O ser humano, guardião dos bens da criação (LS 6)

Esta Ficha apresenta a segunda reflexão sobre o julgar, presente nos tópicos três e quatro do segundo capitulo da Encíclica Laudato Si. A base dessa reflexão está na teologia da Criação, expressão do mistério do amor de Deus, pois a existência de cada uma das espécimes manifesta a ação criadora de Deus e por meio de cada uma delas Ele continua criando.

cropped-cmliturgo-3-1.jpg Esta Ficha apresenta a segunda reflexão sobre o julgar, presente nos tópicos três e quatro do segundo capitulo da Encíclica Laudato Si. A base dessa reflexão está na teologia da Criação, expressão do mistério do amor de Deus, pois a existência de cada uma das espécimes manifesta a ação criadora de Deus e por meio de cada uma delas Ele continua criando. Seguindo as pegadas da teologia bíblica, soma-se a contribuição da teologia franciscana, que explicita a relação homem e natureza de forma ampla e integral, expressa no Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis e também da teologia cósmica do Pe. Teilhard de Chardin. Ambas demostram que a realização da vocação humana se dá na profunda relação com todas as criaturas e com o universo e no esforço em preservar e reconstruir, onde se fizer necessário, as condições de vida para todos os seres. Agindo dessa forma, o ser humano estará preservando o meio ambiente, as relações e a sua própria vida.

 O mistério do universo

trigoA encíclica destaca a ecologia integral, indicando que segundo a tradição judaico cristã toda a criação é fruto do amor de Deus, segundo a qual cada criatura tem valor e razão de ser. Ela não é fruto do acaso, mas da vontade de Deus que tudo criou e “viu que tudo era bom” (Gn 1, 25).

O homem, como parte integrante da criação e primeiro beneficiário, é chamado a ser guardião da “Casa Comum”, para que possa viver e dar abrigo as outras criaturas. Para cumprir tal responsabilidade Deus dotou-o de inteligência e capacidade para descobrir a sua vocação em relação a cada ser que existe no universo, tal qual cantou São Francisco. Este caminhar vocacional ajudará o homem a se constituir como pessoa aberta à transcendência de Deus, que reconhece o significado e a beleza misteriosa de tudo o que existe no mundo, como expressão da grandiosidade do Criador. Através da liberdade, o homem escolhe construir a “apaixonante e dramática história humana” que o levará “à vida”, à salvação e ao amor, ou, pelo contrário, “à morte”, num percurso de declínio e mútua destruição (Sl 1). Na descoberta de sua vocação, a criatura humana conta com a ajuda da comunidade eclesial para encontrar o caminho para o bem, afastando o mal presente no seu coração (Caritas in Veritate, 687) No Evangelho anunciado por Jesus o mundo é casa comum de todos e para todos e toda criatura humana é chamada a guardá-lo e protegê-lo. Na antecipação do reino, o Discípulo Missionário segue o seu Mestre e Senhor e se coloca a serviço da comunhão e dos menores “quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo” (Mt 20, 25-26) (LS 82).

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Tal reflexão esta embasada na concepção de que a ciência não se opõe à fé, como muitos interpretaram na teologia criacionista (ainda não plenamente superada), que se opunha à Teologia da Criação. São João Paulo II, na Encíclica Fides e Ratio, lembrou que a ciência existe para colaborar com a fé e as duas são importantes para compreender a criação do mundo. Resgatando o pensamento do Pe. Teilhard de Chardin [1], o papa Francisco lembra que as criaturas não existem para o simples bem estar e usufruto do homem, mas como criaturas nascidas do coração de Deus e todas têm a sua razão de ser no mundo; a de contribuir na construção da pessoa humana e junto com todas as demais criaturas caminhar para “a meta comum”, que é Deus, numa plenitude transcendente onde Cristo ressuscitado tudo abraça e ilumina.

 A mensagem de cada criatura na harmonia de toda a criação

O papa destaca que para a teologia bíblica, a vida de todas as criaturas é uma mensagem de Deus pelo ser humano e ele próprio uma mensagem para os outros seres. “Todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós. Alcançar essa compreensão se insere num caminho espiritual de contemplação que poucos experimentaram. Citando os bispos do Japão, o papa destaca que “Sentir cada criatura que canta o hino da sua existência é viver jubilosamente no amor de Deus e na esperança”. De outro lado, ao compreender a mensagem de Deus deixada em cada criatura, o homem se reconhece também como mensagem divina para as outras pessoas e também para os outros seres. Escolher uma vida em Deus é fazer-se sinal de comunhão e serviço a todas as criaturas de Deus. Para ilustrar esse pensamento o Papa Francisco inseriu na encíclica o cântico de São Francisco de Assis. Ao se refletir sobre este cântico, percebe-se a sensibilidade de São Francisco de Assis com a natureza e o universo, que também T. Chardin vivenciou, em sua produção teológica e na vida. Ambos deixaram se mover pelo encanto do universo como obra do amor de Deus, olhando amorosamente o mundo e todos os seres que nele habitam. Desenvolveram a espiritualidade da escuta e da atenção, do cuidado e da sensibilidade, do respeito e do amor por tudo que existe, fazendo Deus transparecer em todas as coisas. Por isso, a partir deles devemos repensar nossa relação com a criação, com a natureza, pois motiva um novo olhar sobre a Terra, mãe que acolhe, abriga e nos faz irmãos. E com São Francisco poderemos cantar o “Louvado Sejais Senhor!” pela “Igreja em saída”, cinquenta anos após o Concílio Vaticano II, em que o Papa Francisco abre a porta do Ano Santo da Misericórdia e Solidariedade, uma oportunidade para assumir e enfrentar os desafios ecológicos do nosso tempo.

No documento “A Igreja e a Questão Ecológica” os bispos brasileiros destacaram que a natureza, é também o lugar da manifestação de Deus, “o lugar da sua presença” ainda que não em plenitude. Descobrir esta presença estimula o desenvolvimento das “virtudes ecológicas”, que o Papa tem recomendado insistentemente, como modo de viver a espiritualidade cristã. Entre elas podemos citar: simplicidade, humildade, respeito e sobriedade no uso dos bens da natureza, contemplação e paz interior, alegria e serenidade, reverência, louvor e gratidão ao Criador pelos bens da criação, cuidar da criação com pequenas ações diárias e participação na construção do bem comum, ternura nas relações, solidariedade e partilha, compaixão, amor e perdão, corresponsabilidade coletiva, a auto limitação e a justa medida, virtudes que toda criatura humana deve cultivar para reconhecer o seu lugar verdadeiro e próprio, o de ser criatura, uma mensagem de Deus para todos os outros seres. Oxalá, a criatura alcance essa percepção de mensagem e mensageiro de Deus.

Nota

[1] Pierre de Teilhard de Chardin (1881-1955), foi um padre jesuíta francês, de formação científica (paleontólogo e geólogo), filósofo e teólogo que rompeu fronteiras entre a ciência e a fé, com sua teoria evolucionista. Em 1922 foi acusado de negar o dogma do pecado original e foi proibido de ensinar teologia. Transferido para a China, continuou suas pesquisas, sempre destacando que a fé não contradizia a ciência. Somente em 1981, 26 anos depois de sua morte, a Igreja reconheceu seu valor, incorporando seus escritos no magistério eclesial, seu pensamento permeia um dos documentos mais importantes do Concílio Vaticano II, a Gaudium et Spes; também a Encíclica Fides e Ratio demonstra a importância da ciência para a fé. O papa Bento XVI também fez referências à sua teologia e o Papa Francisco a cita explicitamente na LS.

 

 

 Para Refletir

1) Qual o sentido da vida humana na Teologia da Criação? Como resgatá-lo em meio aos desafios ecológicos da atualidade?

2) Reflita sobre o Cântico da Criaturas, de São Francisco. Qual a frase que mais chama a sua atenção?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários.

Aguarde a publicação da próxima ficha: – Jesus Cristo o verdadeiro sentido da comunhão universal (LS-7)

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Deus criou a Terra para a Vida (LS – 5)

Essa Ficha aborda os dois primeiros tópicos do 2º Capítulo da LS, “O Evangelho da Criação”, que dão inicio ao momento do julgar a realidade apresentada nas fichas anteriores, à luz da fé, apresentando o olhar teológico sobre a ecologia.

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Essa Ficha aborda os dois primeiros tópicos do 2º Capítulo da LS, “O Evangelho da Criação”, que dão inicio ao momento do julgar a realidade apresentada nas fichas anteriores, à luz da fé, apresentando o olhar teológico sobre a ecologia. Eles revelam o esforço do Papa Francisco em fazer  a  Igreja  dialogar com o mundo, tal como propôs a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, ao mostrar que a fé não se opõe à ciência, antes, ela revela o olhar cristão sobre as questões que afetam a ecologia. Através das ciências bíblicas e da teologia da criação, o Papa faz uma releitura das narrações bíblicas e articula três elementos: a dignidade de cada pessoa humana; a pessoa como ser relacional com Deus, com o próximo e com a terra; e a responsabilidade de cada pessoa diante da criação, para destacar que a vocação do ser humano dada por Deus não foi a de se constituir senhor da natureza, mas como cuidador das maravilhas criadas, para que ele e seus semelhantes tenham vida plena.

A luz que a fé oferece

Para a complexa crise ecF.108ológica e as suas múltiplas causas (cf. Fichas de estudo editadas anteriormente LS1, LS2, Ls3 e LS4) o Papa sugere que é preciso reconhecer que as soluções não podem vir de uma única maneira de interpretar e transformar a realidade. É preciso recorrer às diversas riquezas culturais dos povos, à arte e à poesia, à vida interior e à espiritualidade, e às tradições religiosas, especialmente à judaico cristã. Aponta que, para construir verdadeiramente uma ecologia que permita reparar tudo o que tem sido destruído no planeta, é preciso somar a contribuição das ciências, das diversas formas de sabedoria das culturas e das religiões e, por isso, ele  apresenta  a teologia cristã,  que ilumina e ajuda a compreender os desafios relacionados à ecologia. No Evangelho de Mateus 5, 13, Jesus chama  os discípulos de “sal da terra e luz do mundo”! Assim, o olhar do cristão sobre a Ecologia também deve ter uma motivação que nasce da fé comprometida, que testemunha a natureza como obra de Deus, o único senhor do Mundo. Não há outro.

A sabedoria das narrações bíblicas

Na releitura do Livro de Gênesis e do Novo Testamento, o Papa  compreende a criação como obra trinitária, cumprida pelo Pai, através do Filho, no sopro do Espírito Santo. Todo o universo, criado por Deus e também habitado pela sua presença, está destinado à salvação. A Encíclica oferece uma visão global da tradição judaico-cristã, na qual três elementos importantes da teologia da criação podem ser verificadas nas narrativas bíblicas.

O primeiro, ensina que cada ser humano possui dignidade porque é criado por amor, feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26), concebido no seu coração como alguém querido, amado e necessário, capaz de se conhecer e comunicar, de se possuir e de livremente se doar.

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O segundo elemento é a capacidade do ser humano de entrar em comunhão, com Deus, com outras pessoas (CIC 357) e com a terra, como um ser relacional que se constrói justamente na busca do sentido de sua vida em Deus, no outro e na sua interação com a natureza. Porém, estas três relações vitais foram rompidas pelo pecado, quando o homem interpretou o “dominar a terra” no sentido de fazer-se senhor absoluto dela, explorando  e destruindo ao seu bel prazer, não percebendo que Deus o convidara para “cultivar e guardar” a natureza. Isso transformou a relação ser humano e natureza num conflito (Gn 3, 17-19), devido à  pretensão do ser humano de ocupar o lugar de Deus, e na recusa de reconhecer-se como criatura limitada. Hoje, o pecado manifesta-se com toda a sua força de destruição nas guerras, nas várias formas de violência e abuso, no abandono dos mais frágeis, nos ataques contra a natureza. Lembrando o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, da Igreja Ortodoxa, o Papa Francisco destaca que a destruição da biodiversidade  é “um crime contra a natureza, contra nós mesmos e um pecado contra Deus” (LS, 8).

Por fim, o terceiro elemento da teologia da criação é a responsabilidade humana diante da criação, que consiste em cultivar, ato de servir e trabalhar a terra, que implica respeitá-la, não explorá-la sem medida, com o compromisso de torná-la um lugar habitável e agradável para todos. No mesmo sentido, guardar significa velar por, ou seja, preocupar-se com, e isso, perante uma terra que é de Deus, implica que o ser humano, dotado de inteligência e liberdade, precisa respeitar as leis da  natureza e os delicados equilíbrios entre as relações dos seres deste mundo. Deve tomar da bondade da terra aquilo de que necessita para sua sobrevivência, mas com o dever de protegê-la, cuidá-la, administrá-la e preservá-la, numa relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza, e assim garantir o potencial da sua fertilidade para as gerações futuras.

A Encíclica mostra e ensina que a responsabilidade está relacionada o cuidado que o ser humano deve ter nas relações consigo, com o outro, com Deus e com a terra, e da percepção de sua vocação. A narração teológica do conflito entre Caim e Abel (Gn 4,9-12) demonstra como o descuido no relacionamento com o próximo pode destruir os outros relacionamentos. Diante da maldade generalizada presente  no coração humano, da qual  Caim se constitui como um importante exemplo (Gn 6,13), Deus decide abrir um caminho de salvação através de Noé, que ainda se mantinha íntegro e justo, e dá à humanidade a possibilidade de um recomeço, pois, basta existir pelo menos um ser humano bom para que haja esperança. Quando as relações são negligenciadas, quando a justiça deixa de habitar a terra, a Bíblia diz que a vida de todos está em perigo.  É nessa perspectiva que os vários códigos de leis devem ser interpretados, pois eles foram criados para proteger a vida dos indefesos, inclusive dos menores seres vivos (Dt 22,4.6; Ex 23,12). Isso pode ser verificado nas Escrituras Sagradas, sobre a lei do Shabbat (Gn 2,2-3; Ex 16,23; 20,10), e sobre o jubileu, um ano de perdão universal (Lv 25,10). Essa legislação assegurava o equilíbrio e a equidade nas relações e ao mesmo tempo um reconhecimento de que a dádiva da terra com os seus frutos pertence a todo o povo e que devia ser partilhado, especialmente com os pobres, as viúvas, os órfãos e os estrangeiros.

laudato 22Nessa mesma perspectiva, o livro dos Salmos e da Sabedoria recordam que todos os seres vivos têm um valor próprio diante de Deus, e que o ser humano é chamado a respeitar a terra e a louvar a Deus, o sábio Criador, porque eterno é o seu amor (Sl 136/135,6). Também nos escritos dos profetas, que anunciavam a vontade de Deus e denunciavam a injustiça dos homens pois, para eles, o Deus que criou o mundo é o mesmo que salva da escravidão do pecado e convida o povo a viver na liberdade e na justiça, recordando o projeto do amor a todas as criaturas e apontando que cada uma tem o seu valor e o seu significado (Is 40,28-b29; Jr 32,17.21).

O Papa utiliza dessas narrações do Antigo Testamento, para demonstrar a convicção atual de que tudo está inter-relacionado e que o autêntico cuidado com a própria vida e com as relações com os outros, com Deus e com a natureza são inseparáveis da fraternidade, da justiça e da fidelidade.

Para Refletir:

1)   Em que sentido esta Ficha pode nos ajudar a compreender  melhor o lugar da criatura humana na criação de Deus?

2)  Como cristãos, nossa fé tem nos impulsionado a cuidar e melhorar  nossas relações com Deus, com a natureza e com os irmãos? Como?

Orientações para a Interação:

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A desigualdade que não encontra resistência (LS4).

A quarta Ficha de estudo sobre a Encíclica Laudato SI aponta a íntima ligação entre desigualdade planetária e degradação socioambiental, nas quais os mais pobres são os que mais sofrem, o que se constituí um grave pecado social.

A quarta Ficha de estulaudato_si do sobre a Encíclica Laudato SI aponta a íntima ligação entre desigualdade planetária e degradação socioambiental, nas quais os mais pobres são os que mais sofrem, o que se constituí um grave pecado social. As reações a este estado de degradação são tímidas, se comparadas com as dos defensores da manutenção desta conduta exploratória. Ao mesmo tempo, se constata a radicalidade de opiniões: de um lado, a defesa a todo custo, do mito do progresso; de outro, a condenação a todo e qualquer tipo de intervenção do homem no meio ambiente. Abordando estes três tópicos designados como “Desigualdade planetária”, “Fraqueza das reações” e “Diversidade de opiniões”,
que completam o capítulo I, a Encíclica encerra o momento do Ver.

 Desigualdade Planetária

Recordando a Carta Pastoral dos bispos da Bolívia sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, o Papa considera que a degradação ambiental e a desigualdade social, se revelam uma grave desigualdade planetária, que atinge de forma maiF107s grave os pobres  El universo, dom de Dios para la vida, 17), privados de condições econômicas que garantem o acesso à alimentação, à água potável e ao saneamento básico para a sua sobrevivência. Além disso, eles são as maiores vítimas de acidentes causados pela intervenção do homem na natureza, como foi o caso do vazamento de óleo tóxico que aconteceu na Petroperu, na bacia do Rio Marañon, em janeiro de 2016, que trouxe consequências para todo o bioma da Amazônia e, também, do rompimento da barragem do Fundão (MG), em novembro de 2015, que contaminou o Rio Doce, cujo material poluente se estendeu por cerca de duzentos quilômetros.

Corporações internacionais têm seus interesses econômicos voltados para a Amazônia, cujo ecossistema abriga reservas mundiais de florestas, de minerais, da fauna e da flora com grande diversidade biológica; contrariamente a isso, as populações nativas da região são ignoradas por não terem esses mesmos interesses e não conseguirem que seus territórios sejam demarcados, legalizados e reconhecidos. Os bispos da América Latina e do Caribe, reunidos em Aparecida, como profetas da vida, insistem que, “nas intervenções sobre os recursos naturais, não predominem os interesses de grupos econômicos que arrasam irracionalmente as fontes de vida, em prejuízo de nações inteiras e da própria humanidade” (Documento de Aparecida 471). O Papa Francisco lembra que “não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social” e também, como a justiça e a caridade devem integrar esses debates, pois é preciso ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres (LS 49).

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Segundo o Papa, para muitos, a solução dos problemas sociais do mundo não está no enfrentamento da pobreza, mas no controle da natalidade, inclusive, condicionada à ajuda econômica internacional aos países em desenvolvimento e considera essa atitude como uma forma de não enfrentar o problema, pois não leva em conta outras causas, como a desigualdade provocada pelo consumismo exacerbado e seletivo. Os desequilíbrios comerciais com consequências no âmbito ecológico, o uso desproporcional e não consciente dos recursos naturais, e as exportações de matérias primas para satisfazer os mercados dos países industrializados são exemplos de fatores que contribuíram para a criação de uma “dívida ecológica”, particularmente entre os hemisférios do Norte e do Sul. O grande consumo praticado nos países ricos (do Norte) tem repercussões negativas nos países mais pobres (do Sul), veja-se, por exemplo, o caso das toneladas do lixo eletrônico descartadas na África, resultado do consumo dos países da Europa. Há ainda o fato das empresas multinacionais cujas filiais, em outros países, (ou sucursais) poluem indiscriminadamente o meio ambiente porque em seus países de origem as leis são mais rígidas e não permitem esse comportamento. Se a dívida externa de países pobres transformou-se em um instrumento de controle, o mesmo ainda não se dá com a dívida ecológica. “É necessário que os países desenvolvidos resolvam esta dívida uma vez que eles possuem fontes de energia não poluentes e renováveis e podem até fornecer recursos aos que necessitam de políticas e programas de desenvolvimento sustentável” (LS, 52).

 A fraqueza das reações

O Papa Francisco declara a sua preocupação com a fraqueza da reação da política internacional diante da atitude de submissão à tecnologia e às finanças postas acima do meio ambiente, conforme demonstram as cúpulas mundiais, demonstrando que o interesse econômico tende a prevalecer sobre o bem comum.

Apesar de haver crescido a sensibilidade ecológica das populações, isso ainda não é suficiente para mudar hábitos de consumo que violentam o meio ambiente. Além disso, há o crescimento de uma ecologia superficial que leva à irresponsabilidade, dando a entender que as coisas não são graves e o planeta pode subsistir por muito tempo nas condições atuais, um modo de não reconhecer os problemas ambientais e adiar decisões. O Papa alerta que as desigualdades devem causar-nos indignação e perplexidade e que a indiferença, os interesses pessoais e o egoísmo tendem a piorar os problemas socioambientais. Na Evangelii Gaudium (EG), já afirmava sua preocupação com os interesses do mercado acima de tudo: “qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em regra absoluta” (EG, 56).

 A diversidade de opiniões

Ao ver toda essa situação, que demonstra a falta de resistência às desigualdades, também se reconhece que já surgem tentativas de possíveis soluções. Entretanto, há uma diversidade de opiniões extremadas, pois existem aqueles que defendem o mito do progresso, acreditando que tudo poderá se resolver somente pela técnica, sem considerações éticas; e outros, que desenvolvem o pensamento de que, uma vez que o ser humano é o causador da degradação e do comprometimento do ecossistema mundial, são favoráveis a impedir essa intervenção através da redução de sua presença no planeta. Somente por meio de um diálogo global permeado de solidariedade será possível chegar a respostas plausíveis, diante de problemas tão amplos e complexos.

Na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra Eco 92, países emergentes enfrentaram a pressão internacional por reconhecerem o quanto os países industrializados poluíram o planeta para se desenvolverem durante os séculos XIX e XX. Dez anos depois, a ONU realizou a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo (África do Sul), a qual, apesar do aparente interesse, pouco se avançou, pois os países ricos não desejaram abrir mão de seu estilo de vida e exploração dos recursos. O Acordo de Paris é considerado o maior tratado da história da ONU e prevê uma série de compromissos dos países participantes pautados na redução do aquecimento global e do desmatamento.

A Encíclica conclui que a missão da Igreja “é promover o debate honesto entre os cientistas, respeitando a diversidade de opiniões” (LS, 61). A esperança cristã afirma a existência de uma saída, uma resistência à destruição, pois os seres humanos são capazes de cuidar da casa comum que o Criador lhes entregou para que “a cultivasse e a guardasse” (Gn2, 15).

Para Refletir:

1) Por que, para resolver os problemas do meio ambiente, a abordagem ecológica deve ser associada a uma abordagem social?

2) Como cada um de nós pode contribuir para que mais pessoas lutem contra a desigualdade no planeta?

Orientações para a Interação:

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Aguarde a publicação da próxima ficha: – Deus criou a terra para  a vida  (LS5).

 

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A insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento (LS3)

logo do blog CMLITURGO
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Continuando com o momento do ver, nesta ficha serão abordados dois tópicos de suma importância, que são referentes ao desequilíbrio do meio ambiente e ao tecido social: Perda de biodiversidade e Deterioração da qualidade de vida humana e degradação social. Ambos mostram claramente a insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento que prescinde da natureza e atenta contra ela. Aliados aos temas tratados na ficha anterior, percebe-se que a ação predatória sobre os recursos naturais atinge gradativamente as espécies vegetais e minerais que são úteis para a alimentação e para a medicina, interfere profundamente na vida animal, provocando a extinção de muitas delas, gerando carências que levam à migração humana e à degradação da qualidade de vida, causando uma urbanização sem planejamento, portanto desorganizada e caótica. As modernas tecnologias de comunicação social, que deveriam ser aplicadas para o crescimento e fortalecimento das relações pessoais, estão causando a degradação do tecido social, ocasionando o afastamento e o isolamento das pessoas.

Perda de biodiversidade

Reflete sobre como criar um espaço de oração com arte
Reflete sobre como criar um espaço de oração com arte

Entende-se por biodiversidade a grande variedade de formas de vida existente no planeta e compreende os ecossistemas terrestres, marinhos e os complexos ecológicos (fauna, flora, microrganismos) dos quais fazem parte. Os ecossistemas são responsáveis por criar coletivamente as bases de vida na Terra: água, oxigênio, alimentos, fontes de energia, matéria prima natural para medicamentos etc., garantindo a sustentabilidade e o equilíbrio no mundo inteiro. Assim, cada espécie tem sua função específica na natureza e a sua ausência acarreta prejuízos incalculáveis para a humanidade. Atualmente, a perda de biodiversidade, que se caracteriza pela extinção de vida vegetal e animal dentro dos ecossistemas, tem sido um dos principais problemas que acometem a Terra. Uma das principais causas está fundada no atual modelo  de desenvolvimento econômico pautado na cultura imediatista  e extrativista. O desmatamento inconsequente e as queimadas causam a perda de imensas porções de bosques e florestas, além de provocar a extinção de espécies animais e vegetais que fazem parte da perfeita cadeia alimentar, idealizada por Deus, para a subsistência de outras especieis e especialmente do homem, incluindo algumas plantas medicinais que lhe seriam úteis na cura de doenças. Infelizmente, isso acontece com frequência nas instalações de novas indústrias e usinas hidroelétricas que demandam a construção de barragens e novas estradas, e na implementação de novos tipos de cultivo, diminuindo os habitats naturais e fragmentando-os com intensidade e, também, impossibilitando a migração da fauna local, que geralmente é extinta. Embora existam alternativas que possam diminuir tais destruições, poucos países as observam, pois a exploração comercial se sobrepõe ao cuidado com as espécies.

Os estudos sobre o impacto ambiental que as empresas são obrigadas a fazer, quando suas atividades interferem no meio ambiente, até chegam a se preocupar minimamente com os efeitos degradantes no solo, na água e no ar, mas nem sempre incluem um levantamento cuidadoso da biodiversidade. Isso revela que, para muitos, a perda de algumas espécies ou de grupos animais ou vegetais não é considerada algo de vital relevância e, no Brasil, exemplos desse descaso aparecem constantemente nos noticiários que denunciam os maus tratos à natureza. Não somente no Brasil, mas por todo o mundo, a Amazônia é o foco de atenção por ser considerada o templo da maior biodiversidade do planeta e que está ameaçada pelas motosserras, pelo trator e pelo fogo que devastam a floresta para grandes projetos de: industrialização, hidrelétricas, agricultura, cultivo da soja e criação de gado, atentando contra todo o ecossistema da Bacia Amazônica. Esses projetos, infelizmente, ocasionam também a expulsão de populações nativas como de índios, camponeses e ribeirinhos, provocando revoltas e conflitos.

Todas as espécies animais e vegetais têm valor imensurável em si mesmas e são criações divinas, portanto perfeitas, e o homem deve respeitar as suas singularidades e importância no ciclo da vida e não apenas enxergá-las como recursos exploráveis. Lamentavelmente, milhares de espécies já em extinção, não serão conhecidas por nós, e nem nossos filhos e netos poderão vê-las, e isso é consequência de atividades humanas irresponsáveis, as quais não deveriam existir no meio ambiente. Todos os elementos do ecossistema têm suma importância no ciclo da vida, até mesmo, as muitas formas de vida que passam despercebidas, mas que são de fundamental importância para o equilíbrio da natureza.

Quando um geossistema entra em estado crítico, já quase sem chances de recuperação, existe a necessidade da intervenção humana para tentar restabelecer o equilíbrio. Entretanto, muitas vezes, essa intervenção acaba criando novos problemas onde, às vezes, não existia, ocasionando a formação de círculos viciosos carregados de riscos para o meio ambiente. Sabemos, por exemplo, que muitos espécimes desaparecem de um ecossistema em decorrência do uso indiscriminado de agrotóxicos que são considerados importantes para a agricultura, mas que, na verdade, são nocivos para outras espécies. Apesar dos esforços de cientistas e técnicos, no sentido de solucionar os problemas criados, percebemos que a intervenção humana, geralmente a serviço do sistema financeiro e produtivo, agride e transforma o planeta, limitando e esgotando seus recursos, transformando-o numa terra pobre e cinzenta, ao mesmo tempo em que o desenvolvimento da tecnologia e das ofertas de consumo avançam sem encontrar limites. O homem se ilude pensando poder substituir a beleza insuprível e irrecuperável da terra por outra criada por ele. Apesar de todos os alertas sobre os desastres que vêm sendo causados na natureza, o homem parece não retroceder, ao contrário, avança cada vez mais, estragando ou destruindo novos ecossistemas, como, por exemplo, os oceanos.

dia-da-biodiversidadeO Papa Francisco alerta que: “É preciso investir muito mais na pesquisa para se entender melhor o comportamento dos ecossistemas e analisar adequadamente as diferentes variáveis de impacto de qualquer modificação importante do meio ambiente. Visto que todas as criaturas estão interligadas, deve ser reconhecido com carinho e admiração o valor de cada uma, e todos nós, seres criados, precisamos uns dos outros. Cada território detém uma parte de responsabilidade no cuidado desta família, pelo que deve fazer um inventário cuidadoso das espécies que alberga a fim de desenvolver programas e estratégias de proteção, cuidando com particular solicitude das espécies em vias de extinção”.

Deterioração da qualidade de vida humana e degradação social

Ao abrir esse tema, o Papa lembra que: “Tendo em conta que o ser humano também é uma criatura deste mundo, que tem direito a viver e ser feliz e, além disso, possui uma dignidade especial, não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas”, por isso, condena uma economia baseada na acumulação de lucros, que ignora as dimensões sociais e ecológicas da qualidade de vida.

A deterioração da qualidade de vida caracteriza-se pelo crescimento desmedido e descontrolado de muitas cidades que oferecem baixa qualidade de vida aos seus habitantes, devido à poluição ao caos urbano gerado pela concentração de construções que descaracterizam a natureza transformando-as em verdadeiras “selvas de pedra” com sérios problemas de transporte. Em muitas cidades, as grandes estruturas industriais e residenciais não funcionam adequadamente, pois geram gastos excessivos de água e energia, além de problemas de drenagem das águas de chuvas que geram alagamentos nas cidades. Bairros e loteamentos recém-construídos apresentam-se congestionados e desordenados por falta de adequada engenharia de tráfego, sem espaços verdes suficientes para depuração do ar, para a sociabilidade e o lazer. E, é importante destacar que não é conveniente e nem próprio do ser humano viver cada vez mais submerso na poluição urbana e em meio a cimento, asfalto, vidros e metais, privado do contato físico com a natureza.  De outro lado, a privatização de espaços dotados de áreas verdes e a criação de espaços residenciais “ecológicos” criam a mentalidade de que tais locais só são acessíveis a quem pode pagar, como se os pobres não tivessem direito a natureza, cabendo-lhes ocupar apenas as áreas periféricas e insalubres.

Os efeitos da “nova sociedade global” com suas inovações tecnológicas se fazem sentir de várias formas, como: na exclusão social, na desigualdade do fornecimento e consumo da energia e de outros serviços, na fragmentação social, no aumento da violência e no aparecimento de novas formas de agressividade social, no narcotráfico e no consumo crescente de drogas entre os mais jovens, e na perda de identidade.

Somam-se ainda as dinâmicas dos meios de comunicação de massa e do mundo digital que não favorecem o desenvolvimento da capacidade de viver com sabedoria, pensar em profundidade, amar com generosidade. O momento atual exige que esses meios se traduzam em novo desenvolvimento cultural da humanidade, e não em deterioração da sua riqueza mais profunda. Hoje o homem acumula dados e informações em abundância, que acabam gerando saturação e confusão ao invés da verdadeira sabedoria que é fruto da reflexão, do diálogo e do encontro generoso entre as pessoas. As relações reais e pessoais estão sendo substituídas por relações virtuais mediadas pela internet, perdendo-se a riqueza do encontro com o outro. Os meios atuais permitem a comunicação e a partilha de conhecimentos e afetos, mas, às vezes, também impedem o contato direto com a angústia, com o sofrimento, com a alegria do outro e com a complexidade da sua experiência pessoal. Por isso, ao lado do crescimento de tais relacionamentos, o mundo assiste ao crescimento de uma profunda e melancólica insatisfação nas relações interpessoais ou um nocivo isolamento.

Verifica-se por tais contradições que o crescimento dos últimos dois séculos, apesar do enorme avanço tecnológico em várias áreas, não significou o “crescimento social” tal como o Papa Paulo VI refletiu na Encíclica Populorum progressio (PP), um dos mais importantes documentos da DSI, referindo-se ao novo colonialismo que a economia neoliberal impunha aos países historicamente espoliados, tornando-os cada vez mais pobres, lembrando que o desenvolvimento econômico e técnico de alguns países não podia ser alcançado com a degradação ambiental e social de outros. Segundo o documento, o progresso deve gerar o desenvolvimento social para todos, e deve atingir  todos os aspectos da vida humana, em verdadeiro progresso integral e na melhoria da qualidade de vida (PP, 34). A ausência de progresso social gera uma verdadeira degradação social, uma silenciosa ruptura dos vínculos de integração e comunhão social, e uma profunda desintegração homem e natureza que, em última análise, revela uma crise sobre a razão da existência humana, de sua relação com as outras criaturas e com o seu criador.

Oxalá a reflexão da Encíclica Laudato Si possa contribuir para  que as pessoas repensem o sentido da vida e de suas relações, e que os avanços tecnológicos não as impeçam de buscar nas suas relações com o meio ambiente e com os seus semelhantes a sua identidade de ser humano.

 

Para Refletir:

1- Que ações podemos desenvolver para aumentar a consciência social sobre a importância da biodiversidade?

2 –  Qual a relação que os cristãos devem fazer entre biodiversidade e degradação social?

Orientações para a Interação:

a) Você poderá  discutir este texto, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários logo abaixo deste texto.

Aguarde a publicação da próxima ficha:   A desigualdade que não encontra resistência  (LS4).

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O Clamor da Mãe terra (LS 2)

Essa Ficha dá início às reflexões contidas no Capítulo I da Encíclica Laudato Si(LS). Nele, o Papa Francisco apresenta uma análise da realidade sobre as questões ambientais e humanas e adverte sobre a eminência de um colapso dos recursos naturais, gerado pela forma predatória como o homem tem tratado a terra. Esse é o momento do “ver”. O texto destaca que as principais causas da atual crise ecológica, que traz sérios prejuízos à sobrevivência, decorrem da busca de crescimento econômico ilimitado baseado na exploração do planeta com recursos naturais cada vez mais limitados. Convida a todos para deter a atenção ao que está acontecendo com a casa comum, e faz um apelo à tomada de consciência, no sentido de repensar a sociedade e o agir sobre a terra a partir dos seguintes pontos: poluição, mudanças climáticas, escassez da água, perda da diversidade, deterioração da qualidade de vida humana, degradação social e desigualdade planetária. E questiona: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão crescendo?” As três primeiras realidades críticas abordadas na LS: poluição, mudanças climáticas, e a questão da água, serão os temas abordados dessa segunda Ficha de estudo.

laudato_siA Campanha da Fraternidade de 2011 da CNBB (Fraternidade e a Vida no Planeta  “A criação geme em dores de parto” Rm 8,22), nos recorda que a terra é gestadora dos seres vivos, dos seres humanos, homem e mulher, e que sem ela a vida seria impossível. Em razão disso, é chamada Mãe Terra. São Francisco também a comparou com uma mãe que acolhe os filhos em seus braços, os quais, através de gestos e atitudes de gratidão, louvor, esperança e responsabilidade, compartilham a existência. A Mãe Terra, movida pela ação de Deus, pela energia de suas entranhas e pela boa convivência,  entre os seres vivos de todos os ecossistemas, vegetais, animais e minerais, constitui o meio ambiente, onde todas as formas de vida se adaptaram ao clima e às adversidades naturais de cada região. Do equilíbrio da atmosfera,  de uma temperatura adequada, dependem a vida humana e toda a biodiversidade.

O modelo de desenvolvimento existente, pautado na exploração dos recursos naturais produz poluição, aquecimento e mudanças climáticas. Isso provoca desequilíbrio no  ecossistema, compromete a vida de várias espécies e traz sérias repercussões na sobrevivência de populações autóctones e dependentes da natureza, promove a desigualdade e, consequentemente, a concentração de riqueza e poder, sem falar da degradação e da destruição do meio ambiente e das condições de vida sobre a Terra. Essa realidade denuncia uma injustiça e uma perversidade contra a Mãe Terra e contra seus filhos que foram  e continuam  sendo explorados, os quais pedem clemência e justiça, pois sendo de todos e para todos, a Terra deve ser respeitada e vista em função  de um desenvolvimento benéfico, que promova a sustentabilidade e o bem comum.

No que diz respeito à poluição, o Papa lembra que ela é resultado da mentalidade do fácil acesso aos bens e da cultura do descarte que,  além de poluir, colabora para que a Terra, nossa Casa Comum, se transforme cada vez mais num imenso depósito de lixo. A falta de uma cultura voltada para o bem comum faz com que as pessoas efetuem seus descartes sem responsabilidade, deixando seus lixos nas ruas, nos terrenos vazios, nos riachos e na natureza. Além dos resíduos domésticos  há os  comerciais, os clínicos, os eletrônicos e os  industriais, que podem ser tóxicos e/ou radioativos e produzirem um efeito de bioacumulação nos organismos dos moradores de áreas limítrofes. E junta-se a isso, os poluentes atmosféricos causados pelo transporte, pelas descargas de substâncias que contribuem para a acidificação do solo e da água, pelos fertilizantes, inseticidas, fungicidas, pesticidas e agrotóxicos em geral que, ao serem inalados, produzem efeitos maléficos à saúde, particularmente dos mais pobres, provocando milhões de mortes prematuras.

Quanto ao clima, o Papa lembra que, ao queimar as fontes de energias fósseis (carvão, petróleo, gás), a indústria produtivapapa-franciscolibera cada vez  mais o gás carbônico na forma de dióxido de carbono, que ao se juntar com outros gases, na atmosfera, como o gas metano e o óxido nitroso, produzem poluentes gasosos que comprometem o equilíbrio natural. Eles diminuem a capacidade dos seres vivos de absorverem gases saudáveis e comprometem a quantidade de gases que retem o calor da atmosfera. Além disso, isso provoca o aumento da temperatura da Terra e as mudanças climáticas como: a poluição do ar, as secas e estiagens, as chuvas abundantes com enchentes, as inundações e deslizamentos de terra, os furacões, as ondas de calor intensas, o derretimento de gelo das calotas polares, o aumento no nível da água dos oceanos, a desertificação, as queimadas e os incêndios florestais etc. Considerando que também outros fatores, como: vulcanismo, ciclo solar, variações da órbita e do eixo terrestre, têm contribuído para o aumento da temperatura global, estudos científicos indicam que a maior parte do aquecimento das últimas décadas é devido à alta concentração de gases com efeito de estufa, emitidos sobretudo por causa da atividade humana, principalmente pelo desflorestamento para finalidade agrícola.

Essas mudanças climáticas são um problema global, com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas e, atualmente, constituem um dos maiores desafios para a humanidade, e provavelmente, seus impactos recairão nas próximas décadas sobre os países em vias de desenvolvimento. Elas afetam a vida de muitas pessoas, cujos meios de subsistência como a agricultura, a pesca e a caça dependem, exclusivamente, das reservas naturais, pois animais e vegetais nem sempre conseguem adaptar-se a grandes mudanças e, geralmente, são condenados à extinção afetando os recursos produtivos dos mais pobres dessas regiões afetadas, que migram com grande incerteza quanto ao futuro da sua vida e dos seus filhos. A temperatura da Terra já está com um grau acima daquela do período pré-industrial, por isso o acordo da 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, de Paris (Dez 2015), COP 21, chegou a um consenso entre as 192 nações de fazer de tudo para não ultrapassar dois graus na temperatura mundial. Isso significa que será preciso esforços de cada nação, e entre seus governos, para controlar o aumento da temperatura média, contribuindo com ações mais efetivas no enfrentamento das causas.

laudato 22O terceiro ponto abordado pela encíclica é a séria questão da água e a sua qualidade disponível aos mais pobres, que frequentemente são acometidos por doenças relacionadas a ela. Esse foi o foco da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 (Casa Comum: nossa responsabilidade”: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” Am 5,24) que abordou o tema do saneamento básico. A água potável, fruto da obra perfeita de Deus, sempre esteve disponível para o consumo de toda a humanidade, porém, devido à falta de respeito do homem com a natureza, que contaminou as nascentes e rios, e a alteração no ciclo das águas causada pelas mudanças climáticas,  atualmente, em muitos lugares, a procura de água excede a oferta, e traz graves consequências. Grandes cidades sofrem a falta de água e, além disso, sua escassez provoca o aumento no custo dos alimentos e de vários produtos que dependem de seu consumo. Em alguns lugares, cresce a tendência para se privatizar esse recurso natural, tornando-o uma mercadoria sujeita às leis do mercado. O Papa Francisco lembra, profeticamente, que o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, e que o clima é um bem comum, um bem de todos e para todos, e que ambos proporcionam condições essenciais para a vida.

Toda essas realidades levantadas na LS, pelo Papa Francisco, causam inquietação, e exige de todos uma tomada de consciência, do quanto cada um deve assumir para si, não só espiritualmente como também na prática, a responsabilidade  pessoal daquilo que acontece ao mundo, pois cada um, não só pode como deve fazer a sua parte, conscientizar-se e ajudar os outros a serem melhores no que diz respeito ao cuidado com a Casa Comum, no seu meio e junto aos seus.

É preciso ouvir o clamor da Mãe Terra, junto ao clamor dos seus filhos e filhas, que estão sofrendo com os impactos climáticos e ambientais mais evidentes como: dos povos que estão perdendo o seu território com o aumento do nível do mar, como é o caso de países constituídos em ilhas; dos que veem desaparecer rapidamente geleiras e neves nos altos das cordilheiras, como é o caso dos povos dos Andes, na América do Sul; dos migrantes refugiados, pela destruição de suas cidades, pela guerra de poderes; dos novos migrantes climáticos devido às secas prolongadas e desertificação, procurando lugar para viver com mínima dignidade; das pessoas que vivem em áreas de risco nas cidades, para onde foram empurradas pelos grileiros, grandes proprietários, donos de agronegócios;  das comunidades inteiras de indígenas do Peru ao Brasil, dizimadas por doenças e pelo desmatamento, com tribos prestes a desaparecer frente ao avanço do capital e da mercantilização da vida; dos que sofrem ou morrem pelas ondas de calor, como na Índia e no Oriente Médio (Irã e Iraque); do povo brasileiro, com as fortes estiagens no Sudeste e as piores secas no Nordeste. E ainda, as vítimas da corrupção e da violência ligadas ao progresso assentado no produtivismo, na exploração da Amazônia, na mineração indiscriminada, na construção das hidrelétricas que expulsa os ribeirinhos, de barragens improvisadas  (caso de Mariana-MG); tudo isso contribuindo para a destruição da ordem e da harmonia na criação e da integridade da casa comum, instalando o colapso ambiental.

Na LS, a humanidade é chamada a reconhecer que é parte da família universal e a viver em comunidade com nossa Mãe Terra. Cabe aos seres humanos tomarem consciência da necessidade de mudança nos estilos de vida, nas formas de  produzir e de consumir, para combater praticas que produzem o aquecimento  e, repensar o custo desse progresso sob o qual vivemos, bem como as empresas que lucram com isso. O sistema industrial de produção e consumo precisa adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras. Isso exige limitar o uso de recursos não renováveis, moderando o consumo, maximizando o aproveitamento, reutilizando e reciclando materiais. Torna-se urgente o desenvolvimento de políticas capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), substituindo os combustíveis fósseis por fontes alternativas de energia renováveis como a solar, a eólica, do movimento das águas, dos lixos e resíduos orgânicos (biomassa).

Reflete sobre a comunicação pela ação litúrgica.
Reflete sobre a comunicação pela ação litúrgica.

Segundo a Carta da Terra: é preciso reduzir, reusar e reciclar, reflorestar, respeitar e rejeitar o apelo ao consumo e tudo que possa poluir o ar a fim de impedir o aquecimento global, afinal toda a comunidade de vida deve ser “cuidada com compreensão, compaixão e amor” (Carta da Terra 1,2), afinal, “as gerações que nos sucederão têm o direito a receber um mundo habitável e não um planeta de ar contaminado” (Documento da Conferência de Aparecida,n.471).

 

 Para Refletir:

  1. Que sinais de desequilíbrio a Mãe Terra está emitindo nos dias de hoje?
  2. De que forma a reflexão sobre o aquecimento global e a questão da água apresentadas pelo Papa Francisco contribuem para o cuidado da “Casa Comum”?

Orientações para a Interação:

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Aguarde a publicação da próxima ficha:                       A insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento (LS3).

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Apresentando a Encíclica “Laudato Si” (LS1)

A Encíclica “Laudato Si” (LS), do Papa Francisco, aborda o importante e complexo assunto da Ecologia, e foi dirigida a cada pessoa que habita o nosso planeta. Ela tem como objetivo recolocar tal debate no magistério eclesial e explicitar às “pessoas de boa vontade” que a Igreja se preocupa com todas as dimensões da vida e compartilha das angustias e tristezas presentes no mundo hodierno (GS); Para suscitar o estudo e entendimento deste documento o blog cmliturgo em parceria com a faculdade de Belo Horizonte, coloca a disposição as fichas de estudo sobre o tema. Aguardamos os seus omentários!

laudato_siA Encíclica “Laudato Si” (LS), do Papa Francisco, publicada em 25 de maio de 2015, aborda o importante e complexo assunto da Ecologia, e foi dirigida não só aos católicos, mas a cada pessoa que habita o nosso planeta. Ela tem como objetivo recolocar tal debate no magistério eclesial e explicitar às “pessoas de boa vontade” que a Igreja se preocupa com todas as dimensões da vida e compartilha das angustias e tristezas presentes no mundo hodierno (GS); especialmente aquelas que decorrem do desequilíbrio da natureza criada por Deus, tão ricamente apresentada no livro do Gênesis. Mais que isso, na mesma dinâmica do Jubileu da Misericórdia, a Encíclica faz uma profissão de fé plena de esperança nas infinitas capacidades da criatura humana que, se assim o desejar, pode reconstruir o mundo que sistematicamente tem destruído.

A preocupação com o meio ambiente há muito tempo está na pauta de vários documentos, mensagens e discursos pontifícios. Embora ainda num contexto religioso, ela aparece num discurso do Papa Pio XII a agricultores italianos em 1946 e depois em algumas de suas rádio mensagens. Paulo VI a retoma em várias ocasiões na perspectiva da justiça social e a partir de João Paulo II ela aparece com mais ênfase no seio da Igreja, até obter sua especificidade no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI), publicado em 2004, no capítulo décimo denominado Salvaguardar o
Ambiente.
Nessa época a preocupação ambiental já encontrava ressonância no mundo secular com as discussões promovidas pela ONU sobre a Ecologia, na segunda Conferência das Nações Unidas (1992) sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como “Cúpula da Terra” ou “Eco-
92”, realizada no Rio de Janeiro, e que teve como objetivo despertar a sociedade para os graves problemas causados pelo homem ao meio ambiente. Mais recentemente, em 2012, conhecida como “Rio +20”, a Conferência das Nações Unidas discutiu sobre o “Desenvolvimento Sustentável”, e em 2015, a “Conferência das Partes” “COP-21” discutiu sobre as mudanças climáticas. Isso vem mostrar a preocupação com o tema que o Papa Francisco retoma e desenvolve numa das mais relevantes
Encíclicas dos últimos tempos, a ponto de ser considerado um dos grandes interlocutores mundiais nos debates sobre as questões ambientais. Ainda que o Papa não tenha se apresentado como um expert, contou com a colaboração de eminentes cientistas e excelentes conhecedores do assunto, que o ajudaram a produzir um texto muito profundo sobre a relação entre os pobres e a fragilidade do planeta; a convicção de que tudo está interligado no mundo; a busca de novos meios para entender a economia e o progresso; o valor do ser humano no mundo; o sentido humano da ecologia; a crítica à cultura do descarte, entre outros temas que têm despertado o interesse de muitos que acreditam na construção de um mundo mais justo e solidário.
Na Encíclica LS, o papa Francisco explicita, de um modo mais amplo e profundo, sobre a responsabilidade de todos em cuidar da integridade da casa comum, e isso está no centro/âmago da mensagem cristã. Evangelizar é comprometer-se com a defesa e promoção da vida. Por extensão, cuidar do mundo, é cultivar posturas de cuidado, é cuidar do outro, sobretudo daqueles que mais precisam, daqueles que estão fragilizados e sofrem com as injustiças do mundo, os prediletos de
Deus. Cuidar é também um ato de louvor, pois quem cuida da Casa Comum, louva o criador e Senhor da vida. Sendo um documento eclesial, o Papa recorda os vários ensinamentos e as intervenções do Magistério eclesial católico sobre a questão ambiental, os ensinamentos dos últimos
papas e evoca os belos ensinamentos de São Francisco de Assis, sobre o cuidado, o amor e o respeito por tudo que existe, expressos no “Cântico das Criaturas”, o qual empresta o nome para a Encíclica.
laudato 22Sendo um homem do diálogo, o papa recorda o ensinamento em favor do meio ambiente do Patriarca ortodoxo Bartolomeu I, de Constantinopla, chamado de “patriarca verde” e a ação de tantos homens de bem, de várias religiões, que lutaram e ainda lutam, para que a Casa comum seja cuidada e preservada. E, sendo um bispo latino-americano, carrega em sua bagagem da vida, uma forte influência da teologia produzida nessa região que, desde a década de 1990, luta pela bandeira da preservação ambiental, defendendo a integração das ecologias ambiental, econômica e social.
A Encíclica LS contém seis capítulos que seguem a metodologia da teologia latino-americana do Ver-Julgar-Agir e Celebrar. No momento do ver, o papa apresenta a realidade dos problemas climáticos gerados pela aquecimento global; a crise hídrica e a poluição de nascentes e rios; o problema da perda ou destruição da biodiversidade causado pelo uso de defensivos agrícolas e pelo desmatamento indiscriminado, que comprometem a cadeia alimentar de várias espécies; pela pesca e pela caça predatórias; tudo contribuindo para degradar o meio ambiente e comprometer a qualidade de vida humana. Termina sua análise, manifestando seu estranhamento com o silêncio e/ou a indiferença de muitos, característica presente nas sociedades pós modernas.
O momento do julgar está dividido em três partes distintas: na primeira, o papa recorre à Sagrada Escritura, para destacar os textos que fazem alusão à obra da Criação e para refletir sobre o anúncio do Reino manifestado por Jesus e de seu convite aos discípulos missionários. Jesus é o Novo Adão
(Novo Homem) que reconstrói, com sua paixão-morte-ressurreição os laços que o pecado do velho homem rompeu. Jesus propõe o Reino como o novo Paraíso onde tudo era bom. Na segunda parte, recorre à tradição e ao magistério eclesial, recordando que a criação é um dom destinado ao bem comum e que, por isso, precisa ser preservado. Nessa parte do texto é possível verificar a influência da teologia franciscana, que enaltece o encontro com Deus através da natureza e de seus elementos, lembrando o que Santo Agostinho ensinou: que Deus teria escrito dois Livros, sendo que o primeiro deles foi a criação a natureza, a vida. Porque as pessoas não “souberam ler” a criação, o Livro da Vida, Deus inspirou os autores sagrados a escreverem o segundo Livro, a Bíblia, que narra a história
de amor de Deus pelo seu povo. Sem negar os tratados teológicos, o papa propõe a singeleza da prática cristã de Francisco, que sempre viveu  em harmonia com a natureza e chamou cada elemento de seu irmão e sua irmã. Finalmente, na terceira parte, analisa os sintomas que ele classificou como a raiz humana da crise socioambiental. Segundo ele, a globalização impôs a técnica como um novo paradigma que compromete a defesa da vida; e a a sociedade atual vive uma crise do antropocentrismo, ao entender que o homem moderno se acha altamente capaz de tudo, inventar e criar, e ao mesmo tempo se mostra frágil e incapacitado para superar conflitos advindos das relações humanas, principalmente aqueles fundamentados em relações de poder. Concluindo o julgar, apresenta o desafio de construirmos o que ele denominou de Ecologia Integral, que ultrapasse a mera conservação das espécies em extinção, e englobe todas as dimensões do viver humano: a economia, a política, a sociabilidade, a cultura e a justiça.
No momento do agir, o papa elenca uma série de orientações para o agir nos níveis pessoal, comunitário, nacional e internacional, destacando a importância do diálogo e da transparência na sociedade, buscando soluções que envolvam o bem comum. Nessa dinâmica, o Papa destaca a
importância das religiões e da educação na construção de novas sociedades, especialmente no que diz respeito ao diálogo com as ciências.
Na reflexão desse tópico é bastante conveniente refletir sobre as alternativas que inúmeros grupos e organizações têm sugerido na linha de desenvolvimento sustentável, que e insira o homem a partir de uma concepção de mundo biocêntrica e holística, e de uma economia solidária que vise o desenvolvimento e a integração social e respeite os ciclos da
natureza. O contato com essas experiências demonstram que a construção de outro mundo que seja includente e respeite o meio ambiente não só é possível, como viável economicamente.
No último momento, do celebrar, o papa lembra a importância da espiritualidade na vida humana, marcada por uma real conversão e por novas atitudes sociais e pessoais, que apontem para outro estilo de vida. Ela reconstrói os laços das criaturas com seu criador, revelando ao homem sua incompletude e a necessária busca do outro. Tal espiritualidade aponta que o ser humano é parte da natureza e não senhor e dono, pois dela depende a vida humana. Essa espiritualidade terá, portanto, a missão de reconstruir os laços entre a humanidade e o ambiente.
Seguindo o texto da Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (EG), retoma os valores simples e fundamentais da relação do homem consigo mesmo, com os outros, com a sociedade e com a natureza, na construção da civilização do amor, características presentes nos pobres de Deus, não simplesmente pelo estado da pobreza, mas da bem-aventurança porque confiam única e exclusivamente no Senhor. Trata-se, portanto, de um nova proposta de olhar a vida com os olhos do Criador, o que ele denomina de “conversão ecológica”, e que contribui para a formação de uma nova consciência de cidadão e de cristão.
Esta vivência, no âmbito da comunidade eclesial, se torna sinal da Trindade, da comunhão perfeita entre aqueles que acreditam num mundo mais justo, como sinal do Reino definitivo que busca recompor a criação. Nela, a vivência dos Sacramentos, especialmente a Comunhão, nos une ao
Criador e dá a certeza da presença bondosa e amorosa de Jesus Cristo que se entregou na Cruz para salvar a todos, e manifesta a misericórdia do Pastor que vai atrás da ovelha perdida, ou do Pai misericordioso que acolhe o filho pródigo arrependido.
Este é o desafio proposto aos Discípulos de Jesus, de serem alegres testemunhas e anunciadores da Boa Nova do Reino de Deus a todas as criaturas que compõem o mundo (Mc 16,15-20). Alegres como Maria, a “Rainha da Criação” e primeira evangelizadora, no seu canto de louvor ao criador, agradecida por ter sido escolhida para trazer ao mundo o autor da vida, o Verbo de Deus. Por tudo isso, o Papa conclama o mundo “a um debate que una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e tem impacto sobre todos nós”… “Espero que esta Carta Encíclica, que se insere no Magistério Social da Igreja, nos ajude a reconhecer a grandeza, a urgência e a beleza do desafio que temos pela frente”. (LSs 14, 15).
Que a reflexão proposta nas Fichas de Estudo seja momento para louvarmos e agradecermos pela vida, o maior dom de Deus e assim podermos, como Francisco de Assis, no Cântico do Irmão Sol, cantar “Louvado Seja, meu Senhor…”.
Para Refletir
1) Qual a importância da reflexão sobre a Ecologia na Evangelização?
2) Que perspectivas podem emergir para práticas pastorais mais ecológicas?
Orientações para a Interação:
a) Você poderá discutir este texto, com seus amigos na comunidade.
b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários do texto publicado.

Aguarde a publicação da próxima ficha:  O clamor da mãe Terra (LS2)

OBS: Ao fazer uso deste texto, favor citar a fonte.

Pregação Sagrada – preparando a homilia – texto 4

O texto 4 do curso de pregação sagrada reflete sobre a pessoa do pregador e apontas vários caminho para aqueles que exercem esta função possam executá-la com seriedade e comunhão.

Falemos agora do pregador sagrado: catequista, diácono, sacerdote, bispo.

cropped-cmliturgo-3-1.jpgO que é que um pregador tem que fazer antes de pregar?

Em primeiro lugar, deve escutar a Palavra de Deus, pois é aí onde “toda a instrução cristã, e em lugar privilegiado a homilia, recebe da Palavra da Escritura alimento saudável e por ela dá frutos de santidade” (Concílio Vaticano II, Dei Verbum 24). Você pode seguir estes passos:

cropped-cm12-1.jpgPegue o texto bíblico e leia: tem que ser uma leitura na fé e a partir da fé: o pregador se aproxima do texto na fé da Igreja, num tempo litúrgico, num momento determinado da vida eclesial e no meio das tarefas pastorais da sua comunidade.

Também ajudará um mínimo trabalho de exegese dos textos: é o enfrentar-se cientificamente com o texto, para chegar até o sentido literal. O sentido literal (humano) consegue chegar ao que o autor sagrado quis expressar, no seu contexto histórico, seus destinatários e o gênero literário empregado. Para a exegese o pregador também pode se ajudar de comentários desse texto bíblico: Tal comentário não ser muito prolixo, nem deve se perder nos detalhes, mas aproximar-nos do contexto histórico e do sentido do texto. Mas não posso ficar só com isso.

Formação litúrgica sobre os livros liturgicos

O pregador tem que encontrar o significado mais profundo dos textos, o seu alcance espiritual. E isso se consegue através da própria meditação pessoal dos textos. “É dentro da letra, na profundidade do sentido literal, que deve buscar-se o sentido espiritual do texto sagrado” (Inácio de Potterie, “A interpretação da Sagrada Escritura”). Portanto, é necessário chegar no sentido espiritual (divino) do texto sagrado, no que Deus queria dar a conhecer com essas palavras do autor sagrado. Este é o sentido que mais nos interessa na pregação, e se consegue chegar a ele quando se lêem e se meditam esses textos bíblicos sob a influência do Espírito Santo no contexto do mistério pascal de Cristo e da vida nova que provém dele. Como pregador me interessa o sentido literal (exegese) em ordem ao sentido profundo espiritual para que seja alimento para os ouvintes. Dessa forma passa-se do “então” para o “hoje”. Isso é a pregação.

Por isso, ninguém mais que o pregador deve ser um ouvinte da Palavra de Deus tão pontual e disposto. A Palavra de Deus vai penetrar primeiro no pregador. Este conhecimento ruminante e sapiencial da Escritura é o que mais precisamos como pregadores, e o que mais nos dará luz e forças para o caminho, tanto para nós (para não ficar falando ideias pessoais ou cair na vaidade) como para os que nos escutam. Sem meditação, a pregação torna-se um produto da mesa de despacho, que deve ser derramado sobre o povo desde o púlpito. Na meditação se experimenta a força viva do texto. Somente quando o pregador se deixou interpelar pelo texto, pode convidar também a sua comunidade. Trata-se de fazer passar o sentido da página sagrada à própria vida e à vida dos fieis. A meditação é a ponte na qual se encontram a Palavra de Deus e o homem de hoje. Todo pregador deveria dizer o mesmo que São João: “O que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos… nós vos anunciamos” (1 Jo 1, 1-3). Dom Ángel Herrera dizia que “as homilias devem aquecer-se no Sacrário e na oração… a Palavra de Deus, seja qual for o tom, o lugar e o auditório, não pode ser servida fria” (A Palavra de Cristo, I, 67) .

Reflete sobre a comunicação pela ação litúrgica.
Reflete sobre a comunicação pela ação litúrgica.

Em suma, como dizia D. Bonhoeffer, o pregador deve encontrar-se com a Palavra de Deus: na mesa de estudo, preparando seriamente seu ministério com a ajuda dos oportunos subsídios e comentários; no reclinatório, orando a Palavra que vai pregar, de modo que não somente saiba falar “de” Deus, mas antes de mais nada fale “a” e “com” Deus na sua oração pessoal; e finalmente no púlpito, deixando que no momento mesmo do seu ministério ressoe nele mesmo, antes que nos seus irmãos, o que Deus nos comunica.

Informativo A palavra Viva – fichas de estudo

Projeto de formação litúrgica em fichas de estudo, 100 temas para ler, estudar e colecionar.

O Jornal a Palavra Viva agora é Informativo e traz para os seus leitores as fichas formativas que inicialmente irá trabalhar sobre a material Liturgia.
Aproveite, colecione e estude!

  Nesta primeira parte do projeto iremos editar 100 temas sobre a sagrada liturgia. Já editamos 14 temas confira a relação abaixo e comece já a ler, colecionar e estudar.
Ficha 01 – Liturgia o que é mesmo?
Ficha 02 – Sacrosanctum Concilium (estudo 1) 
Ficha 03 – Sacrosanctum Concilium (estudo 2)
Ficha 04 –Sacrosanctum Concilium (estudo 3)
Ficha 05 – Sacrosanctum Concilium (estudo 4)
Ficha 06 –Sacrosanctum Concilium (estudo 5)
Ficha 07- Celebração do Mistério Pascal ao longo do Ano
Ficha 08 – Funções de ministérios na missa
Ficha 09 – Ano jubilar da Misericórdia (estudo 1)

Ficha 10 – Ano jubilar da Misericórdia (estudo 2)
Ficha 11 – Ano jubilar da Misericórdia (estudo 3) 
Ficha 12 – Liturgia e comunicação
Ficha 13 – Canto litúrgico
Ficha 14 – Arte litúrgica
  


Pregração Sagrada – preparando a homilia – texto 3

Acompanhe o curso de Pregação Sagrada – como preparar uma boa homilia em 36 artigos do professor Pe. Antonio Rivero e disponibilizados aqui no blog CMLITURGO. Neste artigo (numero 03) você encontrará os conselhos práticos para o pregador.

Como melhorar a Pregação Sagrada

Agora falaremos de alguns conselhos práticos que podem ajudar o Pregador Sagrado na sua missão:

Compreender o seu público, ou seja, aquelas pessoas a quem vamos pregar. Conhecer a idiossincrasia destas pessoas, suas qualidades, suas fraquezas, seus problemas, seu modo de ser. A Igreja chama isso de “inculturação”. Um espanhol e um brasileiro não são iguais; nem um francês e um americano, um alemão e um africano… É necessário falar com a linguagem das diversas culturas, fazer-nos tudo a todos para ganhá-los para Cristo, como São Paulo (cf. 1 Cor 9, 20-22). Não podemos ir à América Latina com categorias europeias. Simplesmente não nos entenderão! Ou pior ainda, nos recusarão! “Amanhã te escutaremos” parafraseando Atos 17, 32.

preparando uma boa homilia
preparando uma boa homilia

Preparar bem cada pregação, sem improvisar, deixando tudo para a última hora. A pregação não é algo que fazemos a título pessoal. Não! Pregamos em nome da Igreja. É a Igreja que, nesse momento explica a Palavra de Deus, através do pregador sagrado. Portanto, preparar a pregação a partir da oração pessoal. Mas também lendo comentários dos Papas, de autores espirituais bem sólidos e provados, sobre esses textos litúrgicos ou sobre esse tema do qual pregaremos. Os melhores comentários que existem sobre os evangelhos são OS SANTOS PADRES. Temos que ler muito os Santos Padres. São sempre atuais. São um verdadeiro tesouro a ser descoberto ainda. É como subir-se em ombros de gigantes. Um exemplo disso é o Papa Bento XVI. É por isso que as suas pregações são tão profundas, embora simples.




Ser ordenado e estruturado nas ideias da pregação: hoje temos que transmitir somente uma ideia na homilia ou na palestra, e desenvolver essa ideia em dois ou três aspectos bem travados e unidos. Mas somente uma ideia. Só então é que o ouvinte sairá com uma ideia bem aprendida e tentará vivê-la no seu dia a dia. Das três leituras dominicais pode-se tirar perfeitamente uma só ideia, desenvolvida em dois ou três aspectos. Por exemplo, uma homilia com a liturgia de um domingo: Deus nos convida à conversão (única ideia, tirada do evangelho); essa conversão supõe reconhecer-nos pecadores (primeiro aspecto dessa única ideia, tirada talvez da primeira leitura dominical ou do salmo responsorial); essa conversão trará como efeito a paz interior e a reconciliação com Deus (segundo aspecto dessa única ideia, tirada talvez da segunda leitura dominical). E os dois aspectos devem estar apoiados nos textos litúrgicos lidos. Uma só ideia! Quem fala de muitas ideias só consegue dispersar o ouvinte e não deixará nada claro e nem concreto. Quem diz muitas ideias está manifestando que não preparou profundamente a sua pregação. Provoca uma autêntica indigestão espiritual nos que escutam.

Ser criativo ao expor a ideia: essa ideia tem que ser apresentada com alguma metáfora, imagem, novidade, um fato ou anedota… Só assim ficam mais facilmente gravadas na alma do ouvinte, pois aparecerá como novidade e originalidade. Nisso o cardeal vietnamita Van Thuan, que Deus o tenha, era modelo. Não ser chatos com ideias já usadas e sem originalidade. É preciso ser atraentes e incisivos. Isso não se consegue com excentricidades ou com continhos e nem fazendo rir. Não! Isso se consegue tendo meditado muito e com profundidade na Palavra de Deus. E observando muito a vida humana.

Distinguir o modelo de pregação que me é pedido e o lugar onde se dá a pregação: primeiro, distinguir que tipo de pregação devemos dar, pois uma coisa é pregar uma homilia, outra uma reflexão numa hora santa com Cristo Eucaristia exposto; uma coisa é uma palestra aberta num auditório, outra é uma meditação num retiro; uma coisa é dar uma conferência a jovens e outra pregar a adultos ou a crianças ou a sacerdotes. E o lugar: porque uma coisa é pregar na capela, outra coisa é pregar num salão de estar ou num estádio ou numa fábrica. Tudo isso deve ser levado em conta na hora da pregação.

Sempre ser expressivo: sem forçar o próprio temperamento, não querendo ser aquele que é mais apaixonado e dinâmico… mas é preciso ser expressivo. Lembre-se dos três elementos de toda a pregação idéias de fundo, forma concreta dessas ideias e expressão (velocidade etemperatura oratória) destas idéias. É necessário combinar os três elementos para que a pregação seja perfeita. Todo o nosso ser deve ser expressivo: voz, gestos, mãos, corpo, olhos, sentimentos, emoções, silêncio, questionamentos e perguntas diretas… Não devemos ser tímidos, nem ter medo de falar, nem falar com voz apagada ou monótona, ou em abstrato ou sem olhar para o auditório. Se fizermos isso o povo dorme. As pessoas vão odiar a nossas pregações, em vez de gozar com a pregação sagrada. Fides ex auditu, nos fala São Paulo, “a fé entre pelo ouvido” (Rm 10, 17).

Pregar a todo homem e ao homem todo: a todo homem: à criança, ao adulto, ao ancião, ao enfermo, ao que sofre, ao ignorante e ao simples, ao complicado e questionador… e a todo o homem: inteligência, sentimentos, afetos, coração, vontade… E a Palavra de Deus pregada tem que “tocar” a existência humana em todos os campos: pessoal, familiar, laboral, profissional, religioso… Por isso, o pregador buscará aplicar essa Palavra de Deus e “fazê-la caminhar” pelos meandros da vida dou ouvinte. O ouvinte durante a pregação deveria dizer: “Isso! É isso que eu preciso, encaixa perfeitamente o que fala esse pregador”. É assim que o ouvinte se deixará transformar por essa Palavra de Deus que o pregador soube baixar para a vida deles concretamente. E com certeza vamos ter essa pessoa em todas as nossas pregações porque nos entende e entende que a Palavra de Deus explicada é muito atual para a sua vida, e não algo do passado ou de museu.

Ser simples, respeitoso e positivo ao pregar:  não  insistir tanto no que está mal. Apresente mais o bem que por si só atrai. Não estamos no século de certa apologética agressiva, inflexível, rigorosa e um pouco arrogante. Hoje temos de conquistar as pessoas com a bondade, com a simplicidade, com o encanto e a gota de mel. Isso não significa que não devemos dizer a verdade. É necessário apresentá-la, mas com bondade e respeito, para que atraia. Quando seja preciso falar algo forte, duro e negativo (p.e. os que vivem juntados ou divorciados e casados em segunda união não podem e nem devem comungar, etc…), é necessário falar em terceira pessoa e nunca interpelar a pessoa em questão. Não dizer: “Você que está juntado… não deve comungar”. Seria muito ofensivo. É melhor dizer: “Quem se encontra nessa situação não deveria se aproximar da comunhão porque…”. E quando se trata de algo positivo, então sim, interpelar em segunda pessoa: “Que bom que você foi generoso e fiel! Deus será também com você”.

Preparando uma boa homilia
Curso de Pregação Sagrada

Sentir com a Igreja em tudo o que ela se propôs para este ano: se é o ano sacerdotal, não deveria ter nenhuma pregação durante o ano que não tivesse alguma menção sobre essa circunstância… se é o ano paulino, o mesmo. Ou o ano dedicado a Jesus Cristo (1997), ou ao Espírito Santo (1998), ou a Deus Pai (1999), ou o ano da Eucaristia (2000). Ou o ano da fé, no qual estamos agora. Não se pode caminhar em paralelo com a Igreja. Os tríduos desse ano e os exercícios espirituais e os retiros, as homilias deveriam estar focadas e marcadas por essa circunstância eclesial. Isso é parte do “sentire cum Ecclesia”. Devemos ir ao passo da Igreja. Também nisso.

Destacar com frequência nas pregações aspectos e virtudes dos santos: os santos são nossos irmãos que já conseguiram o que nós estamos procurando: a santidade de vida. Eles nos dão exemplo e nos dizem quais aspectos são necessários praticar para agradar a Deus, crescer nas virtudes e alcançar a salvação eterna, que é a graça das graças. Quanto são edificantes as anedotas dos santos! Compre livros de santos e leia-os. E assim você vai colocar nas pregações exemplos maravilhosos e edificantes dos santos nos temas que estará tratando na pregação.

Conclusão: Espero que esses conselhos sirvam para que a sua pregação seja a cada dia de qualidade, para a glória de Deus e a salvação das almas. Isso é o que me tem ajudado. Não sei se lhes ajudará, pois todos somos diferentes.

Para você que esta acompanhado o nosso curso A Pregação Sagrada ainda serão editados 33 artigos que estarão a disposição neste site, se por acaso você não recebeu os anteriores basta clicar nos links abaixo. O próximo tema que meditaremos é “O que um pregador precisa fazer antes de pregar” . Aguardo vocês e até breve!

Texto 01 – A pregação Sagrada

Texto 02 – pré-requisitos da Pregação

Vivência sobre os livros litúrgicos

Formação realizada em 09 de abril de 2016

VIVÊNCIAS – Um dos caminhos metodológicos utilizado no aprendizado litúrgico que confronta teoria e prática.Acompanhando a 2 anos este grupo composto por 36 pessoas estamos realizando uma série de vivências

Vivencia sobre os livros litúrgicos
Vivencia sobre os livros litúrgicos

com o propósito de aprofundamento dos conhecimentos teóricos adquiridos no curso de liturgia ministrado no IESMA .

Vivencia sobre os livros litúrgicos
Vivencia sobre os livros litúrgicos

 

Formação litúrgica sobre os livros liturgicos
Formação litúrgica sobre os livros litúrgicos