CELEBRAR COM CRIANÇAS

Aqui refletimos sobre a inserção das crianças no ambiente religioso, especialmente o contexto celebrativo do mistério Pascal de Cristo.

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Diac. Carlos Magno de R. Ericeira

É responsabilidade do Pai, da mãe, do padrinho e da madrinha as primeiras experiências de fé das crianças, por isso a preocupação de realizar uma preparação, por mais breve que seja, para que estes se conscientizem de seu papel e responsabilidade na educação religiosa de seus filhos e afilhados. Este elo pelo qual geralmente a grande maioria das pessoas são iniciadas em uma experiência religiosa deve culminar em um ato celebrativo, seguindo o seu Mestre, que, “abraçando… abençoava” os pequeninos (Mc 10,16). A Igreja, portanto, tem o dever de cuidar das crianças, principalmente as batizadas para que cresçam em comunhão com Cristo e seus irmãos e não pode abandona-las em uma situação, entregues a si mesmas.

Cel. da Palavra com crianças
Cel. da Palavra com crianças

O Concílio Ecumênico Vaticano II que já na Constituição sobre a Sagrada Liturgia (SC) falara sobre a necessidade de uma adaptação da liturgia para os diversos grupos, após sua conclusão começou a considerar, com maior empenho, como as crianças poderiam participar mais facilmente da liturgia. Em 1973 foi aprovado um diretório para missas com crianças, levando em consideração os ecos das áreas de psicologia e pedagogia e os estudos e experiências de atividades e celebrações realizadas com jovens.

Após 4 décadas ainda se conhece pouco sobre este diretório que se desenvolve em três capítulos: 1º) como iniciar as crianças e prepará-las para a Eucaristia; 2º) como acolher as crianças nas celebrações com adultos; 3º) como conduzir  a celebração quando a missa tem na maioria crianças. É preciso criar condições para que as crianças vivam a sua fé. Como dissemos, a começar pelos pais, depois o ministro ordenado, presidentes de celebração, os catequistas, a comunidade.

Alguns pontos podemos e devemos considerar nesta área: a) Iniciar a criança no valor do silêncio, como momento precioso para acolher a palavra de vida; b) Introduzir a criança no canto; c) Valorizar a celebração da Palavra.
Por outro lado, o Diretório enfatiza também que a Catequese precisa ter também uma dimensão humana: aprender valores, saber conviver com os outros, agradecer, pedir perdão…. atitudes que também são exercitadas na celebração.

Inf. A Palavra Viva - ficha de estudo sobre a Cel. da Palavra de Deus.
Inf. A Palavra Viva – ficha de estudo sobre a Cel. da Palavra de Deus.

A participação deste público requer uma atenção especial, por isso eis algumas sugestões: EM CELEBRAÇÔES DE ADULTOS – 1. As crianças menores podem ser reunidas em um lugar próximo adequado e voltarem para a Bênção final; 2. Em outro local, as crianças participam de uma Liturgia da Palavra mais adequada e voltam para a Liturgia Eucarística ou 3. Dá-se atividades adequadas para a sua mais efetiva participação (ex. coleta, etc). Esta última tem se mostrado ser a mais adequada para a nossa realidade. EM CELEBRAÇÕES SOMENTE COM CRIANÇAS. 1- Evitar discursos e palavras rebuscadas e de difícil entendimento, buscar uma linguagem acessível a faixa etária da assembleia reunida; 2 – Os adultos presentes, estão ali para rezar junto com as crianças e não para fiscalizá-las. Celebrar com as crianças é ir com elas ao encontro do Senhor que nos reúne, nos revela, se nos oferta e se nos dá na Sagrada Comunhão; 3 – A música vocal e instrumental bem preparada e adaptada é de grande importância: a melodia não deve se sobrepor à letra, nem os instrumentos à voz, nem o coral à assembleia. Não basta assistir, é preciso participar, ou seja, fazer parte. O uso de imagens e símbolos visuais é também ponto de destaque, que precisam ser usados. Que nada se imponha, mas que esteja a serviço do essencial. O espaço também contribui para a melhor participação.

Com estas dicas e a partir da vivência de cada comunidade, aos poucos vai-se criando um espaço onde elas (as crianças) se identificam e sentem-se participantes do mistério celebrado de uma forma que só elas podem relatar.

Por Diac. Carlos Magno Ericeira

(Artigo publicado no Jornal do Maranhão, Ano XLVII - Nº 81 - Julho de 2016)

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