CELEBRAR COM CRIANÇAS

Aqui refletimos sobre a inserção das crianças no ambiente religioso, especialmente o contexto celebrativo do mistério Pascal de Cristo.

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Diac. Carlos Magno de R. Ericeira

É responsabilidade do Pai, da mãe, do padrinho e da madrinha as primeiras experiências de fé das crianças, por isso a preocupação de realizar uma preparação, por mais breve que seja, para que estes se conscientizem de seu papel e responsabilidade na educação religiosa de seus filhos e afilhados. Este elo pelo qual geralmente a grande maioria das pessoas são iniciadas em uma experiência religiosa deve culminar em um ato celebrativo, seguindo o seu Mestre, que, “abraçando… abençoava” os pequeninos (Mc 10,16). A Igreja, portanto, tem o dever de cuidar das crianças, principalmente as batizadas para que cresçam em comunhão com Cristo e seus irmãos e não pode abandona-las em uma situação, entregues a si mesmas.

Cel. da Palavra com crianças
Cel. da Palavra com crianças

O Concílio Ecumênico Vaticano II que já na Constituição sobre a Sagrada Liturgia (SC) falara sobre a necessidade de uma adaptação da liturgia para os diversos grupos, após sua conclusão começou a considerar, com maior empenho, como as crianças poderiam participar mais facilmente da liturgia. Em 1973 foi aprovado um diretório para missas com crianças, levando em consideração os ecos das áreas de psicologia e pedagogia e os estudos e experiências de atividades e celebrações realizadas com jovens.

Após 4 décadas ainda se conhece pouco sobre este diretório que se desenvolve em três capítulos: 1º) como iniciar as crianças e prepará-las para a Eucaristia; 2º) como acolher as crianças nas celebrações com adultos; 3º) como conduzir  a celebração quando a missa tem na maioria crianças. É preciso criar condições para que as crianças vivam a sua fé. Como dissemos, a começar pelos pais, depois o ministro ordenado, presidentes de celebração, os catequistas, a comunidade.

Alguns pontos podemos e devemos considerar nesta área: a) Iniciar a criança no valor do silêncio, como momento precioso para acolher a palavra de vida; b) Introduzir a criança no canto; c) Valorizar a celebração da Palavra.
Por outro lado, o Diretório enfatiza também que a Catequese precisa ter também uma dimensão humana: aprender valores, saber conviver com os outros, agradecer, pedir perdão…. atitudes que também são exercitadas na celebração.

Inf. A Palavra Viva - ficha de estudo sobre a Cel. da Palavra de Deus.
Inf. A Palavra Viva – ficha de estudo sobre a Cel. da Palavra de Deus.

A participação deste público requer uma atenção especial, por isso eis algumas sugestões: EM CELEBRAÇÔES DE ADULTOS – 1. As crianças menores podem ser reunidas em um lugar próximo adequado e voltarem para a Bênção final; 2. Em outro local, as crianças participam de uma Liturgia da Palavra mais adequada e voltam para a Liturgia Eucarística ou 3. Dá-se atividades adequadas para a sua mais efetiva participação (ex. coleta, etc). Esta última tem se mostrado ser a mais adequada para a nossa realidade. EM CELEBRAÇÕES SOMENTE COM CRIANÇAS. 1- Evitar discursos e palavras rebuscadas e de difícil entendimento, buscar uma linguagem acessível a faixa etária da assembleia reunida; 2 – Os adultos presentes, estão ali para rezar junto com as crianças e não para fiscalizá-las. Celebrar com as crianças é ir com elas ao encontro do Senhor que nos reúne, nos revela, se nos oferta e se nos dá na Sagrada Comunhão; 3 – A música vocal e instrumental bem preparada e adaptada é de grande importância: a melodia não deve se sobrepor à letra, nem os instrumentos à voz, nem o coral à assembleia. Não basta assistir, é preciso participar, ou seja, fazer parte. O uso de imagens e símbolos visuais é também ponto de destaque, que precisam ser usados. Que nada se imponha, mas que esteja a serviço do essencial. O espaço também contribui para a melhor participação.

Com estas dicas e a partir da vivência de cada comunidade, aos poucos vai-se criando um espaço onde elas (as crianças) se identificam e sentem-se participantes do mistério celebrado de uma forma que só elas podem relatar.

Por Diac. Carlos Magno Ericeira

(Artigo publicado no Jornal do Maranhão, Ano XLVII - Nº 81 - Julho de 2016)

A insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento (LS3)

logo do blog CMLITURGO
logo do blog CMLITURGO

Continuando com o momento do ver, nesta ficha serão abordados dois tópicos de suma importância, que são referentes ao desequilíbrio do meio ambiente e ao tecido social: Perda de biodiversidade e Deterioração da qualidade de vida humana e degradação social. Ambos mostram claramente a insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento que prescinde da natureza e atenta contra ela. Aliados aos temas tratados na ficha anterior, percebe-se que a ação predatória sobre os recursos naturais atinge gradativamente as espécies vegetais e minerais que são úteis para a alimentação e para a medicina, interfere profundamente na vida animal, provocando a extinção de muitas delas, gerando carências que levam à migração humana e à degradação da qualidade de vida, causando uma urbanização sem planejamento, portanto desorganizada e caótica. As modernas tecnologias de comunicação social, que deveriam ser aplicadas para o crescimento e fortalecimento das relações pessoais, estão causando a degradação do tecido social, ocasionando o afastamento e o isolamento das pessoas.

Perda de biodiversidade

Reflete sobre como criar um espaço de oração com arte
Reflete sobre como criar um espaço de oração com arte

Entende-se por biodiversidade a grande variedade de formas de vida existente no planeta e compreende os ecossistemas terrestres, marinhos e os complexos ecológicos (fauna, flora, microrganismos) dos quais fazem parte. Os ecossistemas são responsáveis por criar coletivamente as bases de vida na Terra: água, oxigênio, alimentos, fontes de energia, matéria prima natural para medicamentos etc., garantindo a sustentabilidade e o equilíbrio no mundo inteiro. Assim, cada espécie tem sua função específica na natureza e a sua ausência acarreta prejuízos incalculáveis para a humanidade. Atualmente, a perda de biodiversidade, que se caracteriza pela extinção de vida vegetal e animal dentro dos ecossistemas, tem sido um dos principais problemas que acometem a Terra. Uma das principais causas está fundada no atual modelo  de desenvolvimento econômico pautado na cultura imediatista  e extrativista. O desmatamento inconsequente e as queimadas causam a perda de imensas porções de bosques e florestas, além de provocar a extinção de espécies animais e vegetais que fazem parte da perfeita cadeia alimentar, idealizada por Deus, para a subsistência de outras especieis e especialmente do homem, incluindo algumas plantas medicinais que lhe seriam úteis na cura de doenças. Infelizmente, isso acontece com frequência nas instalações de novas indústrias e usinas hidroelétricas que demandam a construção de barragens e novas estradas, e na implementação de novos tipos de cultivo, diminuindo os habitats naturais e fragmentando-os com intensidade e, também, impossibilitando a migração da fauna local, que geralmente é extinta. Embora existam alternativas que possam diminuir tais destruições, poucos países as observam, pois a exploração comercial se sobrepõe ao cuidado com as espécies.

Os estudos sobre o impacto ambiental que as empresas são obrigadas a fazer, quando suas atividades interferem no meio ambiente, até chegam a se preocupar minimamente com os efeitos degradantes no solo, na água e no ar, mas nem sempre incluem um levantamento cuidadoso da biodiversidade. Isso revela que, para muitos, a perda de algumas espécies ou de grupos animais ou vegetais não é considerada algo de vital relevância e, no Brasil, exemplos desse descaso aparecem constantemente nos noticiários que denunciam os maus tratos à natureza. Não somente no Brasil, mas por todo o mundo, a Amazônia é o foco de atenção por ser considerada o templo da maior biodiversidade do planeta e que está ameaçada pelas motosserras, pelo trator e pelo fogo que devastam a floresta para grandes projetos de: industrialização, hidrelétricas, agricultura, cultivo da soja e criação de gado, atentando contra todo o ecossistema da Bacia Amazônica. Esses projetos, infelizmente, ocasionam também a expulsão de populações nativas como de índios, camponeses e ribeirinhos, provocando revoltas e conflitos.

Todas as espécies animais e vegetais têm valor imensurável em si mesmas e são criações divinas, portanto perfeitas, e o homem deve respeitar as suas singularidades e importância no ciclo da vida e não apenas enxergá-las como recursos exploráveis. Lamentavelmente, milhares de espécies já em extinção, não serão conhecidas por nós, e nem nossos filhos e netos poderão vê-las, e isso é consequência de atividades humanas irresponsáveis, as quais não deveriam existir no meio ambiente. Todos os elementos do ecossistema têm suma importância no ciclo da vida, até mesmo, as muitas formas de vida que passam despercebidas, mas que são de fundamental importância para o equilíbrio da natureza.

Quando um geossistema entra em estado crítico, já quase sem chances de recuperação, existe a necessidade da intervenção humana para tentar restabelecer o equilíbrio. Entretanto, muitas vezes, essa intervenção acaba criando novos problemas onde, às vezes, não existia, ocasionando a formação de círculos viciosos carregados de riscos para o meio ambiente. Sabemos, por exemplo, que muitos espécimes desaparecem de um ecossistema em decorrência do uso indiscriminado de agrotóxicos que são considerados importantes para a agricultura, mas que, na verdade, são nocivos para outras espécies. Apesar dos esforços de cientistas e técnicos, no sentido de solucionar os problemas criados, percebemos que a intervenção humana, geralmente a serviço do sistema financeiro e produtivo, agride e transforma o planeta, limitando e esgotando seus recursos, transformando-o numa terra pobre e cinzenta, ao mesmo tempo em que o desenvolvimento da tecnologia e das ofertas de consumo avançam sem encontrar limites. O homem se ilude pensando poder substituir a beleza insuprível e irrecuperável da terra por outra criada por ele. Apesar de todos os alertas sobre os desastres que vêm sendo causados na natureza, o homem parece não retroceder, ao contrário, avança cada vez mais, estragando ou destruindo novos ecossistemas, como, por exemplo, os oceanos.

dia-da-biodiversidadeO Papa Francisco alerta que: “É preciso investir muito mais na pesquisa para se entender melhor o comportamento dos ecossistemas e analisar adequadamente as diferentes variáveis de impacto de qualquer modificação importante do meio ambiente. Visto que todas as criaturas estão interligadas, deve ser reconhecido com carinho e admiração o valor de cada uma, e todos nós, seres criados, precisamos uns dos outros. Cada território detém uma parte de responsabilidade no cuidado desta família, pelo que deve fazer um inventário cuidadoso das espécies que alberga a fim de desenvolver programas e estratégias de proteção, cuidando com particular solicitude das espécies em vias de extinção”.

Deterioração da qualidade de vida humana e degradação social

Ao abrir esse tema, o Papa lembra que: “Tendo em conta que o ser humano também é uma criatura deste mundo, que tem direito a viver e ser feliz e, além disso, possui uma dignidade especial, não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas”, por isso, condena uma economia baseada na acumulação de lucros, que ignora as dimensões sociais e ecológicas da qualidade de vida.

A deterioração da qualidade de vida caracteriza-se pelo crescimento desmedido e descontrolado de muitas cidades que oferecem baixa qualidade de vida aos seus habitantes, devido à poluição ao caos urbano gerado pela concentração de construções que descaracterizam a natureza transformando-as em verdadeiras “selvas de pedra” com sérios problemas de transporte. Em muitas cidades, as grandes estruturas industriais e residenciais não funcionam adequadamente, pois geram gastos excessivos de água e energia, além de problemas de drenagem das águas de chuvas que geram alagamentos nas cidades. Bairros e loteamentos recém-construídos apresentam-se congestionados e desordenados por falta de adequada engenharia de tráfego, sem espaços verdes suficientes para depuração do ar, para a sociabilidade e o lazer. E, é importante destacar que não é conveniente e nem próprio do ser humano viver cada vez mais submerso na poluição urbana e em meio a cimento, asfalto, vidros e metais, privado do contato físico com a natureza.  De outro lado, a privatização de espaços dotados de áreas verdes e a criação de espaços residenciais “ecológicos” criam a mentalidade de que tais locais só são acessíveis a quem pode pagar, como se os pobres não tivessem direito a natureza, cabendo-lhes ocupar apenas as áreas periféricas e insalubres.

Os efeitos da “nova sociedade global” com suas inovações tecnológicas se fazem sentir de várias formas, como: na exclusão social, na desigualdade do fornecimento e consumo da energia e de outros serviços, na fragmentação social, no aumento da violência e no aparecimento de novas formas de agressividade social, no narcotráfico e no consumo crescente de drogas entre os mais jovens, e na perda de identidade.

Somam-se ainda as dinâmicas dos meios de comunicação de massa e do mundo digital que não favorecem o desenvolvimento da capacidade de viver com sabedoria, pensar em profundidade, amar com generosidade. O momento atual exige que esses meios se traduzam em novo desenvolvimento cultural da humanidade, e não em deterioração da sua riqueza mais profunda. Hoje o homem acumula dados e informações em abundância, que acabam gerando saturação e confusão ao invés da verdadeira sabedoria que é fruto da reflexão, do diálogo e do encontro generoso entre as pessoas. As relações reais e pessoais estão sendo substituídas por relações virtuais mediadas pela internet, perdendo-se a riqueza do encontro com o outro. Os meios atuais permitem a comunicação e a partilha de conhecimentos e afetos, mas, às vezes, também impedem o contato direto com a angústia, com o sofrimento, com a alegria do outro e com a complexidade da sua experiência pessoal. Por isso, ao lado do crescimento de tais relacionamentos, o mundo assiste ao crescimento de uma profunda e melancólica insatisfação nas relações interpessoais ou um nocivo isolamento.

Verifica-se por tais contradições que o crescimento dos últimos dois séculos, apesar do enorme avanço tecnológico em várias áreas, não significou o “crescimento social” tal como o Papa Paulo VI refletiu na Encíclica Populorum progressio (PP), um dos mais importantes documentos da DSI, referindo-se ao novo colonialismo que a economia neoliberal impunha aos países historicamente espoliados, tornando-os cada vez mais pobres, lembrando que o desenvolvimento econômico e técnico de alguns países não podia ser alcançado com a degradação ambiental e social de outros. Segundo o documento, o progresso deve gerar o desenvolvimento social para todos, e deve atingir  todos os aspectos da vida humana, em verdadeiro progresso integral e na melhoria da qualidade de vida (PP, 34). A ausência de progresso social gera uma verdadeira degradação social, uma silenciosa ruptura dos vínculos de integração e comunhão social, e uma profunda desintegração homem e natureza que, em última análise, revela uma crise sobre a razão da existência humana, de sua relação com as outras criaturas e com o seu criador.

Oxalá a reflexão da Encíclica Laudato Si possa contribuir para  que as pessoas repensem o sentido da vida e de suas relações, e que os avanços tecnológicos não as impeçam de buscar nas suas relações com o meio ambiente e com os seus semelhantes a sua identidade de ser humano.

 

Para Refletir:

1- Que ações podemos desenvolver para aumentar a consciência social sobre a importância da biodiversidade?

2 –  Qual a relação que os cristãos devem fazer entre biodiversidade e degradação social?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

Aguarde a publicação da próxima ficha:   A desigualdade que não encontra resistência  (LS4).

Ao fazer uso deste texto, favor citar a fonte:  

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  •  http://www.ambientevirtual.org.br.

O Clamor da Mãe terra (LS 2)

Essa Ficha dá início às reflexões contidas no Capítulo I da Encíclica Laudato Si(LS). Nele, o Papa Francisco apresenta uma análise da realidade sobre as questões ambientais e humanas e adverte sobre a eminência de um colapso dos recursos naturais, gerado pela forma predatória como o homem tem tratado a terra. Esse é o momento do “ver”. O texto destaca que as principais causas da atual crise ecológica, que traz sérios prejuízos à sobrevivência, decorrem da busca de crescimento econômico ilimitado baseado na exploração do planeta com recursos naturais cada vez mais limitados. Convida a todos para deter a atenção ao que está acontecendo com a casa comum, e faz um apelo à tomada de consciência, no sentido de repensar a sociedade e o agir sobre a terra a partir dos seguintes pontos: poluição, mudanças climáticas, escassez da água, perda da diversidade, deterioração da qualidade de vida humana, degradação social e desigualdade planetária. E questiona: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão crescendo?” As três primeiras realidades críticas abordadas na LS: poluição, mudanças climáticas, e a questão da água, serão os temas abordados dessa segunda Ficha de estudo.

laudato_si A Campanha da Fraternidade de 2011 da CNBB (Fraternidade e a Vida no Planeta  “A criação geme em dores de parto” Rm 8,22), nos recorda que a terra é gestadora dos seres vivos, dos seres humanos, homem e mulher, e que sem ela a vida seria impossível. Em razão disso, é chamada Mãe Terra. São Francisco também a comparou com uma mãe que acolhe os filhos em seus braços, os quais, através de gestos e atitudes de gratidão, louvor, esperança e responsabilidade, compartilham a existência. A Mãe Terra, movida pela ação de Deus, pela energia de suas entranhas e pela boa convivência,  entre os seres vivos de todos os ecossistemas, vegetais, animais e minerais, constitui o meio ambiente, onde todas as formas de vida se adaptaram ao clima e às adversidades naturais de cada região. Do equilíbrio da atmosfera,  de uma temperatura adequada, dependem a vida humana e toda a biodiversidade.

O modelo de desenvolvimento existente, pautado na exploração dos recursos naturais produz poluição, aquecimento e mudanças climáticas. Isso provoca desequilíbrio no  ecossistema, compromete a vida de várias espécies e traz sérias repercussões na sobrevivência de populações autóctones e dependentes da natureza, promove a desigualdade e, consequentemente, a concentração de riqueza e poder, sem falar da degradação e da destruição do meio ambiente e das condições de vida sobre a Terra. Essa realidade denuncia uma injustiça e uma perversidade contra a Mãe Terra e contra seus filhos que foram  e continuam  sendo explorados, os quais pedem clemência e justiça, pois sendo de todos e para todos, a Terra deve ser respeitada e vista em função  de um desenvolvimento benéfico, que promova a sustentabilidade e o bem comum.

No que diz respeito à poluição, o Papa lembra que ela é resultado da mentalidade do fácil acesso aos bens e da cultura do descarte que,  além de poluir, colabora para que a Terra, nossa Casa Comum, se transforme cada vez mais num imenso depósito de lixo. A falta de uma cultura voltada para o bem comum faz com que as pessoas efetuem seus descartes sem responsabilidade, deixando seus lixos nas ruas, nos terrenos vazios, nos riachos e na natureza. Além dos resíduos domésticos  há os  comerciais, os clínicos, os eletrônicos e os  industriais, que podem ser tóxicos e/ou radioativos e produzirem um efeito de bioacumulação nos organismos dos moradores de áreas limítrofes. E junta-se a isso, os poluentes atmosféricos causados pelo transporte, pelas descargas de substâncias que contribuem para a acidificação do solo e da água, pelos fertilizantes, inseticidas, fungicidas, pesticidas e agrotóxicos em geral que, ao serem inalados, produzem efeitos maléficos à saúde, particularmente dos mais pobres, provocando milhões de mortes prematuras.

Quanto ao clima, o Papa lembra que, ao queimar as fontes de energias fósseis (carvão, petróleo, gás), a indústria produtivapapa-franciscolibera cada vez  mais o gás carbônico na forma de dióxido de carbono, que ao se juntar com outros gases, na atmosfera, como o gas metano e o óxido nitroso, produzem poluentes gasosos que comprometem o equilíbrio natural. Eles diminuem a capacidade dos seres vivos de absorverem gases saudáveis e comprometem a quantidade de gases que retem o calor da atmosfera. Além disso, isso provoca o aumento da temperatura da Terra e as mudanças climáticas como: a poluição do ar, as secas e estiagens, as chuvas abundantes com enchentes, as inundações e deslizamentos de terra, os furacões, as ondas de calor intensas, o derretimento de gelo das calotas polares, o aumento no nível da água dos oceanos, a desertificação, as queimadas e os incêndios florestais etc. Considerando que também outros fatores, como: vulcanismo, ciclo solar, variações da órbita e do eixo terrestre, têm contribuído para o aumento da temperatura global, estudos científicos indicam que a maior parte do aquecimento das últimas décadas é devido à alta concentração de gases com efeito de estufa, emitidos sobretudo por causa da atividade humana, principalmente pelo desflorestamento para finalidade agrícola.

Essas mudanças climáticas são um problema global, com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas e, atualmente, constituem um dos maiores desafios para a humanidade, e provavelmente, seus impactos recairão nas próximas décadas sobre os países em vias de desenvolvimento. Elas afetam a vida de muitas pessoas, cujos meios de subsistência como a agricultura, a pesca e a caça dependem, exclusivamente, das reservas naturais, pois animais e vegetais nem sempre conseguem adaptar-se a grandes mudanças e, geralmente, são condenados à extinção afetando os recursos produtivos dos mais pobres dessas regiões afetadas, que migram com grande incerteza quanto ao futuro da sua vida e dos seus filhos. A temperatura da Terra já está com um grau acima daquela do período pré-industrial, por isso o acordo da 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, de Paris (Dez 2015), COP 21, chegou a um consenso entre as 192 nações de fazer de tudo para não ultrapassar dois graus na temperatura mundial. Isso significa que será preciso esforços de cada nação, e entre seus governos, para controlar o aumento da temperatura média, contribuindo com ações mais efetivas no enfrentamento das causas.

laudato 22O terceiro ponto abordado pela encíclica é a séria questão da água e a sua qualidade disponível aos mais pobres, que frequentemente são acometidos por doenças relacionadas a ela. Esse foi o foco da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 (Casa Comum: nossa responsabilidade”: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” Am 5,24) que abordou o tema do saneamento básico. A água potável, fruto da obra perfeita de Deus, sempre esteve disponível para o consumo de toda a humanidade, porém, devido à falta de respeito do homem com a natureza, que contaminou as nascentes e rios, e a alteração no ciclo das águas causada pelas mudanças climáticas,  atualmente, em muitos lugares, a procura de água excede a oferta, e traz graves consequências. Grandes cidades sofrem a falta de água e, além disso, sua escassez provoca o aumento no custo dos alimentos e de vários produtos que dependem de seu consumo. Em alguns lugares, cresce a tendência para se privatizar esse recurso natural, tornando-o uma mercadoria sujeita às leis do mercado. O Papa Francisco lembra, profeticamente, que o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, e que o clima é um bem comum, um bem de todos e para todos, e que ambos proporcionam condições essenciais para a vida.

Toda essas realidades levantadas na LS, pelo Papa Francisco, causam inquietação, e exige de todos uma tomada de consciência, do quanto cada um deve assumir para si, não só espiritualmente como também na prática, a responsabilidade  pessoal daquilo que acontece ao mundo, pois cada um, não só pode como deve fazer a sua parte, conscientizar-se e ajudar os outros a serem melhores no que diz respeito ao cuidado com a Casa Comum, no seu meio e junto aos seus.

É preciso ouvir o clamor da Mãe Terra, junto ao clamor dos seus filhos e filhas, que estão sofrendo com os impactos climáticos e ambientais mais evidentes como: dos povos que estão perdendo o seu território com o aumento do nível do mar, como é o caso de países constituídos em ilhas; dos que veem desaparecer rapidamente geleiras e neves nos altos das cordilheiras, como é o caso dos povos dos Andes, na América do Sul; dos migrantes refugiados, pela destruição de suas cidades, pela guerra de poderes; dos novos migrantes climáticos devido às secas prolongadas e desertificação, procurando lugar para viver com mínima dignidade; das pessoas que vivem em áreas de risco nas cidades, para onde foram empurradas pelos grileiros, grandes proprietários, donos de agronegócios;  das comunidades inteiras de indígenas do Peru ao Brasil, dizimadas por doenças e pelo desmatamento, com tribos prestes a desaparecer frente ao avanço do capital e da mercantilização da vida; dos que sofrem ou morrem pelas ondas de calor, como na Índia e no Oriente Médio (Irã e Iraque); do povo brasileiro, com as fortes estiagens no Sudeste e as piores secas no Nordeste. E ainda, as vítimas da corrupção e da violência ligadas ao progresso assentado no produtivismo, na exploração da Amazônia, na mineração indiscriminada, na construção das hidrelétricas que expulsa os ribeirinhos, de barragens improvisadas  (caso de Mariana-MG); tudo isso contribuindo para a destruição da ordem e da harmonia na criação e da integridade da casa comum, instalando o colapso ambiental.

Na LS, a humanidade é chamada a reconhecer que é parte da família universal e a viver em comunidade com nossa Mãe Terra. Cabe aos seres humanos tomarem consciência da necessidade de mudança nos estilos de vida, nas formas de  produzir e de consumir, para combater praticas que produzem o aquecimento  e, repensar o custo desse progresso sob o qual vivemos, bem como as empresas que lucram com isso. O sistema industrial de produção e consumo precisa adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras. Isso exige limitar o uso de recursos não renováveis, moderando o consumo, maximizando o aproveitamento, reutilizando e reciclando materiais. Torna-se urgente o desenvolvimento de políticas capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), substituindo os combustíveis fósseis por fontes alternativas de energia renováveis como a solar, a eólica, do movimento das águas, dos lixos e resíduos orgânicos (biomassa).

Reflete sobre a comunicação pela ação litúrgica.
Reflete sobre a comunicação pela ação litúrgica.

Segundo a Carta da Terra: é preciso reduzir, reusar e reciclar, reflorestar, respeitar e rejeitar o apelo ao consumo e tudo que possa poluir o ar a fim de impedir o aquecimento global, afinal toda a comunidade de vida deve ser “cuidada com compreensão, compaixão e amor” (Carta da Terra 1,2), afinal, “as gerações que nos sucederão têm o direito a receber um mundo habitável e não um planeta de ar contaminado” (Documento da Conferência de Aparecida,n.471).

 

 Para Refletir:

  1. Que sinais de desequilíbrio a Mãe Terra está emitindo nos dias de hoje?
  2. De que forma a reflexão sobre o aquecimento global e a questão da água apresentadas pelo Papa Francisco contribuem para o cuidado da “Casa Comum”?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

Aguarde a publicação da próxima ficha:                       A insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento (LS3).

Ao fazer uso deste texto, favor citar a fonte:  

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  •  http://www.ambientevirtual.org.br.

Apresentando a Encíclica “Laudato Si” (LS1)

A Encíclica “Laudato Si” (LS), do Papa Francisco, aborda o importante e complexo assunto da Ecologia, e foi dirigida a cada pessoa que habita o nosso planeta. Ela tem como objetivo recolocar tal debate no magistério eclesial e explicitar às “pessoas de boa vontade” que a Igreja se preocupa com todas as dimensões da vida e compartilha das angustias e tristezas presentes no mundo hodierno (GS); Para suscitar o estudo e entendimento deste documento o blog cmliturgo em parceria com a faculdade de Belo Horizonte, coloca a disposição as fichas de estudo sobre o tema. Aguardamos os seus omentários!

laudato_siA Encíclica “Laudato Si” (LS), do Papa Francisco, publicada em 25 de maio de 2015, aborda o importante e complexo assunto da Ecologia, e foi dirigida não só aos católicos, mas a cada pessoa que habita o nosso planeta. Ela tem como objetivo recolocar tal debate no magistério eclesial e explicitar às “pessoas de boa vontade” que a Igreja se preocupa com todas as dimensões da vida e compartilha das angustias e tristezas presentes no mundo hodierno (GS); especialmente aquelas que decorrem do desequilíbrio da natureza criada por Deus, tão ricamente apresentada no livro do Gênesis. Mais que isso, na mesma dinâmica do Jubileu da Misericórdia, a Encíclica faz uma profissão de fé plena de esperança nas infinitas capacidades da criatura humana que, se assim o desejar, pode reconstruir o mundo que sistematicamente tem destruído.

A preocupação com o meio ambiente há muito tempo está na pauta de vários documentos, mensagens e discursos pontifícios. Embora ainda num contexto religioso, ela aparece num discurso do Papa Pio XII a agricultores italianos em 1946 e depois em algumas de suas rádio mensagens. Paulo VI a retoma em várias ocasiões na perspectiva da justiça social e a partir de João Paulo II ela aparece com mais ênfase no seio da Igreja, até obter sua especificidade no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI), publicado em 2004, no capítulo décimo denominado Salvaguardar o
Ambiente.
Nessa época a preocupação ambiental já encontrava ressonância no mundo secular com as discussões promovidas pela ONU sobre a Ecologia, na segunda Conferência das Nações Unidas (1992) sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como “Cúpula da Terra” ou “Eco-
92”, realizada no Rio de Janeiro, e que teve como objetivo despertar a sociedade para os graves problemas causados pelo homem ao meio ambiente. Mais recentemente, em 2012, conhecida como “Rio +20”, a Conferência das Nações Unidas discutiu sobre o “Desenvolvimento Sustentável”, e em 2015, a “Conferência das Partes” “COP-21” discutiu sobre as mudanças climáticas. Isso vem mostrar a preocupação com o tema que o Papa Francisco retoma e desenvolve numa das mais relevantes
Encíclicas dos últimos tempos, a ponto de ser considerado um dos grandes interlocutores mundiais nos debates sobre as questões ambientais. Ainda que o Papa não tenha se apresentado como um expert, contou com a colaboração de eminentes cientistas e excelentes conhecedores do assunto, que o ajudaram a produzir um texto muito profundo sobre a relação entre os pobres e a fragilidade do planeta; a convicção de que tudo está interligado no mundo; a busca de novos meios para entender a economia e o progresso; o valor do ser humano no mundo; o sentido humano da ecologia; a crítica à cultura do descarte, entre outros temas que têm despertado o interesse de muitos que acreditam na construção de um mundo mais justo e solidário.
Na Encíclica LS, o papa Francisco explicita, de um modo mais amplo e profundo, sobre a responsabilidade de todos em cuidar da integridade da casa comum, e isso está no centro/âmago da mensagem cristã. Evangelizar é comprometer-se com a defesa e promoção da vida. Por extensão, cuidar do mundo, é cultivar posturas de cuidado, é cuidar do outro, sobretudo daqueles que mais precisam, daqueles que estão fragilizados e sofrem com as injustiças do mundo, os prediletos de
Deus. Cuidar é também um ato de louvor, pois quem cuida da Casa Comum, louva o criador e Senhor da vida. Sendo um documento eclesial, o Papa recorda os vários ensinamentos e as intervenções do Magistério eclesial católico sobre a questão ambiental, os ensinamentos dos últimos
papas e evoca os belos ensinamentos de São Francisco de Assis, sobre o cuidado, o amor e o respeito por tudo que existe, expressos no “Cântico das Criaturas”, o qual empresta o nome para a Encíclica.
laudato 22Sendo um homem do diálogo, o papa recorda o ensinamento em favor do meio ambiente do Patriarca ortodoxo Bartolomeu I, de Constantinopla, chamado de “patriarca verde” e a ação de tantos homens de bem, de várias religiões, que lutaram e ainda lutam, para que a Casa comum seja cuidada e preservada. E, sendo um bispo latino-americano, carrega em sua bagagem da vida, uma forte influência da teologia produzida nessa região que, desde a década de 1990, luta pela bandeira da preservação ambiental, defendendo a integração das ecologias ambiental, econômica e social.
A Encíclica LS contém seis capítulos que seguem a metodologia da teologia latino-americana do Ver-Julgar-Agir e Celebrar. No momento do ver, o papa apresenta a realidade dos problemas climáticos gerados pela aquecimento global; a crise hídrica e a poluição de nascentes e rios; o problema da perda ou destruição da biodiversidade causado pelo uso de defensivos agrícolas e pelo desmatamento indiscriminado, que comprometem a cadeia alimentar de várias espécies; pela pesca e pela caça predatórias; tudo contribuindo para degradar o meio ambiente e comprometer a qualidade de vida humana. Termina sua análise, manifestando seu estranhamento com o silêncio e/ou a indiferença de muitos, característica presente nas sociedades pós modernas.
O momento do julgar está dividido em três partes distintas: na primeira, o papa recorre à Sagrada Escritura, para destacar os textos que fazem alusão à obra da Criação e para refletir sobre o anúncio do Reino manifestado por Jesus e de seu convite aos discípulos missionários. Jesus é o Novo Adão
(Novo Homem) que reconstrói, com sua paixão-morte-ressurreição os laços que o pecado do velho homem rompeu. Jesus propõe o Reino como o novo Paraíso onde tudo era bom. Na segunda parte, recorre à tradição e ao magistério eclesial, recordando que a criação é um dom destinado ao bem comum e que, por isso, precisa ser preservado. Nessa parte do texto é possível verificar a influência da teologia franciscana, que enaltece o encontro com Deus através da natureza e de seus elementos, lembrando o que Santo Agostinho ensinou: que Deus teria escrito dois Livros, sendo que o primeiro deles foi a criação a natureza, a vida. Porque as pessoas não “souberam ler” a criação, o Livro da Vida, Deus inspirou os autores sagrados a escreverem o segundo Livro, a Bíblia, que narra a história
de amor de Deus pelo seu povo. Sem negar os tratados teológicos, o papa propõe a singeleza da prática cristã de Francisco, que sempre viveu  em harmonia com a natureza e chamou cada elemento de seu irmão e sua irmã. Finalmente, na terceira parte, analisa os sintomas que ele classificou como a raiz humana da crise socioambiental. Segundo ele, a globalização impôs a técnica como um novo paradigma que compromete a defesa da vida; e a a sociedade atual vive uma crise do antropocentrismo, ao entender que o homem moderno se acha altamente capaz de tudo, inventar e criar, e ao mesmo tempo se mostra frágil e incapacitado para superar conflitos advindos das relações humanas, principalmente aqueles fundamentados em relações de poder. Concluindo o julgar, apresenta o desafio de construirmos o que ele denominou de Ecologia Integral, que ultrapasse a mera conservação das espécies em extinção, e englobe todas as dimensões do viver humano: a economia, a política, a sociabilidade, a cultura e a justiça.
No momento do agir, o papa elenca uma série de orientações para o agir nos níveis pessoal, comunitário, nacional e internacional, destacando a importância do diálogo e da transparência na sociedade, buscando soluções que envolvam o bem comum. Nessa dinâmica, o Papa destaca a
importância das religiões e da educação na construção de novas sociedades, especialmente no que diz respeito ao diálogo com as ciências.
Na reflexão desse tópico é bastante conveniente refletir sobre as alternativas que inúmeros grupos e organizações têm sugerido na linha de desenvolvimento sustentável, que e insira o homem a partir de uma concepção de mundo biocêntrica e holística, e de uma economia solidária que vise o desenvolvimento e a integração social e respeite os ciclos da
natureza. O contato com essas experiências demonstram que a construção de outro mundo que seja includente e respeite o meio ambiente não só é possível, como viável economicamente.
No último momento, do celebrar, o papa lembra a importância da espiritualidade na vida humana, marcada por uma real conversão e por novas atitudes sociais e pessoais, que apontem para outro estilo de vida. Ela reconstrói os laços das criaturas com seu criador, revelando ao homem sua incompletude e a necessária busca do outro. Tal espiritualidade aponta que o ser humano é parte da natureza e não senhor e dono, pois dela depende a vida humana. Essa espiritualidade terá, portanto, a missão de reconstruir os laços entre a humanidade e o ambiente.
Seguindo o texto da Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (EG), retoma os valores simples e fundamentais da relação do homem consigo mesmo, com os outros, com a sociedade e com a natureza, na construção da civilização do amor, características presentes nos pobres de Deus, não simplesmente pelo estado da pobreza, mas da bem-aventurança porque confiam única e exclusivamente no Senhor. Trata-se, portanto, de um nova proposta de olhar a vida com os olhos do Criador, o que ele denomina de “conversão ecológica”, e que contribui para a formação de uma nova consciência de cidadão e de cristão.
Esta vivência, no âmbito da comunidade eclesial, se torna sinal da Trindade, da comunhão perfeita entre aqueles que acreditam num mundo mais justo, como sinal do Reino definitivo que busca recompor a criação. Nela, a vivência dos Sacramentos, especialmente a Comunhão, nos une ao
Criador e dá a certeza da presença bondosa e amorosa de Jesus Cristo que se entregou na Cruz para salvar a todos, e manifesta a misericórdia do Pastor que vai atrás da ovelha perdida, ou do Pai misericordioso que acolhe o filho pródigo arrependido.
Este é o desafio proposto aos Discípulos de Jesus, de serem alegres testemunhas e anunciadores da Boa Nova do Reino de Deus a todas as criaturas que compõem o mundo (Mc 16,15-20). Alegres como Maria, a “Rainha da Criação” e primeira evangelizadora, no seu canto de louvor ao criador, agradecida por ter sido escolhida para trazer ao mundo o autor da vida, o Verbo de Deus. Por tudo isso, o Papa conclama o mundo “a um debate que una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e tem impacto sobre todos nós”… “Espero que esta Carta Encíclica, que se insere no Magistério Social da Igreja, nos ajude a reconhecer a grandeza, a urgência e a beleza do desafio que temos pela frente”. (LSs 14, 15).
Que a reflexão proposta nas Fichas de Estudo seja momento para louvarmos e agradecermos pela vida, o maior dom de Deus e assim podermos, como Francisco de Assis, no Cântico do Irmão Sol, cantar “Louvado Seja, meu Senhor…”.
Para Refletir
1) Qual a importância da reflexão sobre a Ecologia na Evangelização?
2) Que perspectivas podem emergir para práticas pastorais mais ecológicas?
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Aguarde a publicação da próxima ficha:  O clamor da mãe Terra (LS2)

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