A desigualdade que não encontra resistência (LS4).

A quarta Ficha de estudo sobre a Encíclica Laudato SI aponta a íntima ligação entre desigualdade planetária e degradação socioambiental, nas quais os mais pobres são os que mais sofrem, o que se constituí um grave pecado social.

A quarta Ficha de estulaudato_si do sobre a Encíclica Laudato SI aponta a íntima ligação entre desigualdade planetária e degradação socioambiental, nas quais os mais pobres são os que mais sofrem, o que se constituí um grave pecado social. As reações a este estado de degradação são tímidas, se comparadas com as dos defensores da manutenção desta conduta exploratória. Ao mesmo tempo, se constata a radicalidade de opiniões: de um lado, a defesa a todo custo, do mito do progresso; de outro, a condenação a todo e qualquer tipo de intervenção do homem no meio ambiente. Abordando estes três tópicos designados como “Desigualdade planetária”, “Fraqueza das reações” e “Diversidade de opiniões”,
que completam o capítulo I, a Encíclica encerra o momento do Ver.

 Desigualdade Planetária

Recordando a Carta Pastoral dos bispos da Bolívia sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, o Papa considera que a degradação ambiental e a desigualdade social, se revelam uma grave desigualdade planetária, que atinge de forma maiF107s grave os pobres  El universo, dom de Dios para la vida, 17), privados de condições econômicas que garantem o acesso à alimentação, à água potável e ao saneamento básico para a sua sobrevivência. Além disso, eles são as maiores vítimas de acidentes causados pela intervenção do homem na natureza, como foi o caso do vazamento de óleo tóxico que aconteceu na Petroperu, na bacia do Rio Marañon, em janeiro de 2016, que trouxe consequências para todo o bioma da Amazônia e, também, do rompimento da barragem do Fundão (MG), em novembro de 2015, que contaminou o Rio Doce, cujo material poluente se estendeu por cerca de duzentos quilômetros.

Corporações internacionais têm seus interesses econômicos voltados para a Amazônia, cujo ecossistema abriga reservas mundiais de florestas, de minerais, da fauna e da flora com grande diversidade biológica; contrariamente a isso, as populações nativas da região são ignoradas por não terem esses mesmos interesses e não conseguirem que seus territórios sejam demarcados, legalizados e reconhecidos. Os bispos da América Latina e do Caribe, reunidos em Aparecida, como profetas da vida, insistem que, “nas intervenções sobre os recursos naturais, não predominem os interesses de grupos econômicos que arrasam irracionalmente as fontes de vida, em prejuízo de nações inteiras e da própria humanidade” (Documento de Aparecida 471). O Papa Francisco lembra que “não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social” e também, como a justiça e a caridade devem integrar esses debates, pois é preciso ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres (LS 49).

banner de divulgação da loja virtual do cmliturgo
Acesse a loja virtual do cmliturgo e ganhe um cupom desconto de 5% para compras . 

Segundo o Papa, para muitos, a solução dos problemas sociais do mundo não está no enfrentamento da pobreza, mas no controle da natalidade, inclusive, condicionada à ajuda econômica internacional aos países em desenvolvimento e considera essa atitude como uma forma de não enfrentar o problema, pois não leva em conta outras causas, como a desigualdade provocada pelo consumismo exacerbado e seletivo. Os desequilíbrios comerciais com consequências no âmbito ecológico, o uso desproporcional e não consciente dos recursos naturais, e as exportações de matérias primas para satisfazer os mercados dos países industrializados são exemplos de fatores que contribuíram para a criação de uma “dívida ecológica”, particularmente entre os hemisférios do Norte e do Sul. O grande consumo praticado nos países ricos (do Norte) tem repercussões negativas nos países mais pobres (do Sul), veja-se, por exemplo, o caso das toneladas do lixo eletrônico descartadas na África, resultado do consumo dos países da Europa. Há ainda o fato das empresas multinacionais cujas filiais, em outros países, (ou sucursais) poluem indiscriminadamente o meio ambiente porque em seus países de origem as leis são mais rígidas e não permitem esse comportamento. Se a dívida externa de países pobres transformou-se em um instrumento de controle, o mesmo ainda não se dá com a dívida ecológica. “É necessário que os países desenvolvidos resolvam esta dívida uma vez que eles possuem fontes de energia não poluentes e renováveis e podem até fornecer recursos aos que necessitam de políticas e programas de desenvolvimento sustentável” (LS, 52).

 A fraqueza das reações

O Papa Francisco declara a sua preocupação com a fraqueza da reação da política internacional diante da atitude de submissão à tecnologia e às finanças postas acima do meio ambiente, conforme demonstram as cúpulas mundiais, demonstrando que o interesse econômico tende a prevalecer sobre o bem comum.

Apesar de haver crescido a sensibilidade ecológica das populações, isso ainda não é suficiente para mudar hábitos de consumo que violentam o meio ambiente. Além disso, há o crescimento de uma ecologia superficial que leva à irresponsabilidade, dando a entender que as coisas não são graves e o planeta pode subsistir por muito tempo nas condições atuais, um modo de não reconhecer os problemas ambientais e adiar decisões. O Papa alerta que as desigualdades devem causar-nos indignação e perplexidade e que a indiferença, os interesses pessoais e o egoísmo tendem a piorar os problemas socioambientais. Na Evangelii Gaudium (EG), já afirmava sua preocupação com os interesses do mercado acima de tudo: “qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em regra absoluta” (EG, 56).

 A diversidade de opiniões

Ao ver toda essa situação, que demonstra a falta de resistência às desigualdades, também se reconhece que já surgem tentativas de possíveis soluções. Entretanto, há uma diversidade de opiniões extremadas, pois existem aqueles que defendem o mito do progresso, acreditando que tudo poderá se resolver somente pela técnica, sem considerações éticas; e outros, que desenvolvem o pensamento de que, uma vez que o ser humano é o causador da degradação e do comprometimento do ecossistema mundial, são favoráveis a impedir essa intervenção através da redução de sua presença no planeta. Somente por meio de um diálogo global permeado de solidariedade será possível chegar a respostas plausíveis, diante de problemas tão amplos e complexos.

Na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra Eco 92, países emergentes enfrentaram a pressão internacional por reconhecerem o quanto os países industrializados poluíram o planeta para se desenvolverem durante os séculos XIX e XX. Dez anos depois, a ONU realizou a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo (África do Sul), a qual, apesar do aparente interesse, pouco se avançou, pois os países ricos não desejaram abrir mão de seu estilo de vida e exploração dos recursos. O Acordo de Paris é considerado o maior tratado da história da ONU e prevê uma série de compromissos dos países participantes pautados na redução do aquecimento global e do desmatamento.

A Encíclica conclui que a missão da Igreja “é promover o debate honesto entre os cientistas, respeitando a diversidade de opiniões” (LS, 61). A esperança cristã afirma a existência de uma saída, uma resistência à destruição, pois os seres humanos são capazes de cuidar da casa comum que o Criador lhes entregou para que “a cultivasse e a guardasse” (Gn2, 15).

Para Refletir:

1) Por que, para resolver os problemas do meio ambiente, a abordagem ecológica deve ser associada a uma abordagem social?

2) Como cada um de nós pode contribuir para que mais pessoas lutem contra a desigualdade no planeta?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, presencialmente,  com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

Aguarde a publicação da próxima ficha: – Deus criou a terra para  a vida  (LS5).

 

Ao fazer uso deste texto, favor citar a fonte.

http://www.cmliturgo.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *