Celebrar o Mistério Eucaristíco – MISSA / Liturgia da Palavra

Neste segundo artigo sobre a Missa, escrito para o Jornal do Maranhão da Arquidiocese de São Luis(MA) refletimos e apresentamos os pontos principais da liturgia da Palavra.

Por: Diac. Carlos Magno Ericeira

Dando continuidade a nossa reflexão sobre a missa vamos abordar o que podemos dizer que é a segunda parte, liturgia da Palavra.

Mistagogia A missa é um encontro da Igreja com seu Deus e Pai, por Cristo no Espírito Santo. Em consequência disso a Palavra de Deus sempre terá lugar de destaque como parte integrante e indispensável na assembleia litúrgica.

Na missa a leitura da Bíblia se reveste de solenidade, pois acredi­tamos verdadeiramente que Deus nos fala. De nossa parte, devemos procurar acolher essa palavra como comunicação de vida. As Escrituras Sagradas não serão simplesmente lidas, mas proclamadas. Tudo devemos fazer para que essas sementes caiam na terra boa do nosso coração e produzam os frutos esperados.

As leituras tiradas da Bíblia para serem feitas durante a missa obedecem a um esquema previamente estudado[1]. Aos domingos são lidos três textos, com um salmo de resposta após a primeira leitura e uma aclamação antes do Evangelho. Percebe-se certa ligação temática entre a primeira leitura e o Evangelho; já a segunda leitura reforça aspectos práticos da vida do cristão e da comunidade.
Nos dias de semana são feitas apenas duas leituras e sem preocupação com temas, pelo menos no tempo chamado comum. Os textos são lidos numa ordem sequencial e a Igreja tem a intenção de que os principais livros da Bíblia e os Evangelhos sejam apresentados aos fiéis no decorrer de todo o ano litúrgico.

A liturgia da palavra divide-se em:

  • a) Entronização da Bíblia (facultativa)
  • b) Primeira Leitura (Na vigília pascal são sete e na vigília de pentecostes são até quatro com seus respectivos salmos)
  • c) Salmo responsorial
  • d) Segunda Leitura
  • e) Seqüência (facultativa no decorrer do ano, exceto Páscoa, Pentecostes e Corpus Christi)
  • f) Aclamação do Evangelho
  • g) Evangelho
  • h) Homilia
  • i) Profissão da fé (Símbolo – somente aos domingos, festas e solenidades)
  • j) Oração dos fiéis (ou da comunidade ou universal)

 

oferta-1-loja-virtualPara cada uma das subdivisões possíveis para a liturgia da palavra teríamos mais considerações a serem feitas, que podem e devem ser abordadas em outros artigos. Salientamos ao leitor os pontos principais e esperamos que este busque maior aprofundamento sobre as questões aqui abordadas.

No próximo artigo iremos comentar sobre a terceira parte da celebração, a liturgia Eucarística.

[1] A Igreja estabeleceu, para o Rito Romano, uma sequência de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos, nos domingos e nas solenidades. As leituras desses dias são divididas em ano A, B e C. No ano A leem-se as leituras do Ev. de Mateus; no ano B, o de Marcos  e no ano C, o de Lucas . Já o Ev. de João  é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades. Nos dias da semana do Tempo Comum, há leituras diferentes para os anos pares e para os anos ímpares, tirando o Evangelho, que se repete de ano a ano. Deste modo, os católicos, de três em três anos, se acompanharem a liturgia diária, terão lido quase toda a Bíblia.

Nota: Esta Matéria foi editada no Jornal do Maranhão, Ano XLVII- Nº83 – Setembro de 2016.

Apresentação / Estudo sobre Amoris Laetitia

Foi realizado no Auditório da PAULUS uma apresentação / Estudo sobre a ExortaçãoAmoris laititia Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco – Amoris Laetitia sobre o amor na família.

Assessorado pelo Diácono Carlos Ericeira, os participantes tiveram oportunidade de conhecer o contexto histórico, as atividades que antecederam a realização do sínodo e a estrutura do documento.

A síntese dos assuntos abordados neste encontro serão editadas aqui no blog CMLITURGO

 

 

Catequese e Liturgia (02)

Neste artigo continuamos a meditação sobre Catequese e Liturgia – duas faces do mesmo mistério

Mistagogia 1. O Concílio Vaticano II e a catequese

O Concílio Vaticano II não tratou especificamente da Catequese, mas o pouco que disse foi suficiente para iluminar a sua caminhada até os dias atuais. O Decreto sobre a atividade missionária da Igreja, Ad Gentes, ressalta o grande valor da catequese na ação pastoral, dizendo que “o ofício dos catequistas assume máxima importância em nossos dias(…) diante da tarefa de evangelizar tantas multidões”…(17,914). Já o Decreto Christus Dominus, sobre a ação pastoral dos bispos, pede aos pastores que “Preocupem-se com a instrução catequética, que tem por fim tornar viva, explícita e operosa a fé ilustrada pela doutrina, seja administrada com diligente cuidado quer às crianças e adolescentes, quer aos jovens e mesmo adultos(…). Esta instrução se baseie na Sagrada Escritura, na Tradição, na Liturgia, no Magistério e na vida da Igreja”(14,1043).Em se tratando da necessária interação entre catequese e Liturgia, foi a Declaração sobre a Educação Cristã, intitulada Gravissimum Educationis, que mais claramente definiu o objetivo da catequese, ao afirmar que ela “ilumina e fortifica a fé, nutre a vida segundo o espírito de Cristo, leva a uma participação consciente e ativa no mistério litúrgico e desperta para a atividade apostólica”(4,1509).

2. Catequese Hoje

O papa João Paulo II escreveu um importante documento sobre a catequese, chamado Catechesi Tradendae, no qual afirma:  “A catequese está intrinsecamente ligada com toda a ação litúrgica e sacramental, porque é nos Sacramentos, e sobretudo na Eucaristia, que Cristo Jesus age em plenitude para a transformação dos homens.(…) A catequese leva necessariamente aos sacramentos da fé. Por outro lado, uma autêntica prática dos Sacramentos tem forçosamente um aspecto catequético. Por outras palavras, a vida sacramental se empobrece e bem depressa se torna um ritualismo oco, se ela não estiver fundada num conhecimento sério do que significam os sacramentos. E a catequese intelectualiza-se, se não haurir vida numa prática sacramental” (CT 23).

Clique aqui e conheça a loja virtual do cmliturgo
Clique aqui e conheça a loja virtual do cmliturgo

3. O documento Catequese Renovada

Mas o grande marco na dimensão catequética, para nós, brasileiros, foi o documento 26 da CNBB, Catequese Renovada (CR). Seu impacto mudou a rota da caminhada da catequese, além de influenciar profundamente outras dimensões da pastoral da Igreja, tal foi o seu alcance. Dois números desse documento merecem destaque por refletirem a importante interação entre Catequese e Liturgia. No número 89 se lê: “Não só pela riqueza de seu conteúdo bíblico, mas pela sua natureza de síntese e cume de toda a vida cristã, a Liturgia é fonte inesgotável de Catequese. Nela se encontram a ação santificadora de Deus e a expressão orante da fé da comunidade.  As celebrações litúrgicas, com a riqueza de suas palavras e ações, mensagens e sinais, podem ser consideradas uma “catequese em ato”. Mas, por sua vez, para serem bem compreendidas e participadas, as celebrações litúrgicas ou sacramentais exigem uma catequese de preparação ou iniciação”. E o número posterior acrescenta: “A Liturgia, com sua peculiar organização do tempo (domingos, períodos litúrgicos como Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, etc) pode e deve ser ocasião privilegiada de catequese, abrindo novas perspectivas para o crescimento da fé,  através das orações, reflexão, imitação dos santos, e descoberta não só intelectual, mas também sensível e estética dos valores e das expressões da vida cristã” (CR 90).

Artigo escrito pelo Pe. Vanildo de Paiva

Aguarde em breve iremos editar mais um artigo sobre este tema…. se você não leu o artigo nº I é só clicar aqui e prestigiar.