Além disso, um exemplo concreto são as aberturas: com seu conteúdo bíblico e estrutura dos benditos populares em formato de repetição, traduzem com muita propriedade o sentido teológico do invitatório.

Respeitando sua forma responsorial, possibilita o diálogo e conduz à oração. A repetição foi bastante valorizada na elaboração dos diversos elementos que compõem o ODC, libertando a oração do papel e dando razão ao aspecto oral da piedade popular. É um dos elementos que mais agrada o povo e realmente convida a entrar na oração. Outro exemplo são os hinos – “cai a tarde o sol se esconde”, “pecador agora é tempo” e outros mais — tomados do repertório popular. Poderíamos ainda falar da dimensão relacional, de aliança, que cria um clima orante, comum à liturgia e à piedade popular.

RL: Em que medida esta ritualidade tão presente na prática celebrativa do ODC responde à exigência de inculturação.

Penha: Sendo o Oficio Divino uma ação litúrgica como as demais celebrações da Igreja, tem dimensão comunitária e sacramental, pois se compreende como ação simbólica que expressa a salvação de Deus (oficio divino), mediante sinais sensíveis, que significam e que realizam o que significam (cf. SC 7). E quando é que um sinal é sensível? Quando atinge a pessoa em sua corporeidade, culturalmente situada. No ODC não há muitas indicações e detalhes a respeito dos gestos, símbolos e ritos. Entretanto, na prática, foi nascendo um estilo de celebração coerente com o jeito de celebrar de nossas comunidades, como resultado da relação entre liturgia e modelo eclesial e da ‘mútua fecundação’ entre liturgia e religiosidade popular.

Nas celebrações do ODC se valoriza a gestualidade, o movimento, o cuidado com o espaço e com os diversos elementos que o compõem, o bom desempenho dos ministérios (presidência, leitores/as, cantores/as, acólitos/as…) A verdade dos sinais tem como exigência, entre outras coisas, a incultaração, para que o povo possa se reconhecer na oração e de fato possa acompanhar as palavras com a mente atenta e participar com consciência, ativa e frutuosamente (cf. SC 11).

RL: A inculturação leva a situar o ODC numa cultura e num tempo, isso não limita a experiência litúrgica?

Penha: O Concílio Vaticano II estabeleceu princípios teológicos e pastorais que estão na base de toda a reforma da Igreja e da Liturgia. Um destes princípios é o da adaptação aos tempos modernos e às culturas de cada povo. Compreendeu que para ser universal precisa ser capaz de adequar-se ao particular, naturalmente sem perder a referência da tradição. O ODC reproduz de maneira simples e inculturada, acessível ao povo de nossas comunidades, os mesmos elementos e estrutura da Liturgia das Horas, a mesma teologia e espiritualidade.

O ganho é imenso: a oração da Igreja se torna popular, e a oração do povo se enriquece com a herança da tradição bíblica e eclesial. Pensemos por exemplo na música. Grande parte das músicas tem sua inspiração nas raízes melódicas da nossa cultura. Muitas foram recolhidas do repertório musical produzido a partir da reforma do Concílio Vaticano II, que representa grande conquista em busca da música ritual em ritmo e estilo brasileiros. O próprio Geraldo Leite, um dos autores das músicas do ODC, escreveu:

“Nossa música é toda uma mistura de melancolia e esperança, de ritmos e saudades, de alegria e de dores, de África e de Brasil”. As composições não estão sujeitas aos modismos, pois são de grande qualidade melódica e textual, permanecendo válidas pela sua autenticidade. Portanto, a inculturação não representa limitação, mas enriquecimento mútuo, pois descobre na cultura local o que existe de mais precioso e valoroso.

RL: Como a experiência inculturada da Liturgia das Horas pode colaborar na vivência espiritual do mistério de Cristo em nossas comunidades?

Penha: Com séculos de separação entre espiritualidade e liturgia é preciso aprender de novo a viver a liturgia como fonte de espiritualidade (cf. SC 14); é preciso aprender a participar, prestando atenção nas palavras ditas ou cantadas, nas palavras que acompanham as ações simbólicas; é preciso aprender de novo a guardar no coração o que recebemos de Deus na assembléia litúrgica para viver existencialmente em nosso cotidiano. Ao mesmo tempo vamos redescobrindo que a liturgia, para além da razão, vai misteriosamente moldando e transformando o coração das pessoas e a vida de comunidade.

Não tenho dúvida de que o ODC caminha nesta direção. Reproduzindo a Liturgia das Horas, valendo-se da linguagem do nosso universo simbólico, o ODC constitui uma experiência vital do mistério pascal, e desta maneira torna-se alimento da oração e da devoção pessoal conforme pedia a Constituição sobre a liturgia (Cf. SC 90) e como recomendou Paulo VI, na Constituição Apostólica Laudis Canticum: que a celebração do Oficio pudesse “adaptar-se, quanto possível, às necessidades de uma oração viva e pessoal” (cf. n. 8).

 

Fonte: Revista de Liturgia – 217 – Janeiro/Fevereiro.2010

Conversas sobre Ofício Divino da Comunidades – I

Artigos com uma série de entrevistas: “Conversas sobre o Oficio Divino das Comunidades “. Em cada número, uma pessoa ligada à elaboração do Oficio ou à Pastoral nos dará um testemunho ou uma reflexão em torno deste assunto.

Iniciamos, nesta edição, uma série de entrevistas: “Conversas sobre o Oficio Divino das Comunidades “. Em cada número, uma pessoa ligada à elaboração do Oficio ou à Pastoral nos dará um testemunho ou uma reflexão em torno deste assunto. A intenção é trazer à tona a experiência da Liturgia das Horas na forma do Oficio Divino das Comunidades, cuja prática oferece importantes elementos para a teologia e espiritualidade da Liturgia das Horas e para a sua inculturação.

ODC Nosso primeiro entrevistado é o Pe. Márcio Pimentel, religioso saletino, membro da Rede Celebra, atuando na pastoral litúrgica da Arquidiocese de Belo Horizonte. Responsável pela formação dos seminaristas aspirantes e postulantes de sua congregação, ele relata nesta entrevista a experiência do ODC em sua comunidade religiosa, no período da formação religiosa e presbiteral. Considerando a Liturgia das Horas um elemento essencial da vida religiosa, mostra como concilia o carisma de sua congregação com a espiritualidade litúrgica. O Oficio Divino das Comunidades encontra cada vez mais espaço nas comunidades religiosas, aproximando a antiga tradição da Oração dos Salmos às demandas do tempo presente e da missão dos religiosos na Igreja e no mundo.

  1. Como se deu a introdução e a opção pela Liturgia das Horas na forma do ODC na etapa em que você atua como formador?

A opção pelo Oficio Divino das Comunidades (ODC) tinha como objetivo eleger um estilo de Liturgia das Horas (LH) que fomentasse nos estudantes o gosto pelo canto dos salmos. Isto possibilitaria a descoberta de sua inigualável riqueza para a espiritualidade cristã e, em especial, para a própria construção do perfil religioso e presbiteral. Mediante a celebração do ODC, eu mesmo pude redescobrir a beleza da Oração cristã e descortinar seu sentido para o meu itinerário vocacional e missionário. Dei-me conta de que a oração dos salmos permitia escapar das armadilhas que nosso ego fabrica em nossas práticas religiosas. Sem perceber, corremos o risco de caminhar rumo a desfiguração de nosso perfil de discípulo, missionário e, sobretudo, humano. Entendemos que o ODC era um caminho que valia a pena compartilhar com aqueles que fazem sua iniciação à vida religiosa e presbiteral saletina no período do aspirantado e postulantado, quando eles cursam a filosofia.

  1. Como o ODC figura no conjunto de celebrações do seminário?

Eu diria que ocupa lugar privilegiado. Costumava referir-me a estes momentos como “significadores” do cotidiano ou, como mais recentemente gosto de dizer, oportunidades para ajustar nossos passos aos ritmos do Evangelho de Jesus. Rezamos o ODC pela manhã, à tarde e à noite: laudes, vésperas e completas. Esta última fazemos segundo a estrutura da versão oficial da LH. As horas maiores seguem a estrutura do ODC, embora utilizemos com freqüência alguns hinos e salmos da versão oficial, pois não vemos oposição entre o ODC e a LH. Temos a oportunidade, portanto de rezar cotidianamente a Oração das Horas segundo o estilo e a forma do ODC. Cada vez fica mais clara a importância e o ganho em optar por ele como eixo da oração cotidiana de nossa comunidade.

  1. Como você vê a recepção do ODC por parte dos formandos?

Certamente há frutos que já colhemos, sobretudo nos quesitos ritualidade e sacra- mentalidade que o ODC recupera. Isto é muito louvável. Ainda reside certo conflito com a mentalidade contemporânea, herdeira da lógica moderna e também pós-moderna. Destaco dois aspectos:

  1. a) a racionalização da oração. Achamos que temos de entender tudo, que deve haver um beneficio mensurável naquilo que fazemos. Praticamente preenchemos, ou tentamos preencher todos os “vazios” para que o Mistério se manifeste e nos recrie. Talvez por isso tenhamos tanta dificuldade com o silêncio… Queremos dominar e submeter aquilo que é maior do que nós. Perdemos na oração a noção de criaturas, O que seria um espaço para a gratuidade, para o deleite da presença de Deus, se torna ocasião para um palavrório sem limites, conscientizações, ideologizações exageradas…
  1. b) a confusão entre objetividade e subjetividade da espiritualidade cristã. Aqui a questão é mais grave: os jovens que chegam às nossas casas, além de, na sua maioria, não terem sido iniciados à fé de modo substancial e consistente, trazem consigo uma espiritualidade movida pela lógica devocional. Nesta prevalece o gosto individual e a fé subjetiva em detrimento da objetividade da fé da Igreja, recebida no batismo, entregue por uma comunidade à qual se adere. Notamos o desconhecimento da bimilenar tradição orante da Igreja e sucumbimos diante da falsa criatividade ou do criativismo exacerbado. A compreensão de liturgia, por exemplo, em ambos os casos não é boa. Ela não é considerada como a nossa resposta ao amor de Deus por nós, no seu trabalho carinhoso em governar e cuidar da humanidade, da história, do cosmos.
  1. Sendo formador de religiosos saletinos, como você avalia as celebrações do ODC no conjunto da formação para a vida religiosa e para o presbiterato?

Urge uma volta à compreensão mais mística da liturgia para que venha à tona a sua importância para a formação religiosa e presbiteral. Algo disso já se processa atualmente, mas temos que caminhar muito. A Liturgia, e aqui enfoco o ODC, é um microcosmo. Ele reflete o mundo e a história que se traça cotidianamente sob outro ângulo, que é a lógica de Deus. Gosto de falar de um “ensaio existencial”. Tudo e todos somos submetidos ao modo do ser de Deus revelado em Jesus. A forma de nos relacionarmos como pessoas humanas e cristãs, a nossa consagração batismal, vinculada e radicalizada num instituto de vida consagrada, e o ministério pastoral que prestamos à Igreja são vividos e antecipados na celebração do trabalho de Deus, a Liturgia. Percebo que falta-nos hoje transparência sacramental e com isso me refiro ao fato de numa celebração, em que “presidimos”, por exemplo, sobrepor-se o sinal, pobre e insuficiente, ao Mistério que este deveria comunicar. Tudo gira em torno do padre. É ele quem aparece, quem é escutado, visto e ovacionado não poucas vezes. Ele é o centro e para ele tudo converge. Como um microcosmo e um ensaio, a celebração sinaliza que algo está errado e fora de lugar: na vida cotidiana, no modo de proceder, na vocação, missão, pastoral, ou mesmo no âmbito celebrativo. Esquecemos de que Deus é Deus. A casa de formação é um lugar privilegiado para redescobrir o lugar do Mistério na condução de nossa vida, sem o quê nos tornarmos ídolos!

  1. O ODC é um caminho mistagógico para a formação?

O ODC é uma porta para o Mistério. Creio nisto, sobretudo porque o único Mistério que celebramos é a Páscoa de Cristo Jesus. O ODC nos possibilita entrar em comunhão profunda com o Espírito de Cristo. Se quisermos estar ligados a ele devemos beber da fonte que ele bebeu, rezar como ele rezou, orar aquilo que ele orou. Sabemos que a base da oração de Jesus são os salmos. Não dá para entrarmos em relação com Jesus sem estarmos imbuídos de seu Espírito.

No fato-fundante do Instituto dos Missionários Saletinos, existe um forte princípio sobre a oração baseado na pergunta da Virgem na sua aparição em Salete, França:

“Fazei bem as suas orações, meus filhos?”, O cuidado com o “fazer bem as orações” aqui se expressa em nosso zelo para com o ODC, que é uma conquista de cada dia. O carisma do Instituto é a reconciliação. Não dá para ser embaixadores da reconciliação, conforme o Apóstolo (2Cor 5,20), se nos esquecemos de nosso mergulho na morte e ressurreição do Senhor.

Não dá para viver e proclamar “a nova criatura” se não estamos suficientemente vinculados ao Novo Adão. Somente cantando sua Palavra, permitindo que ela se torne nossa palavra na meditação de cada versículo sálmico, que ressoem e dialoguem com aquilo que recordamos da vida e a re-signifiquem; somente silenciando para que o nosso vazio seja preenchido pela novidade do Evangelho, é que nossa existência ganhará o tom e a cor do Reinado de Deus. Assim como os salmos no ODC ganham vida e beleza advindas da métrica poética que nos é peculiar, dos ritmos regionais que os embalam, das sutilezas melódicas do modalismo redescoberto em nossas composições, nossa vida é embelezada pela voz do Verbo que através deles ressoa.

 

ODC – Ofício Divino das Comunidades

Explicações sobre o Ofício Divino das Comunidades.

Um dos módulos do curso de liturgia trata do ODC – Ofício Divino das Comunidades, assunto abordado no capítulo IV da Sacrosanctum Concilium, para esclarecer um pouco o assunto vamos editar varios artigos; o primeiro que fala da estrutura e depois trataremos de outros aspectos como: histórico, símbolos, gestos e ministérios, etc. Vamos começar a conhecer o Ofício Divino das Comunidades.

ESTRUTURA DO OFÍCIO DIVINO DAS COMUNIDADES

Qualquer celebração comunitária precisa de um mínimo de estrutura. Em todas as religiões há ritos para expressar as suas crenças. No Ofício das Comunidades a estrutura de cada celebração (ofício) é bem simples: inicia-se com uma invocação de Deus através de versos de um salmo; abre-se para a recordação da vida; propõe-se o hino que explicita o sentido do mistério celebrado; depois vem o salmo; uma leitura bíblica, meditação e partilha; cântico evangélico; preces, pai nosso e oração; e a bênção final. Cada um destes elementos mudam de acordo com a hora do dia, o tempo litúrgico e as circunstâncias da vida.

ODCO sentido de cada elemento do rito
1. Chegada – silêncio, oração pessoal (criar um clima de recolhimento com a repetição de um mantra em melodia de salmo).
A Chegada é o momento de preparação imediata que tem como finalidade criar o silêncio para a oração pessoal. Responde à necessidade de cada pessoa “reunir o coração” para que se possa constituir a assembleia em oração… Pode ajudar neste momento: iluminação reduzida, música ambiente, toques de atabaque que leve à concentração, um refrão contemplativo….

2. Abertura – canto feito por repetição (solista e coro).
A Abertura é o começo do ofício com versos bíblicos de invocação de Deus, sem qualquer comentário. Expressa a gratuidade da oração e a iniciativa de Deus.

3. Recordação da vida – pedir que os irmãos e irmãs lembrem fatos, pessoas ou situações que marcaram a semana que passou.
A Recordação da vida é o momento em que afirmamos a relação entre a celebração e a vida, entre a paixão e morte do Senhor e paixão e morte do povo. Em toda a celebração, a vida está como que “latente”, mas na recordação da vida explicitamos mais claramente fatos de alcance e impacto nacional, situações e experiências trazidas pelos participantes, memória dos mártires… que serão depois retomados no salmo, na meditação, nas preces…

4. Hino – canto que marca a hora do dia, o tempo litúrgico corrente ou a festa litúrgica, de santo, do padroeiro.
O Hino é um canto diferente do salmo, cantos que nasceram da experiência da Igreja de ontem ou de hoje. Tem como finalidade expressar a oração da assembleia, a partir do mistério celebrado de acordo com a hora do dia e hora da vida.

5. Salmo – escolher um salmo apropriado para o que querem celebrar. O Salmo é um dos elementos centrais no Ofício Divino. São poemas, cânticos, preces… que acompanharam o povo de Deus a caminho da terra prometida e são ainda hoje muito importantes na espiritualidade judaica. Por um lado eles são símbolos de tudo o que o ser humano carrega em seu coração: alegrias e sofrimentos, angústias e esperanças, docilidade e indignação, amor e ódio… Por outro lado, eles são símbolo que revelam o próprio Deus, atento ao grito dos pobres, pronto a manifestar seu amor e sua compaixão. Os salmos foram a oração de Jesus, de Maria, das primeiras comunidades cristãs. Por isso, na tradição das Igrejas cristãs, um salmo é sempre rezado a partir de Jesus e da sua vitória pascal. Com essa chave, somos convidados a entrar na oração do salmo fazendo dele a nossa própria oração. Depois de cada salmo há um tempo de silêncio e de repetição de alguma palavra que nos tocou. Isso nos permite curtir a palavra de Deus e deixar que ela se torne a palavra da nossa oração.

6. Leitura bíblica – leitura do dia ou do Evangelho do domingo seguinte.
Além dos salmos, escutamos uma leitura bíblica que pode ser dos evangelhos ou de outro livro do antigo ou do novo testamento. Em geral, as comunidades seguem as leituras indicadas na liturgia diária da missa. Se for evangelho é precedido por uma aclamação. Se for outra leitura é seguida de versos bíblicos de meditação. “Deve ser lida e ouvida como verdadeira proclamação da Palavra de Deus.” (IGLH n. 45).

7. Meditação – silêncio, partilha, repetir refrões que chamaram a atenção.

8. Cântico evangélico – para manhã (Lc 1,68-79 – cântico de Zacarias); para fim da tarde ou noite (Lc 1,46-55 – cântico de Maria)
Faz em parte do roteiro do Ofício os três Cânticos Evangélicos, tirados do evangelho de Lucas. No ofício da manhã, canta-se o cântico de Zacarias ao raiar o sol; evoca a memória de Jesus o sol nascente. À tarde, ao findar o dia, entoa-se o Cântico de Maria nos faz agradecer a Deus pela salvação. À noite é a vez do Cântico de Simeão, que proclama a força da luz que brilha para todos os povos. É o ponto alto do ofício, por isso podemos dar ênfase a este momento: com passos de dança acompanhando o ritmo, com incenso…

9. Preces – podem ser espontâneas. Nas Preces unindo-nos à oração de Jesus, exercemos nossa vocação de povo sacerdotal, louvando, agradecendo e intercedendo pelas necessidades da humanidade e urgências do mundo. Na pag. 449 encontramos várias formas de responder as preces (cantada ou rezada).

10. Pai-Nosso – Após as preces a assembleia conclui este momento com a prece do Pai nosso como faziam as comunidades dos primeiros séculos e como é costume até hoje.

11. Oração final – pode ser rezada a oração do dia.

12. Bênção – O ofício termina com a invocação da bênção de Deus sobre a assembleia convidada a prolongar o louvor no ofício que deve continuar em todo o tempo e lugar, em cada gesto de amor e de serviço… Por fim, um refrão que funcione como “saideira”, prolongando a bênção.

Querido amigo(a) está chegando ao fim esta breve explicação com o tema ODC – Ofício Divino das Comunidades em breve estaremos esclarecendo mais com uma série de matérias sobre ODC. Espero que tenha gostado e se quiser rever o material completo ele será editado aqui no blog cmliturgo e também em forma de ficha de estudo no Informativo A Palavra Viva, é só acessar nossa pagina e solicitar através dos nossos contatos.

Dê sua sugestão e vote em nossa enquete sobre que assuntos podemos abordar nas próximas matérias, estou aguardando seus comentários e votos.

Carinhosamente!

Carlos Ericeira

Há Páscoa hoje?!

uma reflexão sobre o sentido da Páscoa.

Reflexão de Carlos Ericeira
Reflexão de Carlos Ericeira

Estamos presenciando um tempo com sinais marcantes; o desequilíbrio da natureza, a crescente desvalorização da vida, a corrupção despudorada, o desabafo populacional, manifestações, lutas, massacres e um crescente e ecoante pedido de basta. Como encaramos estes sinais? Que reações eles provocam em nós?

Anualmente falamos de ‘páscoa’ que estoura em apelos comerciais, que inflama as prateleiras com deliciosos ovos de chocolate e coelhinhos de pelúcia. Mas, e a Páscoa[1]? Aquela que imprimi em nossa alma uma mudança, uma certeza de que por além das sombrias nuvens da madrugada desponta o Sol da justiça; aquela que dissipa as trevas da morte fazendo germinar no amanhecer um novo dia, uma nova historia onde tudo será melhor. A Páscoa, que mortifica as dores, as mazelas, as misérias, conduzido-nos para a ressurreição, a que ressurge com raios de paz, igualdade, honestidade, humanidade e santidade.

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Celebramos a Páscoa anualmente (semanalmente), como mistério encarnado[2], padecente e glorioso[3] que em todo o mundo revela os vestígios de sua força, de sua luz.  Há sim, uma certeza confirmada no tempo e na história deste profundo mistério do Pai, revelado no filho pela ação do Espírito e é esta certeza que faz  surgir do meio do deserto de cada um de nós e da aridez de nossa vida social uma fonte de água viva[3] que jorra esperança, compromisso, solidariedade e a busca por um mundo mais humano e feliz.

Há Páscoa hoje e sempre em cada novo homem e mulher liberto de seus vícios; em cada lei que tira o povo da opressão, da miséria e falta de dignidade; em cada lugar que se liberta dos que exploram os bens e recursos em benefícios próprio; em cada ser humano que doa a sua vida pelo bem comum de toda a humanidade. Haverá sempre páscoa se cada um(a) que assumir sua co-responsabilidade com o mundo que Deus criou para vivermos em  harmonia e comunhão.

Cordialmente em Cristo,

Diac. Carlos Ericeira

 

[1] O termo “Páscoa” deriva, através latim Pascha e do grego bíblico Πάσχα Paskha, do hebraico פֶּסַח (Pesaḥ ou Pesach, a Páscoa judaica) que significa passagem.  [2] cf. Fl 2, 6-7    [3] cf. Lc. 9, 18-24  [4] Cf. Jo 7, 37-39

Participe do curso de liturgia

As formações litúrgicas se multiplicam e o que temos não mais um sonho e sim uma realidade que a cada dia exige mais e necessita da sua opinião. Deixe sua contribuição sobre as formações que estamos desenvolvendo.

As formações litúrgicas estão em andamento, iniciamos as turmas do curso de liturgia  em parceria com o IESMA (Instituto de Ensino Superior do Maranhão), e também estamos com formações na Paróquia São Cristóvão e livraria PAULUS.

Curso de Liturgia
turma de 2014 – IESMA

A caminhada que começou em 2014 com a 1ª turma (84 participantes (concluíram 76) e no ano passado (2015) a 2ª turma (com 110 e concluímos com 86). Agora assume um novo perfil com novas metodologias, foi mantido a trajetória de 10 meses de estudo, com temas e módulos baseados nos documentos da Igreja, aos moldes da renovação Conciliar proposta pela Sacrossanto Concilium. 

Curso de Liturgia
Turma de 2015 – IESMA
curso de liturgia
turma de 2015 – IESMA

Como Coordenador deste projeto quero externar a minha grande felicidade, principalmente ao perceber o grande interesse do povo (Igreja), constatado pela expressiva dedicação dos cursistas em cada tema e assunto desenvolvido nas diversas fases desta formação. Assim como na 1ª e 2ª turma acreditamos que a perseverança e os frutos serão acima da média, pois, tratamos de desenvolver em nossa metodologia (VER – JULGAR e AGIR) um relacionamento que vai além do fornecimento de conteúdos teóricos, trabalhamos o desenvolvimento da pessoa no todo. 

A SC fala de participação plena, ativa e consciente e por (para) isso buscamos em tudo que é fornecido nos encontros, desenvolver nos cursistas a consciência de que ele precisa estar na ação litúrgica por completo (total), como corpo e não como um membro desfacelado (mutilado). 

Curso de liturgia
turma de 2015 – IESMA

A maior preocupação e  também o grande desafio é formar os cursistas não para a ordem do fazer e sim para a ordem do ser, pois, muitos buscam o conhecimento na área de liturgia para se tornarem meros tarefeiros e o que nós desejamos é que se tornem conscientes, estando e vivendo sua fé e ação celebrativa de corpo, alma e coração (Inteireza do ser).

formação liturgica
turma de 2016 – IESMA

Em 2016 pela graça de Deus estamos desenvolvendo várias formações litúrgicas na Arquidiocese de São Luis (MA), além do IESMA que terá a turma de 1ª etapa e 2ª etapa (aprofundamento) para os que  concluíram nos anos de 2014/15, já estão programadas formações na forania São Cristóvão, Paróquias e livraria PAULUS. Com o objetivo de alargar o horizonte e buscando cada vez mais levar a formação litúrgica para próximo das pessoas foi que criamos esta página e já estamos trabalhando para estruturar um curso virtual para disponibilizar aos internautas, sabemos que ainda há muito para ser melhorado em nosso serviço e é por isso que insistimos em saber a sua sugestão, questionamento e ou critica (construtiva) para que possamos oferecer a cada dia um trabalho cada vez mais primoroso e dedicado a promoção da consciência plena.

Estou aguardando a sua participação! Cordialmente,

Carlos Ericeira

 

Pregação Sagrada – preparando a homilia (texto 02)

Neste segundo texto continuamos a reflexão sobre a pregação sagrada (como preparar uma boa homilia) a discussão aqui é sobre os pré-requisitos. O curso completo é composto de 36 textos.

Hoje vamos falar dos pré-requisitos da Pregação Sagrada:

O primeiro é estar ciente de que somos ministros da Palavra desde o batismo, e essa responsabilidade aumenta no dia na nossa ordenação sacerdotal. Por isso devemos ler, meditar, ruminá-la durante toda a nossa vida. Devemos fazê-la nossa, vestir-nos dessa Palavra, encarná-la na nossa vida. Somente assim a transmitiremos fielmente, sem cortes, sem minguas, sem obscurecê-la ou rebaixá-la.

Preparando uma boa homilia
Curso de Pregação Sagrada

Em segundo lugar estar ciente de que é Deus que converte as almas, não nós. Mas Ele nos utiliza como canais, alto-falantes, aquedutos e ministros da sua Palavra para iluminar as mentes, aquecer os corações e mover as vontades para que amem a Deus e cumpram os seus mandamentos. Por isso, temos que estar bem preparados neste campo da pregação da Palavra. Todos os nossos estudos humanísticos, filosóficos, teológicos, pedagógicos… têm como termo final a nossa pregação, seja escrita (livros, artigos…), seja oral (homilias, retiros, congressos, palestras…) para a conversão das almas à luz desse Palavra transmitida e explicada por nós. Estudamos para estarmos melhor preparados na hora da nossa pregação sagração, não por desejo de vaidade, mas porque essa Palavra de Deus merece ser tratada e anunciada com dignidade, clareza e unção.

Em terceiro lugar estar ciente de que a Palavra de Deus está destinada a brotar, a crescer e a dar fruto na alma dos homens. Por si mesma, a Palavra tem toda a força de entrar no coração do homem e convertê-lo. Então, onde está o erro? Uma de duas coisas: ou em quem prega, que não sabe fazê-lo, ou no campo – na alma – que recebe essa Palavra pregada. Que pelo menos não seja por nossa culpa como pregadores sagrados. Se o coração dos homens está fechado como Cristo nos diz na parábola do semeador por causa das pedras, dos espinhos, da superficialidade (cf. Mateus 13, 1ss Parábola do Semeador)… aí está o desafio de um bom pregador: ajudar essas almas a se abrirem para a Palavra. E quais são os recursos que existem além da oração e do sacrifício? A pregação bem preparada, incisiva, respeitosa, profunda, clara, motivadora e bem pronunciada!

Na semana passada apresentei aos leitores do Blog CMLITURGO essa coluna sobre Pregação Sagrada. O texto 01 você pode ler clicando aqui. Deixe seu comentário, no próximo texto começaremos com alguns conselhos práticos que podem ajudar na Pregação Sagrada – preparação da homilia.

Coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., professor de Teologia e Oratória no seminário Interdiocesano Mater Ecclesiae de São Paulo.